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Opinião: Corredor Bioceânico Central Coquimbo-Porto Alegre

No início de junho deste ano, foi lançada em San Juan, Argentina, a associação civil DIPAN (Desarrollo e Integración Paso Agua Negra). Trata-se de uma organização social sem fins lucrativos que busca promover as relações bilaterais com o Chile, especialmente no que diz respeito a projetos estratégicos como o Túnel e Passagem de Agua Negra, que conectam a Região de Coquimbo à Província de San Juan e formam o Corredor Bioceânico Central Coquimbo-Porto Alegre. O objetivo é fortalecer o desenvolvimento e a integração entre a Província de San Juan e a Região de Coquimbo, promovendo a iniciativa do Túnel de Agua Negra e o intercâmbio global de diversos setores econômicos, incluindo o setor de mineração, entre os dois territórios.

Envolvendo três países. Partindo do Oceano Pacífico, no Chile, com o porto de Coquimbo, na Argentina, San Juan, com um porto seco e ponto de entrada para a República Argentina, atravessará províncias, passando pela região central da Argentina, por cidades como Santa Fé e Córdoba, cuja última unidade urbana é o segundo maior centro terciário, e o Brasil, no estado de Porto Alegre, conectando-se ao Oceano Atlântico.

Seu parceiro natural na Região de Coquimbo (Região IV) do Chile é a CORPAN (Corporação para o Desenvolvimento e Integração do Paso de Agua Negra da Região de Coquimbo). Essa corporação privada sem fins lucrativos apoia e administra o projeto do Túnel de Agua Negra há décadas, atuando a partir de uma sociedade civil fortalecida. Há vinte anos, a CORPAN concentra-se na integração por meio de corredores bioceânicos, visando fortalecer e consolidar o Chile e a Argentina como uma importante plataforma de serviços para intercâmbio comercial, de mineração, turístico, científico, cultural e educacional entre as duas nações.

O atual embaixador do Chile na Argentina, Gonzalo Uriarte, afirmou no programa “DEF” que os setores com maior potencial são energia, mineração e insumos para mineração, alimentos, agronegócio, economia do conhecimento, serviços profissionais, turismo e logística. É aí que devemos concentrar nossos esforços conjuntos. Há também uma oportunidade estratégica: combinar a capacidade produtiva argentina com a infraestrutura portuária e a rede de acordos comerciais do Chile para acessar conjuntamente os mercados da Ásia-Pacífico. O Chile está preparado para ser a porta de entrada dos produtos argentinos para o Pacífico, com os benefícios que isso traria para ambos os lados dos Andes. O Túnel de Água Negra mantém alto valor estratégico, pois conectaria a região chilena de Coquimbo com a província de San Juan e completaria um corredor entre o Atlântico e o Pacífico. No entanto, precisamos ser realistas: antes de iniciar a construção, é necessário atualizar os estudos técnicos, geológicos, ambientais, de demanda e de custos. O esquema de financiamento, aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em 2017, é um precedente, mas precisa ser revisado. Provavelmente será necessária uma combinação de financiamento público, financiamento multilateral e participação do setor privado em pontos de acesso, terminais e serviços logísticos. Enquanto isso, também devemos modernizar as passagens de fronteira existentes, tornando-as mais simples. Devemos observar as fronteiras europeias e seguir o seu exemplo.

Por outro lado, antes das declarações do Embaixador Uriarte, Carlos Ruiz (Diretor de Assuntos Internacionais da CORPAN na Região de Coquimbo) já havia comentado sobre o forte apelo do governo chileno por colaboração para a retomada das obras do projeto do Túnel de Água Negra, em discurso perante a Comissão de Economia do Senado, em La Serena. Sobre os postos de fronteira fechados este ano (2026), o Governador de Coquimbo, Cristóbal Julia, afirmou: “O Chile não pode depender de uma única passagem de fronteira importante com a Argentina.”

Em nome da DIPAN: Na primeira quinzena de junho deste ano, dois representantes, seu presidente, Alejandro Quinto Bravo Falcioni, e seu vice-presidente, Gustavo “Huevo” Muñoz Lorenzo, explicaram ao Senado argentino como o Túnel de Agua Negra beneficia San Juan e o país.

Mario Schiavone, cônsul honorário do Chile em San Juan, declarou este ano que o TAN (Túnel de Água Negra) “é uma aspiração que jamais será esquecida”, reacendendo a discussão em torno do andamento do projeto do túnel de Água Negra.

