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Segurança e visão regional: RESTS aposta em gestão de risco para novo cenário logístico da América Latina

Em um momento em que a Rota Bioceânica volta ao centro das discussões sobre integração regional, a logística sul-americana atravessa uma fase de transformação. Mais conexões entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile significam maior fluxo de cargas rumo ao Pacífico e, junto com as oportunidades, surgem também novos desafios em segurança e gestão de risco.

É nesse contexto que a RESTS Group projeta sua atuação regional. Em entrevista, o fundador e CEO da empresa, Simón Vásquez, detalha a estratégia de expansão e o papel da tecnologia na proteção das cadeias logísticas.

Da experiência em sinistros à criação da RESTS

A trajetória profissional de Vásquez começou no setor segurador, acompanhando sinistros relacionados ao transporte de cargas, roubos, acidentes e perdas significativas de produtos sensíveis, como salmão e eletrônicos.

“Durante anos vi perdas importantes. Com o tempo percebi que muitas delas não eram inevitáveis. Havia tecnologia instalada, mas nem sempre existia uma gestão real por trás”, relata.

Uma experiência no Brasil foi decisiva. Segundo ele, o contato com modelos mais estruturados de gerenciamento de risco, com visão integrada entre tecnologia, operação e análise de dados, evidenciou uma lacuna no mercado chileno. Ao retornar, decidiu criar a RESTS com o objetivo de profissionalizar e adaptar esse serviço à realidade regional.

Informação transformada em decisão

Para o executivo, o diferencial da empresa não está apenas na tecnologia embarcada, mas na capacidade de transformar dados em decisões operacionais.

“Na América Latina há bastante tecnologia, mas ainda falta integrar melhor as informações à operação diária. Nosso foco sempre foi converter dados em decisões”, afirma.

Atualmente, a RESTS opera com monitoramento preventivo 24 horas por dia, combinando análise de eventos, priorização de alertas críticos e protocolos claros de atuação. Mais recentemente, incorporou ferramentas de inteligência artificial para organizar e categorizar alertas complexos em períodos específicos.

“Não se trata de substituir pessoas, mas de dar melhores ferramentas para que o operador foque no que realmente importa”, explica.

Expansão regional e o impacto da Rota Bioceânica

A empresa atua hoje no Chile, Brasil, Paraguai, Peru e Argentina, fortalecendo parcerias com seguradoras, corretores e operadores logísticos.

Para Vásquez, o Corredor Bioceânico representa mais que infraestrutura rodoviária. “É uma mudança na dinâmica comercial da região. Mais conexão significa mais fluxo de carga, novas rotas e também maior exposição ao risco.”

Com o aumento previsto no tráfego internacional, especialmente entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos chilenos, cresce a necessidade de padronização de protocolos e integração de sistemas de segurança.

“Se a região está se integrando fisicamente, também precisa se integrar em padrões operacionais”, destaca.

Antecipação como palavra-chave

Desde sua criação, a RESTS evoluiu do monitoramento operacional e inspeções em campo para três frentes principais: monitoramento preventivo 24/7, inspeções de risco e análise de dados aplicada à logística e ao setor segurador.

A aposta agora está no desenvolvimento de dashboards (painel de controle) e análises por rota, tipo de carga e comportamento histórico.

“O futuro da gestão de risco passa por antecipar. Quando você interpreta corretamente os dados, consegue tomar decisões antes que o evento ocorra”, afirma.

No contexto da Rota Bioceânica, essa capacidade de análise torna-se estratégica. O corredor atravessa regiões extensas, algumas com baixa densidade populacional e infraestrutura limitada, o que exige protocolos consistentes e monitoramento contínuo.

Tecnologia com critério humano

Vásquez enfatiza que a inteligência artificial é uma aliada, mas não substitui o julgamento profissional.

“A tecnologia está mudando a forma de gerir risco. Antes se reagia ao evento; hoje podemos detectar padrões e antecipar cenários. Mas a tecnologia sozinha não resolve nada. Precisa de critério humano, experiência e protocolos claros.”

A combinação entre ferramentas digitais e expertise operacional, segundo ele, é o que gera valor real para transportadoras, seguradoras e embarcadores.

Crescimento com profissionalismo

Entre os próximos passos, a RESTS busca consolidar sua presença regional, fortalecer alianças estratégicas e aprofundar a área de análise de dados, com foco na interpretação estratégica de informações operacionais.

“O crescimento do comércio regional é uma oportunidade concreta, mas exige profissionalismo e colaboração entre atores públicos e privados”, pontua.

Ao avaliar o futuro da logística latino-americana, Vásquez vê potencial de fortalecimento do comércio intrarregional, desde que acompanhado de padrões mais elevados de segurança, rastreabilidade e gestão.

“A logística já não é apenas mover carga de um ponto a outro. É gerir informação, antecipar riscos e gerar confiança. Se conseguirmos isso, o desenvolvimento da Rota Bioceânica pode se transformar em um verdadeiro motor de crescimento para a região.”

No novo cenário de integração continental, segurança e visão estratégica passam a ocupar papel central, não apenas como requisito operacional, mas como diferencial competitivo para a América Latina.

