Rota Bioceânica injetará US$ 51,8 milhões na economia do Mato Grosso do Sul
Com a construção da ponte de concreto sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho, obra prevista para ser concluída em 2026, a movimentação de exportações e importações do Mato Grosso do Sul e de outras regiões do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, pela Rota Bioceânica — que unirá os oceanos Atlântico e Pacífico — representará um acréscimo, no primeiro ano, de cerca de US$ 51,8 milhões para a economia daquele estado brasileiro.
O dado estatístico que demonstra a importância do corredor transfronteiriço para o Estado e para o país é uma das conclusões do estudo de viabilidade econômica da rota, elaborado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística (Setlog/MS). O presidente da entidade, Claudio Cavol, estima que, antes mesmo da conclusão do asfalto do trecho paraguaio, que atravessa o Chaco, o volume de cargas se intensificará com a ligação fluvial.
“A ponte é o elo que faltava para essa integração e o caminhoneiro não vai esperar o Paraguai terminar o asfalto prometido naquele trecho da rota”, diz Cavol, que organizou duas expedições com transportadores terrestres e gestores públicos entre Porto Murtinho e o porto de Antofagasta, no Chile, para demonstrar a viabilidade da proposta. Segundo ele, inicialmente circularão bens com maior valor agregado, seguidos pelas commodities.
Um novo ciclo
Para o governo de Mato Grosso do Sul, em três anos o estado se tornará um polo do comércio latino-americano com ligações rodoviárias entre os portos dos oceanos Atlântico (Santos) e Pacífico (Antofagasta). O Estado ganhará competitividade global, encurtando distâncias e reduzindo tarifas com seu principal mercado, a Ásia. A autorização para a construção da ponte, assinada pelo Brasil e pelo Paraguai, gerou forte impacto.
De fato, o presidente chileno Sebastián Piñera, depois que Jair Bolsonaro assumiu o poder no Brasil, destacou que “já temos um acordo para construir um corredor bioceânico que começa em Puerto Murtinho, passa pelo Paraguai, norte da Argentina e chega aos 3 portos do norte do Chile”.
O novo cenário que se desenha com a efetivação da Rota Bioceânica – a integração física do Brasil com Paraguai, Argentina e Chile – transformará a economia regional, beneficiando não só o agronegócio e a produção industrial, mas também a cadeia que envolve o turismo e também o setor de intercâmbio cultural e tecnológico. As projeções do Governo do Estado e do setor privado são otimistas, apontando para um novo ciclo de forte crescimento em Mato Grosso do Sul.
Para Jaime Verruck, secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Porto Murtinho deixou de ser uma região isolada e se tornou estratégica. “Murtinho está se consolidando como um centro logístico na América do Sul”, disse ele, citando os investimentos do Estado na reativação do transporte fluvial pelo Rio Paraguai e na ponte internacional, vitais para viabilizar a Rota Bioceânica.
Progresso concreto
A autorização para a construção da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta (Paraguai), assinada em 21 de dezembro pelo presidente Michel Temer e pelo chefe de Estado paraguaio, Mario Abdo Benítez, representa “um passo extraordinário e concreto” para a concretização da integração latina, disse o ex-governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja. Seu governo, durante esses quatro anos, concentrou-se no desenvolvimento econômico da extensa faixa de fronteira.
“Abrir esse corredor torna nossos produtos mais competitivos lá fora”, acrescentou o ex-governador. “Nos últimos anos sofremos um apagão logístico por um erro de governos anteriores, mas avançamos muito e a ligação fluvial agora é uma realidade, com recursos garantidos de Itaipu”, destacou.
Itaipu
A Rota da Integração encurtará em 8.000 km a distância entre o principal parceiro comercial do Estado do Mato Grosso do Sul, a China, tornando os produtos brasileiros mais competitivos no mercado asiático. A viabilidade do trajeto de 2.396 km entre Campo Grande e Antofagasta depende de duas obras: a ponte sobre o Rio Paraguai e a pavimentação de 500 km da rodovia do Chaco Paraguaio, de Carmelo Peralta até a fronteira com a Argentina, já em andamento.
Além da ponte em Porto Murtinho, os governos brasileiro e paraguaio autorizaram a construção de outra ponte na fronteira, sobre o Rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR), totalizando investimentos de US$ 259 milhões, incluindo obras viárias complementares. O valor será financiado pela binacional Itaipú. Conforme acordado entre os dois governos e a direção de Itaipu, a parte paraguaia da usina financiará a construção da ponte no Mato Grosso do Sul.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), os procedimentos de construção devem começar ainda neste mês. A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta terá 500 metros de extensão.