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Corredor Bioceânico de Capricórnio está avançando sem passar pelo território boliviano

O Corredor Bioceânico de Capricórnio, que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio de uma rede logística de até 4.000 quilômetros, entrará em operação no segundo semestre de 2026.

Por que isso é importante:  A consolidação desse corredor poderia desviar parte dos fluxos comerciais que atualmente atravessam o território boliviano, afetando transportadoras, operadores logísticos, serviços aduaneiros e regiões fronteiriças que dependem do trânsito internacional de mercadorias.

  • A nova rota conecta diretamente o estado brasileiro de Mato Grosso do Sul — um dos principais polos de exportação agrícola da América do Sul — aos portos chilenos do Pacífico, reduzindo o tempo e os custos para milhões de toneladas de carga.

O trajeto:  O corredor logístico de aproximadamente 3.200 quilômetros ligará o Atlântico aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones e Iquique.

  • A rota atravessará Mato Grosso do Sul e Porto Murtinho, no Brasil, Carmelo Peralta e o Chaco paraguaio, as províncias argentinas de Salta e Jujuy, e os portos chilenos mencionados.
  • A Ponte Bioceânica sobre o Rio Paraguai, que ligará Carmelo Peralta a Porto Murtinho, está a apenas alguns metros de concluir sua conexão física.

Os números:  Estimativas oficiais indicam que o tempo de transporte para a Ásia poderia ser reduzido em 10 a 15 dias em comparação com as rotas atuais, o que também implica em custos menores de armazenamento, seguro e transporte para as empresas exportadoras.

O caso do Paraguai:  Para o Paraguai, um país sem litoral e tradicionalmente dependente da Hidrovia Paraguai-Paraná, o projeto representa uma transformação estratégica, proporcionando uma ligação terrestre direta com os portos do Pacífico.

  • Em 2025, as exportações paraguaias atingiram US$ 16,72 bilhões, e o novo corredor permitirá a diversificação de rotas, a redução dos riscos logísticos e a expansão do acesso a novos mercados.

Financiamento:  Ao contrário de outros megaprojetos regionais, o Corredor Bioceânico não possui um orçamento consolidado único, mas sim combina investimentos nacionais, contribuições multilaterais e projetos portuários complementares.

  • O BID contribuiu com US$ 600.000 para o desenvolvimento do Plano Diretor Regional.
  • O Porto de Antofagasta investe 39 milhões de dólares na expansão de sua infraestrutura.
  • O Chile destina US$ 15 milhões para melhorias logísticas complementares.

Contexto:  O corredor ganha relevância em um contexto de crescente pressão sobre as rotas marítimas internacionais e restrições periódicas no Canal do Panamá, oferecendo uma alternativa competitiva para certos fluxos comerciais do Cone Sul para os mercados asiáticos.

Os desafios restantes:  Os especialistas concordam que a infraestrutura por si só não garantirá o sucesso do projeto e que a competitividade do corredor dependerá da coordenação entre os quatro países para agilizar o trânsito de mercadorias.

  • Entre as tarefas pendentes estão a modernização de oito postos de fronteira, a digitalização dos procedimentos aduaneiros, a harmonização das normas comerciais e a redução dos tempos de inspeção e desembaraço.
  • O Banco Interamericano de Desenvolvimento acredita que a facilitação do comércio será tão importante quanto a infraestrutura física para consolidar a nova rota.

A aposta boliviana:  Enquanto o Corredor de Capricórnio entra em sua fase final, a Bolívia promove seu próprio projeto: o Corredor Bioceânico Andino-Amazônico Central, que busca conectar o porto de Santos, no Brasil, ao porto peruano de Ilo, passando por Beni, Cochabamba e Oruro.

  • No entanto, o projeto boliviano enfrenta desafios em termos de financiamento, coordenação regional e execução das obras, e encontra-se em um estágio menos avançado do que a rota promovida pelos quatro países vizinhos.
  • Embora o Corredor de Capricórnio já conte com rodovias operacionais, portos integrados e um projeto emblemático praticamente concluído, a Bolívia ainda trabalha para consolidar a infraestrutura necessária para concretizar sua própria conexão bioceânica.

Nas entrelinhas:  O trabalho está se desenvolvendo em paralelo com o fortalecimento dos laços comerciais entre a América do Sul e a Ásia, com o investimento chinês em infraestrutura estratégica, como o megaporto de Chancay, no Peru, refletindo a crescente importância da região para o comércio transpacífico.

  • Especialistas alertam que a concorrência logística aumentará em uma região onde a eficiência do transporte se tornou um fator decisivo para atrair investimentos e consolidar corredores comerciais.

Conclusão:  Para a Bolívia, o progresso do Corredor Bioceânico de Capricórnio representa tanto uma oportunidade para a futura integração quanto um alerta sobre a velocidade com que as rotas comerciais sul-americanas estão sendo reconfiguradas.

  • O desafio não é mais apenas participar dos corredores bioceânicos, mas fazê-lo com infraestrutura, investimento e capacidade de gestão suficientes para manter um papel relevante no comércio entre a América do Sul e a Ásia.

Fonte; EJU TV

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