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Rota Bioceânica: Governador de Boquerón destaca avanços e desafios no coração do Chaco paraguaio

Boquerón, Paraguai – O departamento de Boquerón, no Chaco paraguaio, está no epicentro de uma das maiores transformações logísticas da América do Sul: a construção da Rota Bioceânica. Em entrevista exclusiva, o governador Harold Bergen detalhou o andamento das obras, os principais desafios e os investimentos em infraestrutura, segurança e saúde que acompanham esse ambicioso projeto de integração continental.

O maior trecho da rota está em Boquerón

“Boquerón é o maior departamento do Paraguai, e o trecho mais longo da rodovia bioceânica passa por aqui”, afirmou Bergen, destacando o papel estratégico da região na conexão entre o Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Segundo o governador, as obras estão avançando dentro do cronograma, especialmente entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo. Mesmo com as recentes inundações causadas pelo Rio Pilcomayo, a situação serviu como alerta para aprimorar a infraestrutura e garantir que a estrada suporte eventos climáticos extremos. “Fizemos os ajustes necessários para que a via seja resiliente”, garantiu.

Além disso, a ponte de Carmelo Peralta e Porto Murtinho estão em construção e também seguem dentro do cronograma previsto.

Segunda fase e conectividade com as colônias

Outro trecho importante é o que liga Sentinela a Mariscal Estigarribia, passando pelas colônias menonitas. Embora o financiamento ainda esteja sendo estruturado, a expectativa é de que a construção comece no próximo ano e seja concluída em até três anos. “É uma linha reta de 100 quilômetros. Uma obra simples e rápida”, explicou Bergen.

Desafios de infraestrutura básica: água e energia

A escassez de água sempre foi uma preocupação histórica na região do Chaco. Segundo Bergen, o governo tem investido em soluções sustentáveis, como grandes reservatórios, cisternas e a captação de água da chuva. “Chove todos os anos, mas precisamos de mais reservas”, disse.

O abastecimento de energia é outro ponto crítico, mas há avanços significativos: usinas solares foram instaladas em comunidades e uma nova linha de transmissão de 220 kVA deve ser concluída nos próximos dois anos, ampliando a capacidade energética da região.

Rodovias secundárias ainda são um gargalo

Boquerón conta com cerca de 7 mil quilômetros de estradas de terra. “A manutenção é cara e difícil. Precisamos de cruzamentos pavimentados que conectem essas vias à bioceânica”, alertou Bergen, enfatizando que o desenvolvimento da região também depende de uma malha rodoviária eficiente.

Segurança, saúde e serviços: a estrutura do futuro corredor

Além das obras viárias, o projeto da Rota Bioceânica inclui investimentos em segurança pública, saúde e infraestrutura de apoio ao transporte e turismo.

Está prevista a construção de um hospital de referência em Mariscal Estigarribia, que será um centro regional para o setor de biotecnologia. “O Estado vai construir esse hospital em uma localização estratégica”, explicou o governador.

Também estão nos planos a construção de aeroportos em pontos-chave como Carmelo Peralta e Pozo Hondo, além de novos hotéis, restaurantes, postos de gasolina e uma força policial especializada para garantir a segurança ao longo do corredor.

O compromisso com o futuro

“Estamos muito comprometidos em concluir essa rota o mais rápido possível”, reforçou Harold Bergen. Para o governador, a Rota Bioceânica não é apenas uma estrada: é um vetor de desenvolvimento que transformará o Chaco paraguaio em um ponto de conexão vital entre o Atlântico e o Pacífico, com reflexos diretos na economia, mobilidade e qualidade de vida da população local.

A expectativa é clara: quando concluída, a Rota Bioceânica redefinirá o mapa logístico da América do Sul — e Boquerón será um dos protagonistas dessa nova era de integração continental.

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