Rota Bioceânica pode ser alternativa ao Canal do Panamá com crise dos EUA
Com a crise instalada entre Estados Unidos e China, quanto ao uso do Canal do Panamá, no Panamá, a Rota Bioceânica, principal via que deve ligar o Brasil ao porto do Chile, deve ser beneficiado por se tornar rota alternativa para exportação de produtos brasileiros ao continente asiático.

Quem explica a situação é o assessor de logística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Atualmente, Mato Grosso do Sul exporta 61% de tudo aquilo que produz para Ásia. Dessa forma, criou-se a oportunidade diante do embate entre o país norte-americano com o chinês.
“ O corredor bioceânico se torna uma alternativa muito viável, principalmente para as questões de proteínas animais, que a gente exporta com destino à China. Então ele vai encurtar essa distância, reduzindo 15 dias de navegação e sem ter um custo adicional de passagem de um navio pelo canal do Panamá”, disse.
Além disso, estão sendo criadas estratégias logísticas para integrar os país, uma vez que os produtos sairão do porto instalado no Brasil, que é banhado pelo oceano atlântico, e terão como destino o país chileno, cercado pelo oceano pacífico.
“O nosso objetivo do corredor bioceânico é que a gente crie apenas quatro cabeceiras integradas na divisa de cada um dos países. Isso é o que vai dar a otimização, redução de tempos e custos logísticos. Então, nós estamos trabalhando isso em cada um dos países. Nós queremos desenvolver uma legislação específica para esse corredor, proporcionando mais competitividade. É isso que os quatro países estão trabalhando”, afirmou.
Para o advogado tributarista, João Ricardo Pinho, a cooperação alfandegária deve ser uma prioridade no momento.
“Esse, evidentemente, deve ser, assim, dos principais trabalhos de investimento dos países que eles têm que fazer, muito mais do que a própria infraestrutura física, porque não adianta nós ter infraestrutura física e não ter uma fluidez de mercadoria significativa, ou suficiente para poder tornar a roda viável”, destacou.
Turismo e a Rota Bioceânica
O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling, pontuou que já foram realizados levantamentos nos municípios cortados pela estrada, para que seja entendida a segmentação, demandas e ofertas de cada cidade.
“Já foram feitos levantamentos de importância para a gente entender ao longo da rota que nós temos de municípios, destinos, oferta, segmentação, para que a gente tenha aqui em médio prazo já produtos sendo formatados pela iniciativa privada e que elas tenham segurança na estrada, aduanas, postos de atendimento, infraestrutura de apoio, porque a gente pode ter um belo produto, a gente conecta países importantes, destinos importantes de ecoturismo, turismo de aventura, cultura, a gente está na expectativa bem boa com a rota”, ressaltou.
Crise entre Panamá e China
No dia 3 de fevereiro, o Panamá decidiu não participar do plano global de infraestrutura da China, chamado de Cinturão e Rota. A decisão foi comemorada pelos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ameaçar a retomada do controle norte-americano sobre o Canal do Panamá.
De acordo Trump, o canal é considerado ponto estratégico e fundamental para o comércio global, mas que estaria “sob influência crescente do regime comunista da China”.
Fonte: Primeira Página