Peru: Especialista alerta que a Ferrovia Bioceânica Chancay-Xangai é viável, mas os custos geram preocupações
O projeto ferroviário bioceânico que liga o Brasil ao Porto de Chancay, no Peru , voltou à tona após o primeiro aniversário do megaporto. Embora a Cosco Shipping defenda sua viabilidade, especialistas questionam a justificativa econômica e técnica do projeto.
Paola Fune , Gerente de Relações Institucionais e Comunicação da Cosco Shipping, afirmou que o projeto é “muito viável”, desde que o Ministério dos Transportes conclua os procedimentos necessários, obtenha as licenças exigidas e selecione uma empresa executora. No entanto, Leolino Dourado , pesquisador da Universidade do Pacífico, explicou que a análise de custos e logística levanta sérias preocupações. Dourado alertou que a concorrência de portos brasileiros próximos e os custos do transporte terrestre podem tornar o projeto não competitivo em comparação com as rotas existentes.

Estados brasileiros localizados na área de influência do trem, como Mato Grosso e Rondônia, possuem portos mais próximos da China, como Belém e Manaus. Isso faz com que o custo do transporte terrestre, principal componente do frete, seja menor para o norte do Brasil do que para Chancay. Dourado explicou que “embora o transporte marítimo a partir de Chancay seja mais curto, o frete terrestre dos centros produtivos brasileiros eleva o custo total”, um detalhe que geralmente não é mencionado na mídia.
O custo estimado do trem bioceânico pode chegar a 100 bilhões de dólares , e sua rota atravessaria áreas protegidas e territórios indígenas, exigindo também estabilidade política entre Brasil, Peru e China.
Como alternativa, Dourado mencionou a ferrovia Chancay-Pucallpa , que conectaria a Amazônia peruana ao porto, como uma opção economicamente mais viável.
Entretanto, Chancay enfrenta prioridades imediatas que limitam seu foco na ferrovia biooceânica. A aprovação do Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) para os próximos dez anos ainda está pendente. A empresa que administra o Megaporto financiou diversos estudos e projetos de investimento público por meio do mecanismo de Obras por Impostos (OXI) , incluindo um novo mercado e uma instituição de ensino superior. A Cosco Shipping também apoiou a construção de novas estradas e calçadas ao redor do centro portuário para fortalecer a conectividade local.
Fonte: Data Portuaria

