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Rota Bioceânica precisa de trem por limitações ao tráfego de caminhões 

A Rota Bioceânica, que conecta o Brasil à Ásia, através de portos chilenos e peruanos, enfrenta desafios logísticos devido às condições dos Andes, limitando o transporte de certos produtos por rodovia.

Caminhões com carga média de 35 toneladas poderão transitar, mas bitrens e commodities como grãos são inviáveis devido às subidas e curvas. Isso demanda a ligação por ferrovias, como se projeta no Brasil.

Portos chilenos – Antofagasta, Mejillones, Iquique e Arica – não possuem terminais de armazenamento para grãos. Produtos como carnes e suco de laranja, com potencial de exportação para a China, são viáveis.

SEMINÁRIO INTERNACIONAL

A cidade de Campo Grande (MS) sedia desde terça-feira (18) até esta quinta-feira (20), o Seminário Internacional da Rota Bioceânica e o 6º Foro de los Gobiernos Subnacionales del Corredor Bioceânico.

O evento reune autoridades dos governos brasileiro, paraguaio, argentino e chileno; dos municípios e governos regionais que são abrangidos pelo Corredor Bioceânico, assim como empresários e demais interessados da sociedade civil.

O Corredor promete transformar a logística global, trazendo uma série de benefícios econômicos e operacionais para os países envolvidos.

De acordo com publicacão da Prefeitura de Campo Grande, sua implementação proporcionará redução de custos e tempo de transporte, diminuindo custos logísticos e aumentará a competitividade do comércio internacional.

Também haverá estímulo à circulação de cargas e passageiros – escoamento da produção e movimentação de pessoas, beneficiando setores como comércio, serviços, turismo e agroindústria.

O corredor passa por Porto Murtinho em direção ao Paraguai, atravessando ainda Argentina até chegar ao litoral do Chile, estabelecendo um caminho mais curto ao Pacífico para chegar a países asiáticos, como China, Índia e Japão.

A rota promete reduzir o tempo de transporte em 17 dias, tornando os preços mais competitivos. Campo Grande pode se tornar um hub de distribuição de produtos asiáticos.

BARREIRA

As condições da Rota Bioceânica, que tem parte de seu trecho de pouco mais de três mil quilômetros na Cordilheira dos Andes, impõem uma barreira para o transporte de determinados produtos no caminho entre o Brasil e a Ásia na ida e vinda de produtos.

Carnes e outros produtos manufaturados deverão ser incluídos no trajeto, mas commodities, como grãos, não teriam viabilidade no transporte, explicou o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck.

Conforme Verruck, transitarão pela Rota caminhões que levam conteiners, com carga média de 35 toneladas.

No trecho dos Andes, entre Salta, na Argentina, e Iquique, no Chile, há muitas subidas e curvas que tornariam impossível a passagem de caminhões com vários eixos.

Verruck mencionou que bitrens, que se tornaram muito frequentes nas rodovias do Estado carregando eucalipto, são impedidos de transitar nas estradas do Paraguai e Argentina.

Ele apontou ainda outra condição que não possibilitaria o transporte de grãos ou minérios, por exemplo. O porto chileno tem condições de receber conteiners, mas não há terminal para armazenamento.

O secretário mencionou que futuramente será possível enviar suco de laranja, uma vez que há expansão da citricultura na área rural de Mato Grosso do Sul com a promessa de vinda de indústria tão logo haja matéria-prima para a produção do suco.

A China é o principal comprador de produtos do Estado e já indicou interesse no suco.

Conforme Verruck, hoje o caminho das exportações são os portos no Oceano Atlântico- Santos e Paranaguá, com a travessia no Canal do Panamá, um trajeto que pode levar 40 dias.

Com a Rota, a previsão é de encurtar em 17 dias e impactar na redução dos custos, tornando os preços mais competitivos.

O secretário diz que deverá ser natural a saída de caminhões pelo Mato Grosso do Sul com produtos nacionais e o retorno com industrializados exportados pela Ásia, incluindo a China.

“Acho que quanto mais a gente conseguir esse fluxo de levar e trazer, vai dar mais economicidade, mais competitividade e Campo Grande pode se tornar exatamente um grande hub de distribuição de produtos importados da Ásia para o Brasil”, observou.

Em entrevista ao Campo Grande News, o presidente da Federação das Indústrias do Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, sugeriu que a Capital precisa se acelerar para criar condições atrativas para empreendimentos já pensando na Rota Bioceânica, sugerindo a criação de um “ambiente de negócios” favorável às atividades econômicas.

Sérgio diz que deverá ser natural a saída de caminhões pelo Mato Grosso do Sul com produtos nacionais e o retorno com industrializados exportados pela Ásia, incluindo a China.

“Acho que quanto mais a gente conseguir esse fluxo de levar e trazer, vai dar mais economicidade, mais competitividade e Campo Grande pode se tornar exatamente um grande hub de distribuição de produtos importados da Ásia para o Brasil.” (Da Redação com Prefeitura de Campo Grande e Campo Grande News)

Foto: publicada por Campo Grande News

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