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O Corredor Bioceânico está quase concluído

À medida que a implementação do Corredor Bioceânico se acelera, Jujuy enfrenta uma série de desafios para se adaptar ao novo volume esperado de tráfego de cargas de e para o Brasil e a Ásia. Alfredo Simón, do Colégio de Engenheiros de Jujuy, alertou que, embora a província esteja mais avançada do que outros países da região, obras rodoviárias, melhorias alfandegárias e serviços logísticos ainda precisam ser concluídos para sustentar a operação do corredor.

Ele afirmou que, no Paraguai, as obras estão avançando a bom ritmo. Considera-se essencial que Jama seja um ponto de trânsito, não apenas um ponto de verificação, e se isso for alcançado, eles conseguirão administrar o fluxo, que se multiplicará, afirmou. “Eles estão pavimentando mais de 500 quilômetros; só faltam cerca de 100 no Chaco paraguaio. Também estão construindo a Ponte Carmelo Peralta, em Porto Murtinho, sobre o Rio Paraguai, que será essencial para a entrada em território brasileiro”, explicou Simón. Ele acrescentou que essa ponte e os trechos restantes serão concluídos dentro de um ano, o que dará início às operações do corredor.

Mas, além do traçado rodoviário, o BID está atualmente financiando um Plano Diretor Regional que inclui dois estudos importantes: um sobre logística e outro sobre marketing. “O estudo de logística visa harmonizar os procedimentos alfandegários e melhorar a infraestrutura da fronteira. O segundo, talvez o mais relevante para Jujuy, analisa o potencial de comércio intracorredor”, explicou.

Ele destacou um potencial claro. “Estamos a apenas 1.400 quilômetros de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a mesma distância que nos separa de Buenos Aires. Mais de 16 milhões de pessoas vivem nesse raio, e há produtos complementares que poderíamos comercializar”, afirmou. Acrescentou que não se trata apenas de exportar açúcar ou tabaco, que o Brasil já produz, mas também de oferecer frutas com caroço, leguminosas, farinha e outros produtos regionais que possam ter demanda nesse mercado, e observou que há produtores de Jujuy vendendo feijão.

Em termos operacionais, ele considerou que o Passo Jama será o ponto-chave para o tráfego internacional, já que atualmente passam por lá 150 caminhões diariamente, mas estima-se que esse número quadruplique, o que exigirá diversas melhorias. “Relatórios já foram apresentados ao governador Sadir sobre os cinco gargalos na rota. Um deles já está sendo resolvido. Um problema crítico são as ‘travessias urbanas’, ou seja, caminhões que passam por cidades como Libertador ou Fraile Pintado”, disse ele, acrescentando que a ideia é reforçar a Rota 1, que liga Caimancito a San Pedro.

Ele também mencionou Ronque Angosto, onde a rota foi bloqueada nos últimos anos. “Não precisamos de um bueiro, mas de uma ponte”, disse ele. Outra área crítica é o acesso a San Salvador de Jujuy, onde três rotas convergem e uma reformulação é necessária para agilizar o tráfego de cargas.

No Desfiladeiro de Humahuaca, foi proposta a implementação de trechos de via dupla escalonados a cada 10 quilômetros como solução para separar o tráfego de caminhões do tráfego de veículos turísticos e particulares, especialmente durante a alta temporada. Ele também afirmou que a Rodovia Nacional 52 chegou ao fim de sua vida útil e precisa de manutenção.

Em relação à infraestrutura alfandegária, Simón explicou que o Complexo Jama, em operação há 15 anos, precisa ser ampliado. “Precisamos, no mínimo, dobrar o estacionamento de caminhões e separar as áreas de importação e exportação. Além disso, precisamos construir escritórios para agentes de transporte alfandegário e despachantes aduaneiros”, disse ele.

