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Rede universitária e ObservaRota ampliam produção de conhecimento sobre a Rota Bioceânica

Durante o evento da Rodada de Negócios Brasil–Chile, realizada no dia 3 de setembro na Fiems, o pesquisador Emerson Corazza, doutorando em Desenvolvimento Local pela UCDB e colaborador do portal ObservaRota, falou sobre a importância da integração acadêmica no processo de implantação da Rota Bioceânica.

Corazza integra a Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (UNIRILA), que reúne 18 instituições de ensino superior dos quatro países envolvidos – Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. “A UNIRILA busca a integração das instituições na produção de conhecimento para resolver e atender as demandas da rota bioceânica”, explicou.

No Mato Grosso do Sul, participam universidades públicas e privadas: UFMS, UFGD, UEMS, IFMS, Uniderp e UCDB.

Desenvolvimento local como eixo de estudo

O pesquisador destacou que seu trabalho acadêmico foca no impacto territorial da rota e na forma como as comunidades poderão se integrar ao projeto.

“O objeto de estudo é a rota bioceânica e seus territórios. A ideia é verificar como as cidades por onde ela passa podem se beneficiar, para que não seja apenas um corredor de transporte, mas um projeto integrado de desenvolvimento”, afirmou.

Segundo ele, embora o traçado completo ainda esteja em fase de consolidação, já é possível observar movimentações no setor logístico e turístico. “O transporte é o grande objetivo da rota, mas acreditamos que o turismo será o primeiro gerador de receita e integração entre os povos locais”, destacou.

Comunidades indígenas e integração regional

Corazza lembrou que o processo de implantação da rota também impacta diretamente comunidades indígenas, especialmente no Paraguai, Argentina e Chile. “Esses povos precisam ser integrados e respeitados. No caso do turismo, por exemplo, é fundamental capacitá-los para que participem do processo e se beneficiem das oportunidades que a rota trará”, reforçou.

Eixos de pesquisa e sustentabilidade

A UNIRILA organiza seus estudos em cerca de 10 a 11 eixos temáticos, que envolvem desde segurança, saúde, logística e mobilidade acadêmica, até turismo, inovação e sustentabilidade ambiental. Este último, segundo o pesquisador, é um dos mais desafiadores, pois a rota atravessa áreas sensíveis, como o Chaco paraguaio.

ObservaRota: conhecimento em rede

Para reunir e disponibilizar informações acadêmicas e jornalísticas sobre o tema, Emerson participa da criação e desenvolvimento do ObservaRota (www.observarota.com.br), uma plataforma digital que funciona como observatório da Rota Bioceânica.

“O Observatório monitora tudo o que está sendo produzido sobre a rota — artigos, monografias, teses e pesquisas. É um espaço público, em desenvolvimento, que já está em sua segunda fase. A ideia é reunir informações que hoje estão dispersas em diferentes plataformas e colocá-las à disposição da sociedade e da academia”, explicou.

Para ele, a união entre universidades, setor produtivo e governos é essencial para que a Rota Bioceânica se consolide não apenas como um corredor logístico, mas como um projeto de integração cultural, social e de desenvolvimento local.

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