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O corredor bioceânico avança do Paraguai em direção a uma ponte bloqueada em Mission La Paz

A construção do terceiro trecho do Corredor Bioceânico Norte avança a passos largos, do Paraguai até a fronteira com Salta, mas a indiferença do governo argentino colocou em risco um dos projetos rodoviários mais ambiciosos e concretos do Cone Sul. 
A nova ponte binacional entre Pozo Hondo e Misión La Paz, fundamental para a integração regional, está paralisada por falta de decisões políticas e técnicas.

Enquanto o Paraguai expande e pavimenta as novas estradas que ligarão a cidade de Carmelo Peralta a Pozo Hondo, a Argentina permanece indecisa sobre sua participação no projeto. A construção da necessária ponte internacional sobre o rio Pilcomayo , na divisa dos departamentos de Rivadavia e Boquerón, não está na agenda da Casa Rosada (Palácio Presidencial). Para o governo de Santiago Peña, no entanto, é uma prioridade que neste momento assume o caráter de urgência. O Ministério das Relações Exteriores paraguaio vem insistindo no acordo bilateral necessário para a nova ponte, mas sem qualquer eco no Itamaraty. O incômodo do governo de Assunção foi sentido nos últimos dias em veículos de comunicação do país vizinho, porque o atraso no acordo tem bloqueado o financiamento internacional e ameaça inutilizar um conjunto estratégico de obras planejadas, licitadas, executadas e projetadas para fortalecer a integração logística e comercial de grandes regiões do sul do Brasil, Paraguai, Bolívia, norte argentino e norte do Chile.

Novos caminhos

Com 224 quilômetros de extensão entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, a terceira fase das novas estradas construídas em território paraguaio é um dos trechos mais estratégicos do Corredor Bioceânico Norte, também conhecido como Eixo de Capricórnio. No entanto, uma questão permeia todas as discussões técnicas e diplomáticas: por que construir uma estrada que nunca chega ao seu destino?

Este é o paradoxo que o ambicioso projeto de integração regional que busca unir os oceanos Atlântico e Pacífico enfrenta hoje. A construção avança e já foram feitos investimentos maciços em novas rodovias, mas a conexão final com a Argentina, no extremo nordeste de Salta, está paralisada. A construção da ponte internacional entre Pozo Hondo e Misión La Paz, vital para a viabilidade logística e comercial do corredor, ainda não tem data para começar. Ainda mais preocupante, falta uma vontade política clara do governo argentino.

Conversas

No final do ano passado, o Itamaraty iniciou conversas com seu homólogo paraguaio para avançar no projeto da nova ponte. O objetivo era lançar um processo de licitação binacional para definir o traçado e o financiamento. No entanto, as negociações estagnaram. A comitiva de Javier Milei admite que a conectividade regional não está na agenda do governo nacional, cujas prioridades estão atualmente focadas em cortes de gastos e equilíbrio fiscal, que sustentam seu plano econômico.

Do lado paraguaio, a frustração é cada vez mais evidente, porque o financiamento internacional para a construção da nova passagem de fronteira urgentemente necessária em Pozo Hondo e Misión La Paz requer inevitavelmente um quadro de entendimento bilateral que está congelado na Chancelaria argentina.O corredor bioceânico avança do Paraguai em direção a uma ponte bloqueada em Mission La Paz.Trecho da rota bioceânica concluído no Paraguai.

“Não podemos avançar unilateralmente”

Meses atrás, o governo de Santiago Peña iniciou estudos técnicos para definir o projeto da nova ponte. Mas, por se tratar de um projeto binacional, ainda aguarda a designação formal de um parceiro técnico argentino. “Não podemos avançar unilateralmente”, explicou uma fonte do Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai. “Sem um acordo sobre a localização final da ponte, será muito difícil, senão impossível, obter financiamento para o projeto”, alertou.

O Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata) já comprometeu recursos para o projeto da ponte. No entanto, para que o financiamento se traduza em obras concretas, são necessários alguns elementos básicos: informações técnicas, custos detalhados e decisões políticas. Nenhum desses elementos está atualmente em discussão.

Enquanto isso, o tempo está se esgotando. O Paraguai já concluiu o primeiro trecho do corredor, com mais de 275 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata. A construção das novas estradas também avança nos outros dois trechos da rota bioceânica que atravessam o país vizinho.

O terceiro trecho, que culmina em Pozo Hondo, abrange mais de 220 quilômetros de pavimentação, estradas coletoras, vias de acesso e cruzamentos urbanos. O investimento está garantido e a previsão é de que o corredor esteja operacional até o final do próximo ano. Se a nova ponte internacional não for concluída, o fluxo de cargas do Brasil e do leste do Paraguai chegará a um beco sem saída na fronteira com Salta. “O projeto é fundamental para permitir que caminhões de reboque duplo e caminhões de grande porte cruzem a Argentina e continuem até o Chile”, destacaram fontes técnicas envolvidas no projeto.

O projeto de integração, em xeque

Com sua localização geográfica privilegiada e rede de gasodutos, rotas e travessias internacionais, Salta está pronta para se tornar um polo logístico fundamental para o Corredor Bioceânico Norte. Esse potencial, no entanto, será limitado se o país não definir seu compromisso com a infraestrutura de integração.

O que está em jogo não é apenas um feito de engenharia. É o futuro do comércio regional, com potencial para reduzir custos logísticos e consolidar uma alternativa viável ao eixo de Buenos Aires e aos portos do Atlântico. O Paraguai precisa da nova ponte em Misión La Paz e Pozo Hondo. Salta também precisa. Organizações internacionais estão prontas para fornecer financiamento. Mas a decisão política da Casa Rosada (Palácio Presidencial) ainda está pendente.

Fonte: El Tribuno

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