Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado inicia trabalhos em Antofagasta, concentrando-se nos riscos no Corredor Bioceânico
Antofagasta deu mais um passo na coordenação interinstitucional contra o crime organizado com a primeira reunião do Comitê de Controle do Crime Organizado, uma iniciativa liderada pelo Comissário Presidencial para a Macrozona Norte, Alberto Soto, e pela Delegada Presidencial Regional para Antofagasta, Katherine López. A reunião reuniu autoridades civis, policiais, militares, marítimas, penitenciárias e alfandegárias para abordar proativamente os riscos que a região enfrenta com a expansão da atividade criminosa complexa e transnacional.
A reunião centrou-se numa apresentação do Procurador Regional de Antofagasta, Juan Castro Bekios, que apresentou um relatório de inteligência estratégica sobre a situação do crime organizado na região, com particular ênfase nas potenciais externalidades negativas da implementação do Corredor Bioceânico. A futura ligação rodoviária entre o Oceano Atlântico e os principais portos do norte do Chile, como Antofagasta, Tocopilla e Mejillones, representa uma oportunidade económica de grande impacto para o Cone Sul, mas também apresenta desafios em termos de controlo fronteiriço, segurança portuária, fiscalização aduaneira e repressão penal.
A reunião contou com a presença do Comandante da Primeira Divisão do Exército Chileno, Brigadeiro-General Eduardo Valdivia; do Chefe da Zona de Antofagasta dos Carabineros (Polícia Nacional Chilena), General Cristian Montre; do Chefe da Região Policial de Antofagasta da PDI (Polícia Investigativa Chilena), Inspetor Prefeito Freddy Castro; do Governador Marítimo de Antofagasta, Capitão-Tenente René Moraga; do Diretor Regional da Gendarmaria (Serviço Penitenciário Chileno), Tenente-Coronel Rodrigo Salinas; e do Diretor Regional da Alfândega, Francisco Romero. A presença dessas instituições refletiu a necessidade de enfrentar o crime organizado a partir de uma perspectiva compartilhada, com troca de informações e ações coordenadas.
Durante a sessão, o Procurador Regional destacou os principais fatores de ameaça analisados pelo Ministério Público nos últimos anos, incluindo a presença de organizações criminosas em países vizinhos, as rotas informais já utilizadas por redes ilícitas e os riscos que podem se intensificar com o aumento da conectividade terrestre aos portos do norte do Chile. Castro Bekios alertou que a abertura do corredor não deve ser vista apenas como um projeto de integração comercial, mas também como um cenário que exige planejamento preventivo para evitar a exploração da atividade econômica por organizações criminosas.
“O risco é que o que já temos aumente, e na medida em que antecipamos esse risco, somos obrigados a todas as instituições a tomar medidas preventivas, a emitir alertas e a estarem preparadas o mais rapidamente possível para enfrentar essas ameaças”, salientou o Procurador Regional, enfatizando que a única forma eficaz de enfrentar um fenómeno desta magnitude é com a atuação conjunta de todos os órgãos do Estado.
O Comissário Presidencial para a Macrozona Norte, Alberto Soto, afirmou que Antofagasta enfrenta desafios extremamente complexos e que a resposta institucional deve combinar medidas de curto prazo com planejamento de longo prazo. “Todos sabemos dos enormes desafios que Antofagasta enfrenta como região e, para isso, precisamos nos preparar, tomar medidas de curto prazo e ter planos de ação. É isso que estamos discutindo hoje com o Delegado e o Procurador, pois há tarefas pendentes que precisam ser resolvidas o mais breve possível”, afirmou.
Soto também enfatizou a necessidade de fortalecer as capacidades operacionais em pontos estratégicos, particularmente em termos de pessoal policial, infraestrutura alfandegária e segurança portuária. Em sua visão, o fortalecimento das fronteiras terrestres e marítimas deve estar diretamente ligado à preparação do Estado para o Corredor Bioceânico, evitando que um projeto de integração regional se torne uma vulnerabilidade para a segurança nacional.
Da mesma forma, a Delegada Presidencial Regional, Katherine López, elogiou a formação deste grupo de trabalho e enfatizou que a avaliação fornecida pelo Ministério Público ajudará a orientar ações concretas. “O Ministério Público Regional já havia previsto alguns problemas sérios que nossa região poderia enfrentar com o crime organizado. Vimos os resultados alcançados pela polícia em Antofagasta, mas isso também se deve a um plano para fortalecer a segurança nas fronteiras. Como governo, devemos implementar essa política de Estado para que esteja alinhada ao trabalho que vem sendo realizado pelo Ministério Público, dada a importância da Macrozona Norte”, afirmou.
A autoridade regional acrescentou que o objetivo não é apenas estabelecer um órgão formal, mas avançar em direção a medidas e resultados verificáveis que possam ser divulgados ao público. “Não queremos ser uma comissão que não faz absolutamente nada; queremos realmente tomar medidas concretas e que o público conheça as informações que forneceremos sobre os resultados obtidos com esse esforço conjunto”, afirmou López.
Um dos pontos abordados com particular atenção foi o papel de Antofagasta como barreira setentrional do país contra a entrada de mercadorias ilícitas. O Chefe Regional dos Carabineiros, General Cristian Montre, destacou que, desde o final de 2023, vem sendo implementada uma estratégia de trabalho conjunta com a PDI (Polícia de Investigação do Chile), o Ministério Público e o Governo, o que fortaleceu os controles e gerou resultados significativos em apreensões.
“As grandes apreensões de drogas e cigarros demonstram que somos a barreira setentrional do país, impedindo que todas essas mercadorias ilícitas cheguem às regiões do sul, e evidenciam o enorme progresso que está sendo feito”, afirmou Montre. No entanto, ele alertou que essas conquistas devem ser acompanhadas por melhorias na logística, nos recursos e no planejamento, especialmente considerando que o Corredor Bioceânico “existe informalmente” por meio de rotas já em uso.
O diagnóstico compartilhado durante a reunião deixou claro que o desafio envolve não apenas a polícia, mas também a Alfândega, a Saúde, a Gendarmaria, as Forças Armadas, a autoridade marítima e os órgãos responsáveis pelo monitoramento da movimentação de pessoas, bens e cargas. A complexidade do crime organizado exige que fronteiras, portos, rodovias e centros urbanos sejam vistos como parte de um sistema único de prevenção e controle.
Por fim, o Comissário Alberto Soto elogiou os esforços das delegações, da polícia e das forças armadas na região, mas alertou que a tarefa será ainda mais árdua no futuro. “A estruturação do plano é um esforço muito coerente do Estado para implementar uma solução para a natureza porosa das fronteiras terrestres e marítimas. É uma tarefa muito exigente que levará tempo, e não é correto prometer resultados a curto prazo”, afirmou.
A primeira reunião do Comitê de Controle do Crime Organizado enviou um sinal político e institucional claro: Antofagasta busca antecipar os riscos associados aos principais processos de integração econômica. O Corredor Bioceânico poderá inaugurar uma nova era de desenvolvimento para a região e seus portos, mas sua implementação exigirá uma resposta governamental robusta, coordenada e sustentada. Na Macrozona Norte, crescimento e segurança devem caminhar juntos.
Fonte: Diário Angamos

