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Com o Canal do Panamá sob ameaça do El Niño e o Estreito de Ormuz em tensão, a Ponte Bioceânica virou peça estratégica no novo mapa do comércio mundial

O mundo está redesenhando suas rotas logísticas. O Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo global, opera sob tensão geopolítica. O Canal do Panamá enfrenta restrições de nível d’água por causa do El Niño.

Nesse cenário, o Corredor Bioceânico, que vai ligar o Atlântico ao Pacífico atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, deixou de ser apenas um projeto de integração regional para se tornar uma alternativa logística com valor estratégico real.

A Ponte Bioceânica, que conecta Carmelo Peralta, no Paraguai, a Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, completou recentemente a união entre as duas margens do Rio Paraguai. A estrutura é o elo central de um corredor que, quando concluído, permitirá transportar cargas do Porto de Santos até os portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no Pacífico, reduzindo em cerca de 7 mil quilômetros o trajeto atualmente feito pelo Canal do Panamá ou contornando a África.

O que o momento geopolítico ensina é que a logística mundial já não depende apenas de infraestrutura. Clima, disponibilidade de água e estabilidade política passaram a condicionar rotas que pareciam permanentes. É por isso que o investimento no Corredor Bioceânico pode valer mais do que o projetado quando as obras foram concebidas.

Para o Paraguai, país sem saída para o mar, o corredor representa a possibilidade de se tornar um centro logístico regional com rotas mais eficientes e diversificadas, reduzindo a dependência das hidrovias do Prata e dos portos brasileiros do Atlântico.

Fonte: 100 Fonteiras

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