Huachipato-Ásia-Pacífico: o novo eixo que Biobío (Chile) busca impulsionar
A ministra de Energia, Ximena Rincón; o ex-presidente da República e presidente do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI), Eduardo Frei; o governador de Biobío, Sergio Giacaman; e o embaixador do Chile na Argentina, Gonzalo Uriarte, visitaram as instalações de Huachipato em Talcahuano para conhecer sua infraestrutura, logística e capacidade portuária, bem como seu potencial para promover maior integração produtiva e energética entre Biobío e Neuquén (Argentina).
A visita ocorreu após o Encontro Binacional Neuquén-Biobío, realizado na sede do Governo Regional e liderado pelos governadores de ambas as regiões. O encontro teve como objetivo avançar em um acordo de colaboração que conectaria os campos de petróleo e gás de Vaca Muerta com a região de Biobío e, ao mesmo tempo, fortaleceria a capacidade dos portos da região como uma porta de entrada alternativa para os mercados internacionais.
Durante a visita à fábrica, as autoridades conheceram a infraestrutura industrial, logística e portuária de Huachipato, incluindo as instalações para recebimento, manuseio e expedição de cargas, bem como os pontos de chegada dos gasodutos e oleodutos que conectam a região à Argentina.
Representando o Grupo CAP e Huachipato estiveram o gerente geral do Grupo CAP, Nicolás Burr; o gerente geral de Huachipato, Jean Paul Sauré; o gerente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Grupo CAP, Jorge Lagos; e a presidente do conselho e o gerente geral do Huachipato Terminal Portuario (HTP), Patricia López e David González, respectivamente.
A visita permitiu aos participantes conhecer o processo de revitalização que o Grupo CAP está realizando em Huachipato, com o objetivo de transformar o complexo em um novo polo de desenvolvimento industrial, logístico, portuário, de inovação e imobiliário. Nesse contexto, a infraestrutura portuária existente e as conexões com a Argentina por meio do Gasoduto do Pacífico e do Oleoduto Transandino abrem novas possibilidades para a expansão das atividades do complexo relacionadas a energia e logística.
Após a visita, o ex-presidente da República e presidente do Conselho de Políticas de Infraestrutura (CPI), Eduardo Frei, destacou o potencial de Huachipato e as oportunidades que uma maior integração regional abre para o desenvolvimento de novas indústrias e capacidades tecnológicas. “Ao observar tudo isso, percebemos que é um projeto para 20, 30 anos. Este é o futuro da região de Biobío: com os projetos com a Argentina, com outros países, com a Ásia, com os portos, com a indústria e com as novas fábricas necessárias. Este será um polo de desenvolvimento de primeira linha para o país”, afirmou.
Frei também sugeriu que essa infraestrutura poderia servir como um ponto de conexão para uma integração mais ampla na parte sul do continente. “Há uma oportunidade aqui para que diferentes países se integrem, não apenas a Argentina. Uma grande parte do sul do continente poderia ser conectada por meio dessa plataforma. Esse é o desafio: transformar isso em um importante centro de logística e tecnologia, com porto, energia, gás e tudo o mais que for necessário”, acrescentou.
Por sua vez, a Ministra da Energia, Ximena Rincón, destacou o papel que a infraestrutura de Huachipato poderia desempenhar na conexão de Vaca Muerta com os mercados internacionais.
“Acredito que a contribuição de Huachipato para a integração com a Argentina é fundamental, não apenas do ponto de vista da produção, mas também em termos de infraestrutura e logística. A energia é um fator essencial para o nosso país hoje, e Huachipato está se tornando um local estratégico para abrir uma porta de entrada de Vaca Muerta para o mundo, para a Ásia. Há uma enorme oportunidade para ambos os países, e Huachipato pode ser um fator decisivo”, afirmou Rincón.
O governador de Biobío, Sergio Giacaman, enfatizou o potencial da região para fortalecer sua posição como plataforma logística e impulsionar novas oportunidades de conectividade e desenvolvimento. Ele afirmou que a região “possui capacidades que nos permitem projetar-nos como um polo logístico internacional, e a infraestrutura existente em Huachipato é uma parte importante desse potencial”.
Ele acrescentou que “o desafio é colocar essas capacidades a serviço de uma estratégia regional que nos permita melhorar nossa conectividade, fortalecer nossa indústria e avançar rumo a uma maior integração com a Argentina e os mercados da Ásia-Pacífico. O que estamos promovendo com Neuquén abre uma oportunidade concreta para avançarmos nessa direção, aproveitando a infraestrutura que já possuímos e gerando novas oportunidades de investimento e desenvolvimento para a região.”
Enquanto isso, Nicolás Burr, gerente geral do Grupo CAP, destacou as conexões existentes com a Argentina como uma das vantagens de Huachipato para o desenvolvimento de novas atividades logísticas e portuárias. “Na reestruturação de Huachipato, focamos em projetar nossas capacidades, infraestrutura e ativos para uma nova atividade industrial, logística e portuária”, explicou.
Na opinião dele, uma das vantagens competitivas é a conexão com Neuquén através do Gasoduto do Pacífico e do Oleoduto Transandino, o que os posiciona como uma das principais portas de entrada para exportação para o Pacífico e a costa oeste da América Latina. Essa é uma vantagem que eles devem aproveitar para conectar o potencial energético de Vaca Muerta com o Pacífico e abrir novas oportunidades para Huachipato e a Região do Biobío.
A visita a Huachipato faz parte da agenda de integração promovida entre as duas regiões, que busca impulsionar novas alternativas para conectividade energética, produtiva e logística. As discussões continuarão por meio de grupos de trabalho entre atores públicos e privados de ambos os países, com foco na identificação de oportunidades concretas para fortalecer essa conexão e alavancar as capacidades existentes em ambos os lados dos Andes.
Fonte: Agenda Logística

