Rotas comerciais e conectividade digital estão remodelando a logística regional
O Chile está entrando em uma fase na qual suas rotas comerciais — tanto na logística física quanto na transmissão de dados — estão passando por uma profunda reconfiguração, visando fortalecer sua posição global. Essa transformação combina projetos estratégicos que integram portos, corredores internacionais e plataformas digitais, com o objetivo de otimizar o fluxo de cargas e informações.
“Considero o Corredor Bioceânico de Capricórnio uma das iniciativas mais relevantes”, afirma Francisco Javier Cuadra Zamorano, assessor de Comércio Exterior e Desenvolvimento de Negócios da Agência Aduaneira Patricio Zulueta (AAPZ).
Corredores terrestres e conectividade transpacífica
Na visão de Cuadra Zamorano, o Corredor Bioceânico de Capricórnio é uma conexão fundamental entre o Brasil, o Paraguai, a Argentina e os portos do norte do Chile. Essa ligação permitirá um acesso mais eficiente a Antofagasta, Mejillones e Iquique, oferecendo vantagens em relação às rotas atlânticas tradicionais.
“Isso reduzirá o tempo de trânsito em vários dias em comparação com a rota atlântica”, observa ele. Ele também enfatiza que esse corredor transformará o fluxo de mercadorias na região, oferecendo alternativas logísticas mais competitivas para diversos tipos de carga relacionados à atividade de exportação, como grãos, minerais, produtos industriais e cargas de projetos.
Isso é ainda mais reforçado pela conectividade digital transpacífica através do cabo Humboldt, que ligará o Chile à Oceania e à Ásia, facilitando a transmissão de dados para atividades financeiras, tecnológicas e de comércio eletrônico. “Este projeto posicionará o Chile como um polo digital no Pacífico Sul, reduzindo a latência de dados e abrindo rotas invisíveis para serviços fintech, tecnologia de mineração e comércio eletrônico internacional”, explica ele.
Modernização portuária e diversificação comercial
A modernização dos portos — incluindo o Porto Exterior de San Antonio —, a implementação do transporte marítimo de curta distância e o desenvolvimento de Sistemas de Comunidade Portuária surgem como mecanismos para aumentar a rastreabilidade e a eficiência na gestão logística.
Enquanto isso, Cuadra Zamorano afirma que o Chile está implementando uma estratégia de diversificação comercial baseada em tecnologia, acordos modernos e logística inteligente. Ele destaca avanços como a Janela Única para o Comércio Exterior (SICEX) e a interoperabilidade do programa Operador Econômico Autorizado (OEA/AMR), que melhoraram os tempos e custos operacionais. “Isso nos permitiu reduzir o tempo e os custos nos procedimentos aduaneiros, contribuindo para maior transparência e competitividade”, acrescenta.
Valoriza-se também que acordos de nova geração, como o DEPA e o CEPA com a Índia, integrem o comércio digital, a sustentabilidade e os serviços tecnológicos, fortalecendo um quadro comercial mais atualizado.

Integração regional e infraestrutura prioritária
O Chile tem demonstrado sua capacidade de coordenação em diversos blocos. Com o Mercosul, como membro associado, está avançando na modernização das regras de origem e na facilitação do comércio, especialmente para as PMEs exportadoras. Na Aliança do Pacífico, tem promovido a consolidação das regras de origem e a convergência com a ASEAN, enquanto na APEC mantém um papel ativo na facilitação, digitalização e sustentabilidade logística.
Em relação à infraestrutura, Cuadra Zamorano destaca o papel do Porto Exterior de San Antonio na duplicação da capacidade de movimentação de contêineres, bem como a modernização de Antofagasta, Mejillones e Iquique. No que diz respeito ao transporte terrestre, ele enfatiza a importância dos Pasos de Sico e Jama e das vias de acesso logístico interior para o fortalecimento da multimodalidade.
Oportunidades e riscos nos mercados emergentes
Por fim, o relatório identifica oportunidades na Índia, no Vietnã, na Indonésia e na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), com crescente demanda por alimentos, vinhos, lítio, cobre e serviços digitais. Contudo, alerta para riscos como a volatilidade regulatória, barreiras sanitárias e ameaças cibernéticas nas cadeias de suprimentos digitais — aspectos que, segundo o relatório, devem ser gerenciados por meio da diplomacia comercial, acordos modernos e altos padrões de segurança.
Fonte: Logística 360

