Corredor Bioceânico, uma realidade
Em 2016, na cidade de Campo Grande, representantes do Brasil, do Chile, do Paraguai e da Argentina deram um passo importante ao concordarem em fazer investimentos concretos para implementar o Corredor Bioceânico, que deixou de ser uma aspiração diplomática para se tornar um projeto concreto de integração física e logística na América Latina.
Naquela época, o projeto mais significativo era a construção de uma ponte de 1.294 metros sobre o rio Paraguai, para facilitar o transporte de cargas do Brasil para o Oceano Pacífico. Dez anos depois, esse projeto está quase 90% concluído.
Da mesma forma, na última década, foram feitos progressos em várias iniciativas em que se investiu tempo e recursos – como a melhoria das rotas, a implementação de centros logísticos para cargas e a expansão da infraestrutura nos terminais marítimos e seus pontos de acesso – o que otimiza as condições do setor exportador, que destina grande parte de seus embarques aos mercados asiáticos.
Este corredor gera eficiência. De fato, reduz o tempo de viagem para a Ásia em comparação com a rota atlântica, não apenas devido à sua localização geográfica, mas também pela gestão portuária prevista. Essa economia de tempo proporcionada pela utilização dos terminais marítimos chilenos representa uma vantagem competitiva para amplos setores da produção brasileira voltada à exportação e uma oportunidade para o Chile.
Na verdade, agora que a ponte sobre o rio Paraguai está praticamente concluída, a questão não é mais se o corredor existirá, mas se o Chile estará adequadamente preparado. E a maior oportunidade reside na transição para a implementação de um modelo abrangente de desenvolvimento produtivo.
O norte do Chile, com portos como Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, tem potencial para se tornar um polo de serviços. Portanto, além do desenvolvimento e investimento na expansão da capacidade portuária, é fundamental que se continuem a criar zonas de desenvolvimento logístico ao redor desses portos — como La Negra, em Antofagasta, ou o Polo Logístico Alto Hospicio, em Tarapacá —, projetadas para atrair empresas de logística, indústria e serviços para um único local de comércio e intercâmbio.
Além disso, devemos lembrar que o corredor abre portas para que mais exportações chilenas acessem os países vizinhos, alcançando mercados consumidores no interior do Brasil e do Paraguai que antes eram logisticamente inacessíveis. Essa conectividade fortalece a resiliência a crises externas e fomenta a soberania econômica baseada na cooperação.
Como podemos ver, estamos em uma fase crucial. O Corredor Bioceânico será fundamental para fortalecer o comércio exterior e desenvolver os serviços, portanto, o investimento público e privado deve ser coordenado para realizar os projetos de infraestrutura necessários, padronizar os procedimentos alfandegários entre os países participantes e garantir a segurança pública.
Se fizermos as coisas direito e investirmos tempo, podemos fazer deste novo corredor o motor que impulsionará o nosso desenvolvimento futuro. É possível.

Fonte: Minería Chilena

