Reinaldo diz que caminhão parado cinco dias na aduana é o risco real da Rota Bioceânica, e propõe lacre com chip
O ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja disse que, se eleito, vai atuar para destravar o que considera o maior gargalo da Rota Bioceânica, e não é a obra. É a alfândega.
Em entrevista à Morena FM nesta segunda-feira (24), em Campo Grande, ele afirmou que a carga que vier do Pacífico vai atravessar quatro aduanas até chegar ao Brasil, uma em cada país do trajeto, e que sem integração entre elas o corredor perde justamente aquilo que promete: tempo.
“O grande desafio da rota não é nem a parte estrutural da obra, a obra vai ficar pronta. Nós teremos ali o acesso concluído, a ponte já tá pronta praticamente, mas nós temos que organizar essa questão alfandegária”, disse.
A proposta do lacre com chip
Para ele, não é admissível um caminhão ficar cinco dias parado em uma alfândega. A solução que defende é tecnológica: um sistema eletrônico com chip na mercadoria lacrada, que só seria aberta no destino.
O corredor tem 2.396 quilômetros e liga o Atlântico ao Pacífico passando por Paraguai, Argentina e Chile. A previsão é reduzir em até 17 dias o transporte para a Ásia e a Oceania, criando alternativa ao Porto de Santos.
A reivindicação de autoria
Azambuja também cobrou o governo federal pelo trecho que falta do lado brasileiro, o acesso à ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, e aproveitou para reivindicar a paternidade do início da obra.
Segundo ele, foi quem assinou a ordem de início da construção da ponte, em dezembro de 2022, ao lado do então presidente paraguaio Mario Abdo Benítez. E deu a razão: o então presidente Jair Bolsonaro, disse, não teria conseguido pousar em Porto Murtinho por causa do tempo fechado.
“Hoje a ponte está pronta, só que nós temos uma falta de planejamento do governo do nosso lado. Nós temos ali o acesso à ponte que vai demorar um ano ainda, faltam recursos, falta colocar a estrutura para terminar o acesso”, afirmou. Ele foi governador entre 2015 e 2022.
O que já se sabe da obra
O prazo que ele cita para o acesso é o mesmo que a reportagem do A Crítica registrou em agosto: a ponte passou de 90% de execução, com entrega da estrutura principal prevista para 2026, e a construção do acesso brasileiro só deve começar no ano seguinte.
Em julho, as duas metades da estrutura se encontraram sobre o rio Paraguai, no episódio que ficou conhecido em Porto Murtinho como o beijo da ponte.
O governo federal não foi procurado pela emissora para responder às críticas sobre a falta de recursos para o acesso.
Fonte: A Crítica

