Vereadora Lidia Huayhua expressa insatisfação com exclusão da Bolívia do Corredor Bioceânico
O avanço do Corredor Bioceânico tem gerado expectativas em diversos países da América do Sul, mas também frustrações. Durante sua participação no Seminário Internacional da Rota Biocêanica e o 6º foro de Los Gobiernos Subnacionales del Corredor Bioceánico, evento realizado em Campo Grande, entre os dias 18, 19 e 20 de fevereiro, a concejal (vereadora) Lidia Huayhua, da cidade de Porco, Bolívia, demonstrou insatisfação com a ausência da bandeira boliviana nas discussões oficiais do projeto.
“Nos estranha muito que a rota não passe pelo nosso país, já que o governo nacional já implementou e orçou recursos para infraestrutura, como a Hito-60 e os trechos que faltam para asfaltar. Mesmo assim, a Bolívia não está no mapa oficial da rota, e isso me causa desconforto”, afirmou Huayhua.
A parlamentar boliviana destacou que, historicamente, o traçado inicial da rota, projetado há 60 anos pelo chileno Jorge Soria, incluía a Bolívia no trajeto. No entanto, a decisão do ex-presidente Evo Morales de retirar o país do acordo fez com que o corredor oficial seguisse por outros caminhos.
“O antigo traçado saia de Iquique, no Chile, passava por Oruro, Santa Cruz e Corumbá, no Brasil. Mas Evo Morales retirou a Bolívia desse trajeto. Assim, o novo caminho foi redesenhado passando por Porto Murtinho, no Brasil, e avançando por Carmelo Peralta, Pozo Hondo e Noa, excluindo a Bolívia do tratado formal”, explicou.
A participação da Bolívia no contexto da Rota Bioceânica
Apesar de a Bolívia não estar oficialmente incluída no corredor estabelecido pela Carta de Assunção de 2015 e pela Carta de Brasília de 2017, a vereadora acredita que o país ainda pode encontrar formas de se integrar ao projeto. “Nós estamos trabalhando para nos inserir, mesmo que não façamos parte do tratado assinado pelos países participantes. O impacto pode ser gerado de outras formas, por meio de rotas alternativas e da exploração de outros setores, como o turismo e o comércio”, destacou.
Huayhua também lamentou a falta de informações sobre o potencial impacto da Rota Bioceânica em seu município específico, Porco, localizado no Departamento de Potosí. “Se o tráfego passasse por Oruro, vindo do sudoeste do Chile, haveria um impacto direto na nossa economia. Mas como a Bolívia não está oficialmente no corredor, acreditamos que os efeitos serão mínimos”, avaliou.
No entanto, especialistas apontam que a Bolívia pode se beneficiar indiretamente do projeto, utilizando conexões logísticas e buscando alternativas de integração. Ainda assim, a ausência do país no traçado oficial do corredor bioceânico continua sendo motivo de questionamentos e insatisfação entre lideranças políticas locais.
Com isso, a vereadora Lidia Huayhua reforçou o compromisso de seguir buscando alternativas para garantir que a Bolívia tenha uma participação mais ativa no cenário da integração sul-americana.