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As condições geográficas representam uma desvantagem para o transporte ferroviário até o Porto de Iquique

O transporte ferroviário de mercadorias de e para o Porto de Iquique enfrenta desvantagens geográficas, perdendo terreno para os caminhões. Esta proposta foi formulada no contexto das possibilidades de utilização do transporte ferroviário no Corredor Bioceânico planejado entre o Chile e o Brasil.

O gerente-geral da Companhia Portuária de Iquique (EPI), Rubén Castro, identificou o principal obstáculo como sendo a diferença de altitude entre a área portuária, localizada quase ao nível do mar, e a área interior da Região de Tarapacá, a aproximadamente 1.000 metros. O executivo questionou a eficácia do trem em um terreno tão desafiador.

A esse respeito, Castro explicou que “o transporte ferroviário funciona muito bem para longas distâncias com cargas grandes e homogêneas, mas quando há uma diferença de altitude de 1.000 metros entre as planícies da Rodovia 5 e o Porto de Iquique, não é prático porque exige um trajeto extremamente sinuoso. Além disso, a localização do porto em uma ilha torna muito difícil a chegada de um trem; leva muito tempo e tem capacidade muito limitada.”

O engenheiro de transportes elaborou seu argumento e salientou que “um trem com 12 vagões pode empilhar até 24 contêineres em dupla carga e leva aproximadamente três horas para concluir todo o processo; em três horas, eu despacho 60 contêineres por caminhão, então não faz sentido.”

“No nosso caso, devido à nossa localização geográfica, os caminhões são a melhor opção. Para longas distâncias, claro, o trem funciona. Quando chegamos a Alto Hospicio ou Pozo Almonte, o trem é útil para nos aproximarmos do Paso Jama”, acrescentou o gerente geral.

No entanto, Castro apontou o transporte multimodal como a alternativa adequada para movimentar a carga internacional que transita pelo Corredor Bioceânico entre os portos do Chile e do Brasil, passando pela Argentina e pelo Paraguai.

“Este será um sistema multimodal ou intermodal; o trem levará você até o Paso Jama, e o caminhão embarcará lá. Do outro lado, outro trem estará esperando para viajar pela Argentina, Paraguai e Brasil”, afirmou o executivo.

“A ponte que será inaugurada entre Porto Murtinho (Brasil) e Carmelo Peralta (Paraguai) não é uma ponte ferroviária, é uma ponte rodoviária; portanto, tem que ser o resultado de uma cadeia de modais, e acho que os brasileiros e os paraguaios entendem isso melhor do que nós”, afirmou o gerente-geral.

Fonte: Portal Portuário

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