Professora Maria Fernanda Regis destaca educação em emergências e cooperação global na Rota Bioceânica
Jardim (MS), 09 de setembro – Durante o evento “O Desenvolvimento de Jardim e Região do Pantanal na Rota Bioceânica: Educação Azul, Economia Azul, Sustentabilidade Global”, realizado nesta terça-feira (09), a professora Maria Fernanda Regis, especialista em educação em situações de emergência, compartilhou reflexões sobre como preparar comunidades vulneráveis, como o Pantanal, para enfrentar desafios ambientais e sociais diante das transformações que a Rota Bioceânica trará à região.
Preparação e prevenção em territórios vulneráveis
Segundo a professora, lições da educação em emergências podem ser aplicadas de forma prática no Pantanal, região marcada por enchentes, incêndios e crises ambientais recorrentes. “Prevenção e preparação são sempre mais baratas, tanto em termos econômicos quanto no impacto sobre vidas humanas. O Brasil é signatário do Pacto Global por Escolas Seguras e já existem protocolos e referenciais internacionais que poderiam ser incorporados desde a educação infantil até o ensino superior”, explicou.
Ela reforçou que o planejamento não deve se limitar a crises climáticas, mas também considerar cenários de emergências sanitárias, como novas pandemias. “Conhecer a estrutura física e tecnológica necessária para manter a educação mesmo em situações de ruptura é essencial”, completou.

Educação acelerada como inclusão
A professora também destacou o papel dos programas de educação acelerada como instrumentos para reduzir desigualdades em áreas rurais e fronteiriças ao longo da rota. “Esses projetos permitem que crianças e jovens que ficaram fora da escola retornem à educação formal com currículos mais focados em competências essenciais. Já existem exemplos bem-sucedidos em países como Moçambique, que também enfrentam dificuldades em comunidades rurais e étnicas afastadas”, afirmou.
Para ela, porém, o sucesso depende de comprometimento governamental. “Não basta ser um programa informal. É preciso ter currículo reconhecido e apoio financeiro de municípios, estados ou da União. Só assim podemos garantir o direito negado em algum momento da vida dessas pessoas”, ressaltou.
Educação para a cidadania global
Ao final, Maria Fernanda Regis deixou uma mensagem para gestores, professores e estudantes de Jardim. “Valorizem o local, conheçam a sua comunidade, mas não percam de vista o global e as possibilidades de cooperação. A educação para a cidadania global é fundamental. Envolver a comunidade escolar em todos os processos garante escolas resilientes, sustentáveis e conectadas com as demandas do século XXI”, concluiu.

