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Novo centro de distribuição de fertilizantes será construído em Carmelo Peralta

Uma delegação paraguaia propôs em Montevidéu, Uruguai, a instalação de uma fábrica de fertilizantes em Carmelo Peralta, no Alto Paraguai, para abastecer o Cone Sul. A iniciativa busca aproveitar o gás argentino e a Rota Bioceânica, posicionando o país como um ator fundamental diante da grave escassez regional de insumos agrícolas.

A proposta oficial foi apresentada nesta terça-feira, 2 de setembro, durante o workshop de integração de gás organizado pela Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE). No evento, estiveram presentes Julio Albertini, Diretor de Hidrocarbonetos, e Giuliano Franco, Assessor Técnico, representando a Vice-Ministério de Minas e Energia (VMME), vinculada ao Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC).

Um plano estratégico em duas etapas e vantagens logísticas

O projeto prevê uma implementação inicial abastecida com gás natural extraído da Bacia de Neuquén, na Argentina. Numa segunda fase, a usina utilizará gás extraído do Chaco paraguaio, permitindo uma resposta rápida, eficiente e econômica à alta demanda por suprimentos, atendendo principalmente aos estados brasileiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A escolha de Carmelo Peralta deve-se às suas condições geográficas e de recursos excepcionais. A convergência da hidrovia Paraguai-Paraná e da nova Rota Bioceânica representa uma significativa economia logística, enquanto a ampla disponibilidade de terras e água permite ao país ingressar em um setor industrial com potencial econômico inexplorado em seu território nacional.

Integração do Mercosul para a soberania agrícola

Esta iniciativa está alinhada com o objetivo dos países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e do Chile de alcançar a autossuficiência a médio prazo. A abundância de recursos de gás na região visa contrabalançar a dependência externa de insumos agrícolas essenciais para a segurança alimentar, utilizando ferramentas estratégicas de transporte, como as hidrovias, a rede rodoviária internacional e os futuros gasodutos planejados.

O estudo apresentado pela OLACDE revelou que o Cone Sul sofre com um grave déficit de fertilizantes nitrogenados, importando 92% do seu consumo a um custo aproximado de US$ 6,5 bilhões anualmente. No caso específico da ureia, as compras externas ultrapassam US$ 4 bilhões, abastecendo principalmente os principais polos agrícolas da região.

O relatório técnico elaborado em conjunto com o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe – confirmou que a disponibilidade de gás em campos como Vaca Muerta permitiria a substituição completa das importações de ureia por meio da produção competitiva. Para atingir esse objetivo, serão necessários investimentos regionais de US$ 15 bilhões e um aumento diário de 12 milhões de metros cúbicos de gás.

Fonte: MOPC – PY

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