Em visita de ministros, Fiems cobra revisão do pedágio eletrônico e menos burocracia para impulsionar competitividade em MS
A redução dos custos logísticos, a modernização da aduana brasileira e a segurança jurídica para novos investimentos dominaram o debate entre empresários e representantes do governo federal durante o Encontro Empresarial – Reforma Tributária e o Futuro da Economia, realizado na quinta-feira (30), na Casa da Indústria, em Campo Grande.
Antes do evento, os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e dos Transportes, George Santoro, participaram de uma coletiva de imprensa promovida pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).
Na abertura, o presidente da Fiems afirmou que o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul depende da redução dos chamados “custos Brasil”, principalmente aqueles ligados ao transporte de cargas e à infraestrutura.

“Se Mato Grosso do Sul vai bem, a indústria nacional também vai bem. Precisamos de alinhamentos estratégicos para continuar crescendo e enfrentar a competitividade mundial. Não adianta apenas apontar problemas, precisamos construir soluções em conjunto”, afirmou o presidente da Fiems, Sérgio Longen.
Entre as principais reivindicações do setor está a revisão do modelo de pedágio eletrônico. Segundo a entidade, além da tarifa cobrada nas rodovias, as transportadoras precisam contratar empresas intermediadoras para efetuar os pagamentos, o que aumenta o custo do frete.
“Hoje pagamos o pedágio para uma empresa privada que cobra taxas adicionais. Esse custo é transferido diretamente para o frete e chega ao consumidor. O impacto é nacional e compromete a competitividade das empresas brasileiras”, destacou Longen.
Outra preocupação apresentada foi a Rota Bioceânica, considerada estratégica para ampliar as exportações brasileiras por meio dos portos do Chile. Para os empresários, além da conclusão das obras, será necessário reduzir a burocracia nas operações de fronteira.
“Nossa esperança não é apenas a entrega da ponte. Precisamos que a aduana brasileira funcione de forma eficiente. Não podemos permitir que essa rota esbarre na burocracia brasileira, que é reconhecida por todos como um dos principais entraves ao desenvolvimento”, afirmou.
A Fiems também voltou a defender maior segurança jurídica para garantir previsibilidade aos investimentos, especialmente em relação aos incentivos fiscais e às disputas tributárias.
Governo promete diálogo e investimentos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Mato Grosso do Sul ocupa posição estratégica na economia nacional e defendeu a aproximação entre o governo federal e o setor produtivo.
“É importante estar próximo dos empresários para entender as dificuldades enfrentadas no dia a dia. Nosso compromisso é aumentar os investimentos, preservar os empregos e construir soluções em parceria com os estados”, disse.
Em conversa com a imprensa, Durigan também classificou a reforma tributária como uma medida necessária para simplificar o sistema de impostos e melhorar o ambiente de negócios em todo o país.
“Não podemos ter medo de construir um sistema tributário melhor. O modelo atual é burocrático, difícil e precisa ser simplificado para melhorar o ambiente de negócios”, afirmou.
Sobre o momento econômico do Brasil, o ministro também citou o elevado custo do crédito como um dos principais obstáculos ao crescimento da economia.
“Precisamos avançar na discussão sobre a taxa de juros. Esse é um tema que preocupa empresários, agricultores, trabalhadores e também o governo. É um desafio importante para aumentar os investimentos e estimular o crescimento econômico”, declarou.
Infraestrutura e BR-163

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que os investimentos federais em infraestrutura em Mato Grosso do Sul aumentaram nos últimos anos, passando de cerca de R$ 250 milhões para aproximadamente R$ 800 milhões por ano.
Segundo ele, aproximadamente 85% das rodovias federais do Estado estão classificadas como boas ou ótimas, percentual superior ao registrado em anos anteriores.
Um dos principais corredores rodoviários do estado também foi foco do ministro, a BR-163. Sobre o reajuste da tarifa de mais de 40% autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ministro explicou que aumento escalonado da tarifa foi necessário para garantir o equilíbrio da concessão e viabilizar as obras.
Em relação à Rota Bioceânica, o ministro informou que os acessos brasileiros à ponte internacional seguem em execução e que a expectativa é concluir as obras até o primeiro trimestre de 2027, acompanhando o cronograma do lado paraguaio.
“Estamos montando uma força-tarefa para acelerar os trabalhos e fazer com que a infraestrutura brasileira esteja pronta junto com a conclusão da ponte, permitindo que o corredor bioceânico entre em operação o mais rapidamente possível”, afirmou.
Fonte: RCN 67

