Bolívia, de país sem litoral a centro logístico do Corredor Bioceânico na América do Sul
A nova dinâmica do comércio global está impulsionando uma profunda reconfiguração da infraestrutura logística. Nesse contexto, os corredores bioceânicos, os portos secos e as Zonas de Atividade Logística (ZALs) estão emergindo como eixos estratégicos para melhorar a conectividade territorial, reduzir custos e acelerar o fluxo de mercadorias entre os continentes.
Um Corredor Bioceânico integra redes ferroviárias, rodoviárias e centros logísticos que conectam dois oceanos através do continente, possibilitando rotas mais curtas, eficientes e previsíveis para o comércio internacional. Na América do Sul, esses desenvolvimentos estão redefinindo a exportação de mercadorias para os mercados asiáticos e europeus, com tempos de trânsito reduzidos e maior eficiência operacional.
Países como o Chile e a Argentina, com extensas linhas costeiras, já desenvolveram portos secos no interior para impulsionar e descentralizar seu comércio exterior.
Um porto seco é um terminal intermodal interior, conectado diretamente aos portos marítimos por ferrovia ou rodovia. Seu papel é fundamental para aliviar o congestionamento nos terminais costeiros, descentralizar as operações alfandegárias e aproximar os serviços logísticos dos centros de produção.
Além disso, as Zonas de Atividade Logística (ZAL) são plataformas abrangentes onde o armazenamento, a consolidação de cargas, os serviços de valor agregado, os processos alfandegários e as operações de distribuição são integrados, gerando economias de escala e atraindo investimentos privados.
A integração dos corredores bioceânicos com portos secos e zonas de atividade logística não só melhora a logística: transforma a geografia econômica dos países, cria novos polos de desenvolvimento e multiplica a competitividade das exportações.
Esses desenvolvimentos permitem:
* Reduzir significativamente os custos logísticos.
* Reduzir o tempo de deslocamento e as emissões associadas.
* Descentralizar o comércio exterior.
* Gerar empregos qualificados e novos investimentos.
* Para fortalecer regiões historicamente isoladas dos portos marítimos.
No novo cenário logístico do comércio internacional, a eficiência e a conectividade territorial definem a competitividade de um país. Nesse contexto, a Bolívia emerge como um país de trânsito fundamental nos corredores bioceânicos que conectam o Atlântico e o Pacífico, integrando portos secos e zonas de atividade logística (ZALs) como pilares de sua estratégia logística nacional.
Devido à sua localização geográfica no coração do continente e ao seu estatuto de país sem litoral, a Bolívia deve orientar o seu planeamento de infraestruturas para a consolidação de rotas ferroviárias e rodoviárias que a liguem adequadamente ao Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Peru, facilitando o trânsito eficiente de mercadorias entre oceanos e gerando novas oportunidades econômicas baseadas em serviços logísticos de elevado valor acrescentado.
O impulso para o Corredor de Integração Ferroviária Bioceânica reforça essa visão, projetando a Bolívia como o nó central de uma rede ferroviária continental que reduzirá os tempos de trânsito, os custos logísticos e a dependência das rotas marítimas tradicionais.
Por outro lado, o Porto Seco de Oruro representa uma oportunidade concreta, amparada pela Lei 3316 de 16 de dezembro de 2005, que prevê a execução de planos e projetos ligados ao desenvolvimento integral do departamento de Oruro e do corredor bioceânico.
Localizado em um importante ponto de conexão ferroviária e rodoviária, este porto seco permite:
* Descentralizar as operações alfandegárias dos portos marítimos.
* Consolidar, nacionalizar e redistribuir cargas em território boliviano.
* Prestar serviços de logística para mercadorias em trânsito com origem em países vizinhos e com destino a eles.
* Reduzir o tempo e os custos nos processos de comércio exterior.
No entanto, até o momento, não lhe foi concedida plena capacidade operacional nem a promoção necessária, e tampouco foram estabelecidas regras claras para atrair investimento privado. Está operacional, mas carece do elemento mais importante: sua designação como Área Aduaneira Primária, condição legal essencial para que atenda plenamente à definição de porto.
Complementar ao porto seco, o desenvolvimento de Zonas de Atividade Logística será fundamental para promover a instalação de centros de armazenagem, distribuição, processamento leve e serviços aduaneiros, posicionando a Bolívia não apenas como rota de trânsito, mas como plataforma logística regional.
Isso permitiria a criação de uma verdadeira comunidade portuária, com benefícios diretos, indiretos e induzidos para a economia nacional.
Essa abordagem permitirá ao país:
* Gerar receita com serviços de logística e transporte internacional.
* Gerar empregos especializados em logística, transporte e comércio exterior.
* Atrair investimento privado em infraestrutura e serviços.
* Integrar regiões produtivas historicamente isoladas nos fluxos globais.
* Reduzir os custos logísticos de exportação e importação.
A implementação dessas iniciativas de forma concreta e decisiva permitirá que a Bolívia deixe de ser um país sem litoral e se torne um facilitador do comércio transoceânico.
A articulação eficaz entre corredores bioceânicos, portos secos e Zonas de Atividade Logística posicionará o país como um ator essencial na integração física da América do Sul, transformando sua geografia em uma vantagem competitiva para o comércio regional e global.
Fonte: Franklin Durán Ruiz – Visión 360

