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Reunião da Comissão Mista reforça avanços na Ponte Bioceânica e integração logística entre Brasil e Paraguai

A X Reunião da Comissão Mista da Ponte Bioceânica – Brasil e Paraguai, realizada nesta quinta-feira (31), em Porto Murtinho (MS), marcou mais um passo importante na consolidação do corredor rodoviário internacional que conectará o Atlântico ao Pacífico. O encontro contou com a presença de autoridades dos dois países, incluindo representantes dos ministérios de Relações Exteriores, Infraestrutura, Agricultura, Receita Federal e órgãos de controle de fronteira, além da equipe técnica responsável pelas obras.

Representando o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, destacou a importância estratégica da reunião. “A primeira grande importância é trazer essa comissão mista Brasil–Paraguai, coordenada pelos ministérios de Relações Exteriores de ambos os países. Ela acompanha especificamente a execução da obra da ponte e seus acessos”, explicou.

Obras avançam e ponte deve ser concluída em 2026

Durante a visita técnica ao canteiro de obras, foi confirmado que cerca de 75% da ponte já está concluída, com previsão de entrega para agosto de 2026. O acesso paraguaio ainda não teve início, mas segue o mesmo cronograma. Do lado brasileiro, o acesso também está em andamento. “A previsão é que, até o final do ano que vem, tudo esteja concluído. Do ponto de vista de infraestrutura, estamos bastante resolvidos”, afirmou Verruck.

Centro Integrado de Fronteira será em cabeceira única no Brasil

Um dos principais temas discutidos na reunião foi o projeto do Centro Integrado de Alfândega (ACEI). O Paraguai apresentou a proposta de que o controle de fronteira seja realizado inteiramente do lado brasileiro. “Ficou acordado que, em três semanas, o governo paraguaio vai apresentar suas necessidades de infraestrutura, como tamanho das salas e número de funcionários, para que possamos ajustar o projeto aqui”, explicou o secretário. A ideia é instalar o primeiro centro alfandegário de cabeceira única do corredor, otimizando o controle migratório e aduaneiro.

Desafios jurídicos e integração institucional

Outro ponto discutido foi a reciprocidade tributária, tema ainda pendente. Atualmente, o Brasil não oferece isenção de impostos à empresa contratada para a obra, ao contrário do Paraguai. Segundo Verruck, essa questão depende de aprovação no Congresso Nacional.

A reunião também serviu para alinhar a integração entre as polícias federais, aduanas e ministérios da Agricultura dos dois países, visando garantir o funcionamento conjunto da ponte assim que estiver em operação. “Esse alinhamento é fundamental para o trânsito de cargas e pessoas. A integração das equipes é uma das prioridades”, ressaltou o secretário.

Porto Murtinho se estrutura como portal da Rota Bioceânica

Durante a visita à cidade, Verruck também destacou os avanços na infraestrutura local. “Porto Murtinho está muito bem organizada. O porto, recentemente concedido pelo Governo do Estado, já recebeu mais de R$ 20 milhões em investimentos e está iniciando operações”, disse.

A cidade é estratégica por integrar a rota hidroviária do Paraguai com o corredor rodoviário bioceânico, conectando o interior do Brasil aos portos do Pacífico. “Porto Murtinho é o portal da Rota Bioceânica e o ponto de encontro entre a hidrovia e a rodovia. Isso potencializa nosso escoamento de produtos e atrai novos investimentos”, afirmou.

MS leva a Rota Bioceânica à Ásia

Encerrando a entrevista, Verruck antecipou a missão internacional do governador Eduardo Riedel, que embarca na próxima semana para Índia, Japão e Singapura. “A Rota Bioceânica é um dos projetos que estamos apresentando nesses países. Nosso objetivo é mostrar que podemos vender mais, com maior competitividade logística. Estamos levando a rota como uma vitrine para atração de investimentos e ampliação de mercados”, finalizou.

Foto de capa: Mairinco de Pauda, Semadesc

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