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Jaime Verruck destaca integração com a Bolívia, desafios logísticos e avanços da Rota Bioceânica

Durante o encontro Café e Política, o ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, apresentou uma análise aprofundada sobre os desafios e oportunidades da integração sul-americana, com ênfase na Rota Bioceânica.

Em sua fala, Verruck destacou a importância estratégica da Bolívia dentro do processo de consolidação das rotas logísticas do continente. Segundo ele, o diálogo recente entre autoridades brasileiras e bolivianas, incluindo agenda em Brasília com o presidente da Bolívia e representantes do governo federal, reforça a necessidade de ativar uma relação mais estruturada com o país vizinho.

“A Bolívia tem um papel essencial, especialmente se falarmos de ferrovia. A ferrovia boliviana está operacional e chega até Corumbá, com cargas e produtos como ureia. Já a brasileira ainda enfrenta dificuldades históricas”, pontuou.

O ex-secretário lembrou que está prevista para novembro a licitação da Malha Oeste, considerada fundamental para ampliar a competitividade logística de Mato Grosso do Sul. O projeto prevê investimentos públicos de aproximadamente R$ 3 bilhões, já que o modelo não se sustenta apenas pela lógica de mercado.

Verruck também apresentou a proposta da chamada Rota Transamericana, alternativa ferroviária que busca integrar o porto de Santos à cidade de Cochabamba, na Bolívia, com conexão posterior ao porto de Chancay, no Peru. A proposta surge como solução mais viável frente aos desafios ambientais e estruturais de uma rota pela Amazônia.

“A opção ferroviária é excepcional para aumentar nossa competitividade. A Bolívia está avançando nesse processo, enquanto o Brasil ainda não assumiu plenamente essa rota como prioridade estratégica”, afirmou.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre o gás natural. Verruck explicou que a Bolívia enfrenta queda na capacidade de fornecimento, enquanto cresce a entrada do gás argentino no mercado brasileiro por meio do mesmo gasoduto. Nesse cenário, o Paraguai propõe um novo gasoduto ao longo da Rota Bioceânica, mas depende da demanda brasileira para viabilizar economicamente o projeto.

Segundo ele, as negociações seguem em andamento entre Argentina, Paraguai e Brasil, embora o governo brasileiro ainda não tenha abraçado oficialmente a proposta.

Na área rodoviária, Verruck chamou atenção para a necessidade urgente de harmonização legislativa entre os países envolvidos na rota. Um dos principais entraves é a circulação de bitrens, modelo amplamente utilizado no Brasil, mas ainda não autorizado no Paraguai.

“Os transportistas paraguaios fazem hoje a maior restrição nesse fluxo, exatamente porque não são competitivos. Há uma necessidade de modernização da frota e adequação normativa”, destacou.

O ex-secretário ainda exemplificou as diferenças regulatórias com um caso prático: a divergência de apenas cinco centímetros na altura permitida para caminhões baú entre Brasil e Paraguai, obrigando adaptações improvisadas para cruzar a fronteira.

Para Verruck, a consolidação da Rota Bioceânica depende não apenas da infraestrutura física, mas também da construção de consensos políticos, normativos e econômicos entre os países envolvidos.

“A materialização seria fácil se fosse apenas obra. O maior desafio está no convencimento e na construção dessas bases institucionais”, concluiu.

A fala reforçou a complexidade e o potencial transformador da Rota Bioceânica, vista como eixo estratégico para reposicionar Mato Grosso do Sul e o Brasil nas cadeias globais de comércio e integração regional.

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