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Ponte da Rota Bioceânica inova ao utilizar concreto com gelo para combater o calor extremo

A Rota Bioceânica, que estabelecerá uma conexão entre Mato Grosso do Sul, Paraguai, Argentina e Chile, promete transformar o transporte entre o Brasil e o Oceano Pacífico.

Com mais de 65% da obra concluída até o final de 2024, a Ponte Bioceânica, que une Carmelo Peralta (Paraguai) a Porto Murtinho (Brasil), adota uma inovação para enfrentar o intenso calor da região: concreto misturado com gelo.

Desenvolvida para lidar com as elevadas temperaturas do Chaco paraguaio, essa técnica garante a hidratação adequada do concreto e previne o endurecimento precoce, causado pelo calor liberado durante o processo de hidratação do cimento.

Essa abordagem é fundamental para assegurar a qualidade e durabilidade da ponte, que terá 1.294 metros de comprimento e 29 metros de altura em relação ao rio Paraguai.

Progresso das Obras

A construção da ponte, realizada por um consórcio binacional e financiada pela administração paraguaia da Itaipu, conta atualmente com 404 trabalhadores e já finalizou 100% dos viadutos.

Os pilares da Ponte Bioceânica apresentam avanços expressivos: 68% das estruturas já estão concluídas no lado paraguaio, enquanto 59% estão prontas no lado brasileiro. A previsão é de que a obra seja finalizada no primeiro trimestre de 2026.

Dados da Ponte Bioceânica:

Comprimento: 1.294 metros
Altura: 29 metros sobre o leito do rio Paraguai
Trabalhadores: 404
Previsão de conclusão: Primeiro trimestre de 2026
Investimento: R$ 575,5 milhões (recursos da Itaipu Binacional)


Impacto no agronegócio e comércio exterior

Também chamada de Rota da Integração Latino-Americana (RILA), a Rota Bioceânica é frequentemente referida como o “Canal do Panamá terrestre”.

A nova infraestrutura irá reduzir em 9.700 quilômetros as rotas marítimas entre o Brasil e a Ásia, diminuindo em até 23% o tempo de viagem para países como China, Japão e Índia.

Além de encurtar distâncias, a Rota impulsionará a exportação de alimentos, máquinas e bens de consumo para mercados asiáticos e países vizinhos como Paraguai, Argentina e Chile.

De acordo com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a integração também estimulará o turismo, o intercâmbio cultural e aumentará a competitividade dos produtos regionais no mercado global.

Investimentos no Mato Grosso do Sul
O Governo de Mato Grosso do Sul tem investido em obras estratégicas em Porto Murtinho, um dos principais pontos da Rota. Nos últimos anos, o município recebeu R$ 40,6 milhões em melhorias, incluindo a reativação da hidrovia do rio Paraguai, incentivo às operações portuárias e modernização da infraestrutura rodoviária.

Entre os projetos complementares em andamento, destacam-se:

Pavimentação de 13 km da BR-267 para acesso à ponte;
Construção de um centro aduaneiro;
Terraplanagem e construção de um acesso elevado à ponte, com investimento de R$ 472,4 milhões da União.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também iniciou a restauração de 101 km da BR-267, ligando o distrito de Alto Caracol a Porto Murtinho. A conclusão dessa obra está prevista para os próximos três anos.

Com o avanço das obras e os investimentos complementares, a Rota Bioceânica se consolida como uma das iniciativas mais ambiciosas de integração logística na América Latina, transformando o Brasil em um hub estratégico para exportações globais.

Fonte: Agrofy News

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