Rota Bioceânica se aproxima da reta final e setor privado já se organiza
projeto da Rota Bioceânica, idealizado há mais de 40 anos, nunca esteve tão próximo de se tornar realidade. Durante o Seminário Internacional da Rota Bioceânica e o 6º Foro de los Gobiernos Subnacionais del Corredor Bioceânico, que acontecem entre os dias 18 e 20 de fevereiro, em Campo Grande, empresários e representantes políticos dos quatro países discutiram os últimos ajustes para o funcionamento do corredor.
A reunião desta quarta-feira (19) na Casa da Indústria, sede da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), marcou um ponto de virada para o projeto. O encontro contou com a presença do governador Eduardo Riedel, prefeitos e embaixadores do Chile, Paraguai e Argentina. O setor produtivo, representado por lideranças empresariais, reforçou a necessidade de um planejamento detalhado para o fluxo de mercadorias assim que a infraestrutura estiver concluída.
O presidente da Fiems, Sérgio Longen.
Do papel para a realidade – A ponte sobre o Rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), já está em construção e simboliza o avanço concreto da Rota Bioceânica. A partir dela, estradas no Paraguai, Argentina e Chile abrirão caminho para que produtos do Centro-Oeste brasileiro cheguem aos portos do Oceano Pacífico, reduzindo custos e encurtando prazos para exportação.
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, enfatizou que este é o momento de estruturar o funcionamento da rota. “Estamos reunidos com o mesmo propósito: ver a rota funcionando. Já identificamos os principais gargalos e agora precisamos garantir que, quando a infraestrutura estiver pronta, o comércio e a logística estejam operando plenamente”, afirmou.
O governador Eduardo Riedel destacou a importância da parceria entre os setores público e privado. “Temos aqui governadores, prefeitos e empresários de quatro países discutindo um projeto que vai transformar o comércio na América do Sul. É uma demonstração clara de que estamos avançando de forma consistente”, afirmou.
A nova geopolítica do comércio sul-americano – A rota não apenas reduzirá distâncias e custos, mas também criará novas oportunidades de negócios entre os países envolvidos. Para Daniela Benjamin, diretora do departamento de Integração Regional do Brasil, a iniciativa não se trata apenas de logística, mas de integração econômica. “O setor privado é indispensável. Mais do que um canal de exportação, esse corredor permitirá a criação de cadeias produtivas regionais”, disse.
O embaixador do Chile no Brasil, Sebastián Depolo, lembrou que, ao longo de quatro décadas, o projeto passou por diversas mudanças e agora está próximo da execução. “Nossa missão foi criar as condições políticas para que o setor produtivo operasse. Estarmos hoje aqui, na Casa da Indústria, mostra que as empresas já estão se preparando para essa nova realidade”, destacou.
O Paraguai, que terá um papel central no corredor, também celebrou o avanço. O embaixador Juan Angelo Delgadillo ressaltou que a Rota Bioceânica mudará a forma como os países da região se relacionam economicamente. “As divisas não nos separam, elas nos unem. O Brasil e o Paraguai já estão construindo uma ponte que será a espinha dorsal dessa integração”, afirmou.
Infraestrutura e desafios finais – Com a previsão de funcionamento da rota nos próximos dois anos, ainda há desafios a serem resolvidos. O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, pontuou que, além das obras físicas, é necessário avançar em acordos regulatórios e tecnológicos. “Estamos falando de um corredor internacional, que envolve legislação alfandegária, segurança e investimentos. É essencial que tudo isso esteja alinhado até a inauguração”, disse.
A expectativa é que, até 2026, o corredor esteja totalmente funcional, conectando os produtores brasileiros aos mercados asiáticos com um trajeto até 17 dias mais curto em relação às rotas tradicionais via Atlântico. Com o setor privado já de olho nas oportunidades, a Rota Bioceânica promete transformar a logística e o comércio na América do Sul.
Fonte: A Crítica