Corredor Bioceânico de Capricórnio: Jujuy, eixo estratégico de integração
Nos estúdios da Zeta TV, Alejandro Marenco, Secretário Executivo da Agência Provincial do Corredor Bioceânico de Capricórnio, detalhou os pontos fundamentais desta iniciativa estratégica.
O Corredor Bioceânico existe há mais de 20 anos, com um longo histórico de trabalho. Foi formalmente estabelecido institucionalmente com o Tratado de Assunção em 2015 e ratificado em 2017 pela Ata de Brasília, um acordo assinado pelos quatro países que definiu seu trajeto oficial.
O percurso integra
- Brasil: São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul
- Paraguai: Presidente Hayes, Alto Paraguai e Boquerón
- Argentina: Jujuy e Salta
- Chile: Tarapacá e Antofagasta
Estão sendo feitos progressos na conclusão da ligação Porto Murtinho – Carmelo Peralta, entre o Brasil e o Paraguai. A melhoria da ponte Misión La Paz – Pozo Hondo permanece pendente, necessitando de adaptações devido às mudanças climáticas que afetam o rio Pilcomayo. Essa estrutura histórica argentina, construída há mais de 40 anos, foi recentemente alvo de um acordo entre os dois países para sua modernização. Do lado de Salta, trechos da Rodovia Nacional 51 e estradas provinciais entre Misión La Paz e Tartagal ainda precisam ser pavimentados, levando-se em consideração os impactos socioambientais e as necessidades das comunidades locais.
Para Jujuy, o Paso Jama é o ponto crucial: recebe tráfego do Pacífico, de todo o sul do Brasil e do Uruguai. O acesso à província se dá por três pontos, totalizando aproximadamente 470 quilômetros, distribuídos uniformemente.
“Jujuy está se tornando um importante centro geopolítico”, enfatizou Marenco. “Temos conexões com o Chile e o Peru, e existem serviços de transporte que ligam Buenos Aires a Lima ou Salta a Antofagasta.”
A costa do Pacífico não produz alimentos, frutas ou açúcar em quantidade suficiente. Jujuy supre essa demanda com sua produção de mineração, frutas e açúcar, podendo também exportar para a Costa Oeste dos Estados Unidos e para a Ásia. “O potencial existe; só precisamos preparar nossa produção”, afirmou.
O projeto também abrange turismo, cultura e educação. Foi firmado um acordo com o Mato Grosso do Sul para capacitar mais de 52 mil servidores públicos em espanhol e oferecer aulas de português para trabalhadores de Jujuy. “Aprender idiomas como português e inglês é essencial para aproveitar as oportunidades que surgirão.”
Foi assinada uma carta de intenções com a Embaixada do Brasil para desenvolver o setor de turismo e serviços: “Não estamos apenas construindo rotas, devemos dar ao nosso povo as ferramentas para competir neste novo cenário.”
Um pilar fundamental é a Mesa Redonda dos Municípios do Corredor, que reúne cerca de 90 municípios dos quatro países. “Estamos construindo o desenvolvimento desde a base, respeitando nossa autonomia federal. Cada comunidade é protagonista do seu próprio crescimento”, explicou Marenco.
Fonte: Jujuy se Mueve