Entrevista em espanhol para o Rota Bioceânica News: Seguridad y visión regional: la apuesta de RESTS en el nuevo escenario logístico de Latinoamérica

Entrevista a Simón Vásquez, fundador y CEO de RESTS Group

En un momento en que el Corredor Bioceánico vuelve a estar en el centro de la conversación regional, la logística en Sudamérica vive una etapa de transformación. Más movimiento implica más oportunidades, pero también mayores riesgos. En ese contexto conversamos con Simón Vásquez, fundador de RESTS Group, empresa especializada en gerenciamiento de riesgo y monitoreo 24/7 con presencia en distintos mercados de Latinoamérica.

Simón, ¿cómo parte tu camino profesional y en qué momento decides crear RESTS?

Mi historia profesional parte en el mundo asegurador. Durante varios años trabajé viendo siniestros vinculados al transporte de carga: robos, accidentes, pérdidas importantes en productos sensibles como salmón o electrónicos.

Con el tiempo me di cuenta de algo que me marcó mucho: muchas de esas pérdidas no eran inevitables. Había tecnología instalada, sí, pero no siempre había una gestión real detrás.

Viajar a Brasil fue clave. Allá vi modelos más desarrollados de gerenciamiento de riesgo, con una mirada más integral. Cuando volví a Chile sentí que había espacio para profesionalizar ese servicio y adaptarlo a nuestra realidad. Así nació RESTS.

¿Qué diferencia a RESTS dentro del mercado regional?

Creo que la diferencia principal está en cómo entendemos el riesgo. No se trata solo de tener GPS o sensores, sino de qué haces con esa información.

En Latinoamérica hay bastante tecnología, pero todavía falta integrar mejor los datos con la operación diaria. Nuestro foco ha sido siempre ese: convertir información en decisiones.

Hoy operamos con monitoreo 24/7, pero con un enfoque que combina análisis de eventos, priorización de alertas críticas y protocolos claros. Más recientemente hemos incorporado herramientas de inteligencia artificial que ayudan a ordenar y categorizar alertas complejas dentro de ciertos periodos de tiempo. Eso permite que el operador se concentre en lo realmente relevante.

No es reemplazar personas, es darles mejores herramientas.

¿Cómo ha evolucionado la empresa desde sus inicios?

Al principio estábamos muy enfocados en el monitoreo operativo y las inspecciones en terreno. Con los años fuimos ampliando la mirada.

Hoy trabajamos tres grandes líneas: monitoreo preventivo 24/7, inspecciones de riesgo y análisis de datos aplicado tanto a logística como al mundo asegurador.

Cada vez es más evidente que el futuro de la gestión de riesgo pasa por anticiparse. Estamos desarrollando dashboards, análisis por ruta, por tipo de carga, por comportamiento histórico. Esa información, bien leída, permite tomar mejores decisiones antes de que ocurra un evento.

¿Qué rol juega el Corredor Bioceánico en esta visión regional?

El Corredor Bioceánico no es solo infraestructura. Es un cambio en la dinámica comercial de la región.

Más conexión entre Brasil, Paraguay, Argentina y Chile significa más flujo de carga, nuevas rutas y nuevos desafíos. Y cuando aumenta el movimiento, también aumenta la exposición al riesgo.

Nuestra visión ha sido acompañar esa expansión con estándares consistentes en distintos países. Hoy estamos trabajando en Chile, Brasil, Paraguay, Perú y Argentina, fortaleciendo alianzas con aseguradoras, corredores y operadores logísticos.

Si la región se integra físicamente, también necesita integrarse en protocolos y estándares operativos.

¿Cómo está impactando la tecnología en este proceso?

La tecnología está cambiando la forma en que se gestiona el riesgo. Antes se reaccionaba cuando el evento ya había ocurrido. Hoy tenemos más herramientas para detectar patrones y anticipar escenarios.

La inteligencia artificial, por ejemplo, nos permite identificar combinaciones de alertas que antes podían pasar desapercibidas. Pero siempre insisto en algo: la tecnología sola no resuelve nada. Necesita criterio humano, experiencia y protocolos claros.

La combinación de ambos es lo que realmente genera valor.

¿Cuáles son los próximos pasos de RESTS en Latinoamérica?

Estamos enfocados en consolidar nuestra presencia regional, fortaleciendo alianzas estratégicas en distintos países y articulando soluciones tecnológicas junto a nuestros partners, orientadas tanto a la prevención de riesgos como a una reacción más eficiente en la búsqueda y recuperación de carga.

También estamos profundizando nuestra área de análisis de datos, porque creemos que en los próximos años la diferenciación vendrá por la capacidad de interpretar información operativa de forma estratégica.

El crecimiento del comercio regional es una oportunidad, pero exige profesionalismo y colaboración entre actores públicos y privados.

Para cerrar, ¿cómo ves el futuro del comercio en LATAM?

Creo que Latinoamérica tiene una oportunidad concreta de fortalecer su comercio intrarregional. Pero ese crecimiento debe ir acompañado de estándares más altos en seguridad, trazabilidad y gestión.

La logística ya no es solo mover carga de un punto a otro. Es gestionar información, anticipar riesgos y generar confianza.

Si logramos eso, el desarrollo del Corredor Bioceánico y la integración regional pueden transformarse en un verdadero motor de crecimiento para la región.

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