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Caminhões presos, trens parados: Rodrigo Mundaca pede agilização do corredor de Aconcágua entre Argentina e Chile

A abertura da ENLOCE (Encontro de Logística e Comércio Exterior) 2026 destacou os principais desafios que a Região de Valparaíso, no Chile, enfrenta para consolidar sua posição como um polo logístico e de comércio exterior. Em um contexto marcado pelo congestionamento na fronteira de Los Libertadores, pela expansão portuária, pela necessidade de fortalecer a conectividade ferroviária e pelas demandas de sustentabilidade, o Governador Regional de Valparaíso, Rodrigo Mundaca, apresentou uma agenda focada em infraestrutura, interoperabilidade e parcerias público-privadas.

Em seu discurso, ele destacou o papel de Valparaíso no sistema logístico nacional. “É a região que abriga os principais portos do país. 60% das importações entram no Chile pelos portos da região de Valparaíso. 30% das exportações chilenas saem pelos portos de Valparaíso”, observou Mundaca, enfatizando a importância da infraestrutura portuária regional para o comércio exterior chileno.

O governador também destacou o papel de Los Andes como ponto estratégico para o comércio terrestre com a Argentina e o Mercosul. “ Temos o maior porto terrestre da América Latina, o Porto Terrestre de Los Andes. 40% das mercadorias provenientes do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil — passam por lá”, afirmou.

No entanto, ele alertou que a infraestrutura existente enfrenta desafios significativos, especialmente diante de eventos climáticos que interrompem o tráfego internacional. “Não é coincidência que hoje, devido a eventos climáticos, tenhamos mais de 2.000 caminhões parados por mais de 30 dias no lado argentino e um número significativo de caminhões parados no lado chileno”, afirmou.

Nesse contexto, ele destacou a necessidade de avançar com a concretização do corredor bioceânico de Aconcágua, conectando de forma mais eficiente os fluxos do Atlântico com os portos do Pacífico. “Ser capaz de realizar esse sonho de ter um corredor logístico bioceânico é extremamente importante, mas também muito desafiador”, afirmou.

Para Mundaca, um dos fatores determinantes será o investimento público e privado. “Precisamos considerar seriamente a eletromobilidade”, observou ele, vinculando o desenvolvimento do corredor a uma transformação da infraestrutura e dos sistemas de transporte utilizados para movimentar cargas.

Uma de suas principais propostas focava na modificação do papel do Porto Terrestre de Los Andes, incorporando capacidades ferroviárias e de transferência. “Sou um daqueles que sonha e espera que o porto terrestre não seja apenas um local de inspeção, mas também um local de transferência de carga”, afirmou.

Nessa linha de raciocínio, ele argumentou que a restauração do transporte ferroviário surge como uma alternativa para melhorar a eficiência e a sustentabilidade do corredor. “Agora, já no século XXI, e com os problemas que temos enfrentado recentemente, parece lógico que os trens possam voltar a circular em nossos trilhos”, afirmou.

O governador acrescentou que essa ligação deveria se estender para além dos Andes. ” Os trens deveriam chegar a Saladillo, justamente para concretizar esse objetivo e essa aspiração”, observou, referindo-se a uma conversa que teve com representantes envolvidos no desenvolvimento ferroviário.

A proposta, no entanto, exige uma perspectiva mais ampla sobre o funcionamento da cadeia logística. “Também precisamos trabalhar na interoperabilidade”, afirmou Mundaca, que relacionou essa necessidade aos desafios ambientais e à redução da dependência de combustíveis fósseis. “O trem parece uma solução perfeitamente lógica para esse fim, e já discutimos isso com as autoridades”, acrescentou.

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A relação entre cidade-porto também foi abordada por Mundaca.

Portos e cidades

Mundaca também abordou o crescimento projetado dos principais terminais portuários da região e a relação entre as operações portuárias e as cidades onde estão localizadas. “Somos uma região oceânica”, afirmou, observando que o investimento portuário está entre as principais prioridades da região.