A sinergia entre a CORPAN e a DIPAN fará a diferença técnica, permitindo que ambas contribuam para as suas respectivas cidades e para toda a região.

O objetivo final:

Para garantir uma ligação durante todo o ano, foi concebido um projeto que prevê a criação de dois túneis paralelos, ambos com 14 quilômetros de extensão, um para cada sentido do tráfego: descendo da Argentina para o Chile e subindo do Chile para a Argentina.

A entrada do túnel argentino ficaria a uma altitude de 4085 metros acima do nível do mar, enquanto a entrada chilena estaria a 3620 metros. Além disso, o projeto inclui galerias para pedestres conectando os túneis para emergências ao longo de todo o percurso, e diversas vias de acesso. A alternativa mais conveniente, que é a atual, foi selecionada, a qual inclui um túnel de aproximadamente 14 quilômetros, com entradas na foz da Quebrada de San Lorenzo, na Argentina, e em Llano de las Liebres, no Chile.

O trecho restante do túnel existente, tanto na Argentina quanto no Chile, precisa ser pavimentado. Atualmente, devido a questões políticas, sociais, econômicas (orçamentárias) e climáticas em ambos os países, isso pode sofrer novos atrasos por conta de problemas administrativos. O custo do túnel, a preços atuais, é de aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Idealmente, deveria ser uma concessão, permitindo que uma empresa privada assumisse o projeto, com as partes relevantes de ambos os países trabalhando para agilizar o processo e encontrar essa empresa. É importante lembrar que o laboratório “TAN-Andes”, chamado ANDES (Agua Negra Deep Experiment Site), será construído em seu interior como um benefício adicional. Este laboratório, localizado a 1.750 metros abaixo da rocha da montanha, seria o terceiro mais profundo do mundo e o primeiro do seu tipo no Hemisfério Sul. Sua gestão ficará a cargo de uma organização internacional latino-americana chamada “Consórcio Latino-Americano para Experimentos Subterrâneos” (CLES). Esse tipo de laboratório subterrâneo, devido à sua grande profundidade, permite a realização de experimentos altamente sensíveis, protegidos sob a rocha do bombardeio constante de raios cósmicos que atingem a superfície da Terra.

Considerado o projeto de engenharia mais ambicioso da América Latina, o Túnel Água Negra visa transformar a conectividade binacional. Com 14 quilômetros de extensão e mais de 4.000 metros acima do nível do mar, o projeto garantirá tráfego contínuo entre San Juan e Coquimbo, eliminando os fechamentos de estradas no inverno. Este projeto rodoviário é um dos mais atrasados ​​da Argentina e foi paralisado durante a presidência de Mauricio Macri. Que megaprojeto é esse que pretende unir dois países em meio a um paraíso montanhoso?

O Paso de Agua Negra já existe, mas sua operação é limitada: trata-se de uma estrada de montanha que só fica aberta durante os meses de verão devido às condições climáticas adversas. Isso cria um obstáculo ao fluxo constante de mercadorias e pessoas. O túnel proposto resolveria essa limitação, permitindo o trânsito seguro durante todo o ano e com maior capacidade de carga. Além disso, sua localização geográfica estratégica reduziria significativamente as distâncias de transporte até os portos chilenos, especialmente Coquimbo, que tem projeção de se tornar um importante polo logístico.

O Túnel de Água Negra abre uma rota direta para o Oceano Pacífico, proporcionando às províncias do centro e noroeste da Argentina um acesso mais rápido aos mercados asiáticos. Isso não só reduziria os custos logísticos, como também impulsionaria as exportações de produtos agrícolas, de mineração e energéticos. A localização de San Juan como ponto de partida a torna um polo estratégico para o desenvolvimento econômico da região de Cuyo e do norte da Argentina.

O túnel fomentaria o turismo e a integração cultural. O fluxo de visitantes entre o Chile e a Argentina seria fortalecido, gerando um impacto positivo nos setores hoteleiro, de restaurantes e de serviços. O corredor também impulsionaria a cooperação acadêmica e científica, visto que ambas as regiões compartilham projetos nas áreas de astronomia e energias renováveis. Todos se beneficiariam com este megaprojeto através da Cordilheira dos Andes.

Fonte: El Diário El Zonda San Juan

Fernando A. Ocampo Bravo – Analista Internacional

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