Vander Loubet aponta infraestrutura e integração aduaneira como próximos desafios da Rota Bioceânica
Em entrevista ao Rota Bioceânica News, deputado federal destacou investimentos nas BRs 060, 262, 267 e 419 e afirmou que a integração dos sistemas de fiscalização de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile será fundamental para o funcionamento do corredor
A conclusão da Ponte da Bioceânica entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, representa um passo histórico para a consolidação do Corredor Bioceânico, mas ainda há desafios importantes de infraestrutura e integração internacional a serem enfrentados. A avaliação é do deputado federal Vander Loubet, durante entrevista concedida na sexta-feira (28) após o Café & Política MS.
Ao abordar as perspectivas para o corredor, Vander Loubet destacou principalmente a necessidade de preparar a malha rodoviária de Mato Grosso do Sul para o aumento da circulação de cargas. Entre as prioridades apontadas estão intervenções nas BRs 060, 262, 267 e 419.
“A conclusão da ponte bioceânica entre a minha querida Porto Murtinho e nossa vizinha paraguaia Carmelo Peralta, sem dúvida, é um passo histórico e importante rumo à consolidação da Rota Bioceânica. Porém, é fato que ainda temos vários desafios pela frente em busca dessa consolidação”, afirmou.
BR-060 e a ligação entre Campo Grande e Sidrolândia
Entre os projetos citados pelo parlamentar está a duplicação da BR-060 no trecho entre Campo Grande e Sidrolândia. Segundo Loubet, a intervenção será necessária especialmente diante do crescimento esperado no fluxo de caminhões.
O deputado afirmou que participou da articulação para garantir recursos destinados à elaboração do projeto técnico pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e defendeu o avanço da futura execução da obra.
Para Vander Loubet, o conjunto de projetos rodoviários será fundamental para que Mato Grosso do Sul consiga aproveitar a posição estratégica que ocupará com a consolidação da nova ligação internacional.
Duplicação da BR-262
Outra frente considerada estratégica é a BR-262. De acordo com as informações apresentadas pelo deputado durante a entrevista, o Governo Federal anunciou a duplicação de 105 quilômetros entre Terenos e Aquidauana, com previsão de licitação e início das obras no segundo semestre de 2027.
Vander Loubet defendeu ainda a necessidade de avançar posteriormente sobre outros trechos da rodovia, ampliando a capacidade da infraestrutura utilizada para o deslocamento de cargas em direção ao corredor.
BR-267 concentra investimentos em Porto Murtinho
A BR-267 também ocupa posição central na preparação da infraestrutura brasileira para a Rota Bioceânica. Conforme Loubet, foram garantidos pelo Novo PAC quase R$ 500 milhões para a construção do acesso entre a BR-267 e a Ponte da Bioceânica.
O parlamentar também citou outros R$ 240 milhões para a restauração completa do pavimento da BR-267 entre Alto Caracol e Porto Murtinho.
Apesar dos investimentos, ele considera que a rodovia ainda precisará receber novos aportes à medida que a operação do corredor avançar e ampliar o fluxo de veículos pesados na região.
BR-419 pode encurtar caminho da produção do norte de MS
Vander Loubet também chamou atenção para o papel da BR-419 na configuração logística do corredor. A rodovia é considerada estratégica por criar uma alternativa para o deslocamento da produção do norte de Mato Grosso do Sul em direção a Porto Murtinho.
Segundo o deputado, o trecho entre Rio Verde e Aquidauana/Anastácio está em processo de pavimentação com recursos federais e emendas de bancada articuladas desde 2015.
A conclusão dessa ligação poderá contribuir para reduzir distâncias e integrar novas regiões produtoras de Mato Grosso do Sul aos fluxos internacionais associados ao Corredor Bioceânico.
Integração precisa avançar além das rodovias
Para o parlamentar, entretanto, preparar estradas e concluir a ponte não será suficiente. A efetiva operação internacional do corredor dependerá também da harmonização de procedimentos entre os países.
Nesse ponto, Vander Loubet destacou as normativas do Mercosul e o Acordo de Transporte Internacional Terrestre como temas que exigirão articulação política e diplomática.
“O diálogo diplomático e o entendimento entre os países é o caminho para desenrolar isso”, afirmou.
Um dos principais desafios, segundo ele, será tornar mais eficientes e articulados os procedimentos de controle de cargas ao longo do percurso internacional.
“Nosso desafio será agilizar o processo de integração entre os sistemas de fiscalização do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile”, ressaltou.
A questão é estratégica para que os ganhos proporcionados pela infraestrutura física não sejam reduzidos por entraves burocráticos nas fronteiras. Com a conclusão da ponte e o avanço das obras rodoviárias, o debate sobre aduanas, fiscalização, transporte internacional e harmonização de procedimentos tende a ganhar ainda mais importância na agenda do Corredor Bioceânico.
Para Loubet, portanto, a próxima etapa da integração exige atuação em duas frentes simultâneas: preparar a infraestrutura brasileira para receber os novos fluxos logísticos e avançar nos entendimentos internacionais necessários para que cargas possam atravessar os quatro países com maior eficiência.

