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TIR é condição essencial para competitividade da Rota Bioceânica, afirma presidente do SETLOG/MS

A consolidação da Rota Bioceânica como corredor logístico internacional competitivo depende diretamente da implementação plena do regime TIR (Transporte Internacional Rodoviário) entre os países que compõem o traçado. A avaliação é do empresário Cláudio Cavol, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Mato Grosso do Sul – SETLOG/MS, em entrevista ao Rota Bioceânica News, acompanhado do assessor, Dorival Oliveira.

Segundo Cavol, sem a adesão efetiva dos quatro países, Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ao tratado internacional, o corredor não funcionará em sua plenitude.

“Sem nós termos esse acordo internacional funcionando totalmente, e que todos os países venham a aderir, o Paraguai ainda não aderiu, nós não teremos a rota funcionando em sua plenitude. Não dá para um caminhão sair e parar em cada fronteira e perder dois, três, quatro, até dez dias, como acontece hoje”, afirmou, citando como exemplo a realidade na fronteira com o Paraguai, em Ponta Porã.

Voucher internacional e menos burocracia

O TIR prevê um sistema semelhante a um “voucher internacional”, no qual o caminhão é liberado pela Receita no país de origem e só passa por nova vistoria no destino final. O modelo já é amplamente utilizado em blocos econômicos como a União Europeia.

“Isso é um avanço muito grande. Está na hora do Brasil aderir a essa modernidade para desenvolver. Tomara que a nossa região seja agraciada com esse novo método”, destacou Cavol.

Para ele, a implantação do regime não é apenas importante mas decisiva.

“Não é fundamental, é extremamente necessário. Sem isso, não vai funcionar esse corredor. Não há rentabilidade econômica se um caminhão ficar cinco, seis, sete dias parado em cada alfândega.”

Competitividade em risco

Atualmente, o trajeto rodoviário entre Mato Grosso do Sul e o Chile soma cerca de 2.500 quilômetros. Em condições ideais e com aduanas modernas, o percurso poderia ser realizado em cinco ou seis dias. Sem integração alfandegária eficiente, o tempo pode ultrapassar duas semanas.

“Se demorar 15 dias, é mais do que o tempo que o navio leva do Chile até a Ásia. Não tem como funcionar. Vai ser mais uma estrada com pouquíssima atividade econômica”, alertou o presidente do sindicato.

Para o setor produtivo, a demora compromete diretamente a competitividade. “O importador, o exportador, a indústria que contrata o frete não terá condições de arcar com tanto tempo parado”, reforçou.

Atualização legislativa é urgente

Além do TIR, Cavol e Dorival Oliveira defendem a atualização das legislações que hoje regem o transporte rodoviário internacional na América do Sul, baseadas no Acordo sobre Transporte Internacional Terrestre (ATIT) e nas normas do Mercosul.

“O que existe hoje é o Tratado de ATIT e o Mercosul. Isso virou lei nos países, mas é muito antigo e ultrapassado. Precisamos criar uma rotina igual em todos os países”, explicou Oliveira.

Segundo ele, a falta de uniformização obriga empresas e transportadores a interpretar legislações distintas em cada fronteira, mesmo quando a carga não tem como destino aquele país.

“Não faz sentido a carga ficar sendo objeto de burocracia se não é destinada àquele território. Precisamos de legislação moderna, como existe na Europa ou na integração entre Estados Unidos, Canadá e México.”

De acordo com o setor, a expectativa é que a Rota Bioceânica proporcione economia de até 14 a 21 dias em relação às rotas marítimas atuais. Sem a modernização do transporte rodoviário, esse ganho pode ser perdido na burocracia alfandegária.

Fórum debate modernização

Nesta quinta-feira (05), o fórum voltado ao TIR discutirá a modernização do sistema. O SETLOG/MS participará do evento como convidado.

“É um evento muito importante para divulgar esse novo sistema e esperamos que isso convença nossas autoridades a implantá-lo rapidamente”, disse Cavol.

Oliveira acrescentou que o TIR representa uma iniciativa já estruturada pela própria iniciativa privada. “As empresas de transporte buscaram a solução. Agora falta a parte governamental, que é prover as legislações necessárias.”

O evento contará com a presença do senador Nelson Trad Filho (PSD), apontado por Cavol como parceiro estratégico na pauta da integração regional.

“O senador Nelsinho Trad é um grande parceiro do SETLOG no desenvolvimento de toda essa ideia da Rota Bioceânica. Sempre que ele precisar de dados ou informações técnicas, estamos à disposição”, concluiu.

Para o setor de transporte e logística de Mato Grosso do Sul, a equação é clara: infraestrutura física sem integração regulatória não garante competitividade. A efetivação do TIR e a harmonização legislativa são vistas como a chave para transformar a Rota Bioceânica em um corredor logístico eficiente e economicamente viável para toda a América do Sul.

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