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Paraguai como refúgio do Brasil diante do aumento de tarifas de Trump

De fato, nos últimos 10 anos, o investimento brasileiro no Paraguai experimentou um crescimento exponencial, particularmente nos setores de maquiladoras, financeiro e agronegócio.

Só no primeiro semestre deste ano, mais de 10 mil brasileiros, a maioria empresários, solicitaram residência permanente no Paraguai. Vale lembrar que nossa legislação facilita esse processo para estrangeiros que investem pelo menos US$ 70.000 em nosso país. 

A carga tributária em nosso país é, em média, de 13%, enquanto no Brasil é de 36%. Além do custo da mão de obra e da energia elétrica, a infraestrutura aprimorada, a estabilidade macroeconômica e um bom clima de negócios atraem os brasileiros.

Veículos de comunicação empresariais e até mesmo a poderosa rede O Globo, que alcança 170 países com seu sinal, também vêm mudando positivamente sua percepção do Paraguai nos últimos anos, como um país de oportunidades, na mesma linha daquelas geradas dentro da poderosa Federação dos Industriais do Estado de São Paulo, mais conhecida como FIESP.

Os brasileiros também aguardam ansiosamente a conclusão do segundo trecho da Rota Bioceânica no Chaco Paraguaio. Essa rota pretende se tornar a nova rota comercial mais importante do continente, transportando a vasta produção de matéria-prima brasileira para portos chilenos no Pacífico, reduzindo custos e fortalecendo os negócios com a China, a segunda maior potência mundial.

Quase 300 obras de construção foram aprovadas em Assunção
Centros corporativos em Assunção. Foto de referência.

Melhor imagem

Segundo a Fundação Desenvolvimento e Democracia (Dende), as cidades fronteiriças com o Brasil são as que mais crescem e, nesse ritmo, Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero ganharão maior importância econômica, deixando Assunção relegada ao poder político, à medida que as oportunidades são aproveitadas.

Em outras palavras, o Paraguai não é mais um país “pirata” aos olhos dos círculos empresariais e da mídia vizinhos.

“Vale lembrar que o Brasil é nosso principal parceiro comercial e que a balança comercial pende a nosso favor.”

“Para continuar crescendo, precisamos focar na nossa vizinhança, especialmente no mercado brasileiro, com o qual atualmente não temos as melhores relações diplomáticas. Para continuar crescendo, precisamos também fazer a lição de casa internamente, com este governo cumprindo a promessa de implementar todas as reformas pendentes”, enfatizou Alberto Acosta Garbarino, analista do Dende.

Aumento de 0,4% na cesta básica em Ciudad del Este, segundo estudo
Mercado de Ciudad del Este.

Copo meio cheio

A política de Trump é um obstáculo para o comércio internacional, que, segundo o Banco Mundial, tem sido o motor do crescimento econômico, da criação de empregos e da redução da pobreza nas últimas décadas.

Por exemplo, durante o período de “hiperglobalização”, de 1990 a 2008, o comércio global cresceu a uma taxa média de 6,6% e o PIB global a 4%. Hoje, esse crescimento enfraqueceu, e o FMI projeta um crescimento global de apenas 2,8% para este ano.

A contagem regressiva para o aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros já começou; além da crise política, o governo dos Estados Unidos tem pouca ou nenhuma afinidade com Lula e menos ainda com o Judiciário americano, o Supremo Tribunal Federal, que vem pressionando o ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas.

Diante desse cenário, autoridades paraguaias como o Ministro da Economia, Carlos Fernández Valdovinos, e o Diretor de Arrecadação de Impostos, Óscar Orué, enfrentam desafios significativos, mas também grandes oportunidades. 

“Enquanto a política comercial de Trump cria muita incerteza, o Paraguai é mais suscetível ao que acontece mais perto de casa.”

Em declarações à Bloomberg, a potência econômica paraguaia observou que a adesão ao Mercosul ajudará a proteger o Paraguai do pior das interrupções de curto prazo causadas pelas tarifas dos EUA.

Em meio à crescente tensão comercial global, o Paraguai busca fortalecer laços políticos e econômicos com países vizinhos, como Brasil e Argentina, dentro da união aduaneira do Mercosul, que inclui essas nações e o Uruguai.

A economia de US$ 45 bilhões do Paraguai é particularmente dependente do comércio com os vizinhos Argentina e Brasil, que juntos compraram 63% de suas exportações no ano passado.

Fonte: El Nacional

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