Além disso, grandes empresas já começaram a adaptar seus processos. Ele afirmou que Sales de Jujuy e Exar operam com despacho interno, o que permite que os controles de fronteira sejam reduzidos à verificação de documentos. Para as PMEs, o complexo aduaneiro de Palpalá pode ser uma alternativa, pois possui um scanner móvel e pode facilitar o controle de documentos, reduzindo os prazos e os custos de exportação. Simón também afirmou que o futuro do controle de fronteiras está voltado para o estabelecimento de Operadores Econômicos Autorizados (OEAs), o que permite a redução das verificações para empresas que atendem a altos padrões de rastreabilidade.

Uma das questões mais urgentes seria a necessidade de construir um estacionamento para caminhões, já que a Passagem Jama não opera 24 horas por dia e os veículos frequentemente esperam até o amanhecer, estacionados nos acostamentos, o que representa riscos e problemas logísticos. Ele estimou que a estação de transferência de carga de Perico poderia ser fundamental, permitindo trocas de tratores e facilitando o retorno logístico dos veículos.

Laços comerciais com o Brasil

Segundo Alfredo Simón, que integra as equipes técnicas que colaboram nas diretrizes deste projeto regional, o Corredor Bioceânico é um empreendimento geopolítico e comercial para conectar a América do Sul Central com os portos do Pacífico e impulsionar as exportações para a Ásia. Ele considerou que Jujuy é, portanto, um elo fundamental nessa infraestrutura internacional que transformará os fluxos comerciais, a logística e as relações fronteiriças na região.

Ele explicou que o projeto está incluído nos tratados internacionais assinados por Argentina, Brasil, Paraguai e Chile, primeiro em Assunção (2016) e depois em Brasília (2017), com o objetivo de criar uma nova rota terrestre paralela ao Trópico de Capricórnio. O projeto foi aprovado pela Zicosul (Zona de Integração Centro-Oeste Sul-Americana), que vai do Mato Grosso do Sul aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique. O Paraguai, por sua vez, já pavimentou grande parte da rota que atravessa seu território e está construindo uma ponte importante sobre o Rio Paraguai, que ligará Carmelo Peralta a Puerto Murtinho, no Brasil. O projeto conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que está financiando um Plano Diretor Regional. Este trabalho aborda tanto a logística de rotas e alfândega, quanto a comercialização intracorredor. Segundo Simón, o aspecto mais estratégico para Jujuy será a possibilidade de troca de produtos com um novo mercado próximo, o Centro-Oeste brasileiro.

“De Jama, estamos a apenas 1.400 km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a mesma distância de Buenos Aires”, explicou. Essa região abriga cerca de 16 milhões de habitantes, com economias complementares. “Não venderemos açúcar ou tabaco, que eles também produzem, mas venderemos frutas com caroço, feijão, farinha e leguminosas. Já tem gente de Jujuy vendendo”, disse. A competitividade do corredor também se reflete na economia de tempo em comparação com o Canal do Panamá. O Brasil busca reduzir os custos logísticos para a China e a Indonésia, grandes compradores de commodities agrícolas.

Mas também há competição interna no Brasil. Estados mediterrâneos como Goiás, Acre e Mato Grosso querem chegar ao Oceano Pacífico, dada a saturação de portos atlânticos como Santos. Nesse contexto, Jujuy se torna uma alternativa natural e, com o corredor já estabelecido, o desafio atual é administrar o crescente volume de tráfego. Além das melhorias rodoviárias, está prevista a incorporação de infraestrutura digital. “A ministra Isolda Calsina já anunciou a chegada de cabos de fibra óptica à Jama, o que permitirá a construção de um corredor verdadeiramente digital, com câmeras, rastreamento por GPS e sistemas de controle remoto”, afirmou.

“O projeto tem como principal impulsionador o Brasil, que quer reduzir seus custos logísticos para a China e a Indonésia”, explicou Simón, esclarecendo a necessidade do país de acessar o Pacífico com sua produção de commodities agrícolas, evitando os gargalos de portos atlânticos como Santos. Dos cinco corredores aprovados pela ZICOSUL, o que atravessa Jujuy, o Cinturão de Capricórnio, conecta o estado do Mato Grosso do Sul aos portos chilenos de Antofagasta, Iquique e Mejillones.

Fonte: El Tribuno de Jujuy

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