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Rota Bioceânica: governadores firmam compromissos para cooperação entre países

Governadores e autoridades dos oitos territórios subnacionais do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, que compõem a Rota Bioceânica, assinaram a Carta de Campo Grande na manhã desta quinta-feira (20). O compromisso é para garantir a cooperação dos trabalhos na efetivação da megaestrada que vai ligar Mato Grosso do Sul ao oceano Pacífico e o fortalecimento da integração regional e do desenvolvimento sustentável. 

Governadores e autoridades durante entrevista coletiva no encerramento do Seminário Internacional da Rota Bioceânica, em Campo Grande (Foto: Marcus Vinnicius)
Governadores e autoridades durante entrevista coletiva no encerramento do Seminário Internacional da Rota Bioceânica, em Campo Grande (Foto: Marcus Vinnicius)

A ata da cúpula dos governadores traz definições e os compromissos de cooperação firmados entre os países. Pontos considerados estratégicos para a efetivação da Rota Bioceânica.

“Nós temos aí os cronogramas das obras andando, nós estamos falando de final de 2026 para uma boa parte delas. E aí começa efetivamente a operacionalização, mas com a governança da Rota Bioceânica bem estabelecida, chega antes como deveria ser e como deve ser”, afirmou o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel.

Também ficou decidido que os governadores se reunirão anualmente para apresentarem os avanços e os possíveis problemas que forem aparecendo. O objetivo é dar respostas no menor prazo possível, sem afetar o desenvolvimento da Rota Bioceânica.

Leitura da Carta de Campo Grande, no encerramento do Seminário Internacional da Rota Bioceânica, foi feita pelo assessor especial de Logística da Semadesc, Lúcio Lagemann (Foto: Marcus Vinnicius)
Leitura da Carta de Campo Grande, no encerramento do Seminário Internacional da Rota Bioceânica, foi feita pelo assessor especial de Logística da Semadesc, Lúcio Lagemann (Foto: Marcus Vinnicius)

Representantes de Argentina, Chile e Paraguai também citaram desafios, como a questão aduaneira, para garantir o trânsito das cargas sem burocracia.

“Temos que pensar em uma legislação própria para o transporte e a logística terrestre de todos os estados dos quatro países em que o corredor atravessa. Porque isso simplificaria muito. Estou pensando em uma ‘carta branca de transporte’ como tem a União Europeia, onde está tudo padronizado e o trâmite e tempo se reduzem notavelmente”, destacou Alejandro Eduardo Marenco, representante governo da província de Jujuy (Argentina).

A Receita Federal diz que a construção do posto aduaneiro em Porto Murtinho vai garantir a operação do órgão, mas aguarda a definição da legislação.

“Importante que os países envolvidos, as aduanas envolvidas, trabalhem pra que ocorra uma harmonização das normas, que as normas sejam congruentes, e principalmente a integração de sistemas, pra que os sistemas se comuniquem. Importante que um processo que foi feito no Brasil a aduana paraguaia, a aduana chilena, a aduana argentina, se a mercadoria for passar por esses países, elas tenham ciência desse processo e possam ali olhar a documentação e verificar se está tudo certo e liberar a mercadoria com a maior agilidade possível”, explicou o superintendente-adjunto da Receita Federal 1ª Região, Erivelto Alencar.

Ainda na logística da Rota Bioceânica, o Setlog/MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Mato Grosso do Sul) tenta um acordo com o governo paraguaio para modificar um tratado da década de 60, que proíbe o trânsito de caminhões acima de 45 toneladas, impedindo o tráfego de bitrens, por exemplo. Além disso, existe a expectativa da cooperação com a mão de obra de motoristas paraguaios.

“Hoje nós temos uma deficiência de mão de obra de motoristas no Brasil, na Argentina e no Chile. Isso é fato, não tem onde contratar. Mesmo com a formação que fizemos junto com o governo do estado, ainda nós temos vagas para mais de 500 motoristas, 1 mil motoristas aqui no estado, que não atenderia a demanda. Mas eles têm excedente dessa mão de obra. Então por que não a gente utilizar? A comunidade paraguaia é muito grande aqui em Mato Grosso do Sul, a gente poderia estar com esses trabalhadores suprindo a falta daqueles que nós não temos aqui ainda”, pontuou Dorival Oliveira, gerente do Setlog/MS.

Fonte: Primeira Página

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