No caso de Valparaíso, ele manifestou seu apoio ao aumento projetado da capacidade do terminal. “Compartilho plenamente do desejo do Porto de Valparaíso de aumentar sua capacidade de 0,9 milhão de TEUs para 1,5 ou 2 milhões de TEUs”, afirmou. Contudo, alertou que esse crescimento deve ser acompanhado por melhorias em outros componentes da cadeia de suprimentos.

“Esse crescimento no volume de carga também precisa ser abordado do ponto de vista da interoperabilidade, do ponto de vista da segurança e do ponto de vista da sustentabilidade”, afirmou ele.

Em relação a San Antonio, ele também destacou suas perspectivas de expansão. “Concordo que também é uma cidade portuária e que aspira a aumentar sua capacidade de TEUs de 2,5 milhões para 7 milhões de TEUs”, afirmou.

Segundo o governador, o desenvolvimento dos terminais deve incorporar uma relação mais estreita com as áreas circundantes. “O desenvolvimento portuário deve caminhar lado a lado com a cidade e não deve ser feito às custas da cidade, mas sim contribuir para o seu desenvolvimento”, afirmou.

A segurança das operações foi outro tema fundamental abordado durante sua apresentação. Mundaca afirmou que os portos da região enfrentam vulnerabilidades que exigem maior investimento tecnológico, especialmente no controle de cargas. “Precisamos de scanners, por exemplo, para monitorar as mercadorias que entram e saem do Chile, considerando as preocupações com a segurança que todos enfrentamos hoje”, declarou.

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O governador enfatizou o papel que o Porto Terrestre deve desempenhar.

Aconcágua como corredor estratégico

Ao final de seu discurso, Mundaca fez um apelo direto aos representantes dos setores público e privado presentes para que priorizassem o corredor bioceânico de Aconcágua em relação a outras iniciativas de integração internacional. “Quero instar a todos a darem ao corredor bioceânico de Aconcágua o impulso necessário”, afirmou. O governador argumentou que seu desenvolvimento exige coordenação entre diversos atores e uma visão que transcenda a lógica de um único modal de transporte.

“Precisamos entender a importância da interoperabilidade, a importância de transformar este porto não apenas em um local de inspeção, mas também em um centro de transferência de cargas ”, acrescentou. Para Mundaca, essa estratégia deve envolver todos os níveis de tomada de decisão, onde “todos fazem a sua parte: o governo regional, o governo central e também o setor privado”.

O governador também destacou outros projetos que, em sua opinião, poderiam fortalecer a posição internacional de Valparaíso. Entre eles, mencionou a possibilidade de a região sediar uma secretaria técnica vinculada ao Tratado de Alto Mar sobre Biodiversidade Marinha (BBNJ, na sigla em inglês) e o desenvolvimento do cabo submarino Humboldt.

Em relação a este último projeto, ele explicou que “a instalação começará no último trimestre na praia de Las Brisas, em Santo Domingo, e o equipamento percorrerá 14.800 quilômetros até chegar a Sydney e 6.500 quilômetros até chegar à Cidade do Panamá”.

De acordo com Mundaca, essa infraestrutura fortalecerá o posicionamento digital da região. “Porque nos tornaremos o polo digital mais importante das Américas em pouco tempo,  e esse polo digital mais importante das Américas começará aqui, na região de Valparaíso”, afirmou.

O governador também relacionou essa infraestrutura digital ao desenvolvimento da logística e do comércio exterior. “Isso contribuirá para a logística e o comércio exterior? Sem dúvida”, afirmou, enfatizando que a conectividade digital também faz parte das capacidades que determinarão a competitividade futura da região.

Por fim, ele afirmou que o desafio para Valparaíso é alavancar simultaneamente sua infraestrutura portuária, sua conexão terrestre com a Argentina, seu potencial ferroviário, sua infraestrutura digital e sua localização marítima para fortalecer sua posição nas cadeias logísticas internacionais. “Manter nosso acesso ao oceano é fundamental”, concluiu.

Fonte: Agenda Logística

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