Um corredor rodoferroviário é proposto para impulsionar o Corredor Bioceânico de Capricórnio
Uma rodovia de mão dupla combinando rodovias e ferrovias é a proposta do engenheiro José Sesma para impulsionar o Corredor Bioceânico de Capricórnio , uma rede que busca conectar o Atlântico brasileiro ao Pacífico chileno. Segundo o especialista, um único corredor rodoviário é insuficiente para garantir o desenvolvimento integral do Cone Sul, razão pela qual ele propõe incorporar uma malha ferroviária através do norte da Argentina. A proposta consta em seu livro “A Integração da América” e será apresentada na Universidade Nacional de Itapúa (UNI).
Sesma descreve os corredores duplos como o “Panamá terrestre” do século XXI, capaz de reduzir os custos logísticos em até 45% no transporte de matérias-primas e produtos do Brasil para a China. Ele cita dados do Ministério do Planejamento do Brasil que apontam para uma economia de 10.000 quilômetros por viagem e até quatro semanas a menos de tempo no mar. Além dos benefícios econômicos, a proposta destaca um impacto ambiental positivo, já que cada tonelada de transporte transferida do rodoviário para o ferroviário implicaria uma redução de 85% nas emissões de CO₂ .

Política de Estado e um desafio regional
Para a Sesma, o verdadeiro desafio está na adoção do projeto como política de Estado pelos países da região, superando a fragmentação histórica e articulando as malhas rodoviária, hidroviária e ferroviária na Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru e Uruguai. A especialista defende que “a infraestrutura precede o desenvolvimento” e que o desafio é transformar esses corredores em motores de cadeias produtivas com rigorosas normas ambientais e participação local.
Escrito por DataPortuaria – Argentina

