“O Chile já tomou a decisão de reforçar o Paso Jama”
O gerente-geral da Autoridade Portuária de Iquique, Rubén Castro Hurado, confirmou que o governo chileno já decidiu reforçar a passagem de fronteira de Jama, na província de Jujuy, como componente fundamental do Corredor Bioceânico. Essa decisão, adotada no ano passado durante encontros entre governos subnacionais, prioriza a infraestrutura e os recursos humanos nessa passagem de fronteira, em um contexto no qual Brasil e Paraguai estão realizando investimentos significativos para consolidar a conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Em entrevista à Rádio Salta, Castro Hurado afirmou que o corredor “já é uma realidade” e sugeriu que a falta de progresso na infraestrutura do lado argentino, principalmente nos trechos restantes em direção ao Paso do Sico, influenciou a decisão. No entanto, ressaltou que a discussão permanece aberta e que, conforme as obras necessárias forem realizadas, os dois passos poderiam coexistir para dar conta do volume de carga projetado.
O que os traz a Salta neste momento?
Estamos compartilhando algumas ideias sobre o futuro Corredor Bioceânico, pois ele agora é uma realidade concreta, com todo o potencial que oferece para o norte da Argentina, Paraguai e Brasil. Nós, no Chile, com nosso litoral no Pacífico e acesso ao enorme mercado da Ásia-Pacífico, aguardamos ansiosamente por esse desenvolvimento e trabalhamos para oferecer serviços portuários e de logística de alta qualidade. Atualmente, estou em Salta, reunindo-me com diversas associações de produtores para explorar maneiras de facilitar o transporte de cargas para a costa do Pacífico.
O que foi discutido nas reuniões com os setores locais?
Foi um esforço de divulgação junto a associações de produtores e fornecedores dos setores de mineração e agronegócio para determinar quais instalações seriam necessárias para o acesso ao porto de Iquique. Definimos Iquique como o porto localizado no coração da América do Sul, com enorme potencial de crescimento no mercado da Ásia-Pacífico.
Existem dificuldades na costa atlântica, principalmente com a gestão portuária, os altos custos e os tempos de navegação excessivos. De Iquique, poderíamos estar em Xangai em 21 dias. Atualmente, a travessia do Atlântico leva mais de 60 dias, além do tempo de congestionamento. Quando existe uma solução logística mais rápida e de menor custo, essa é uma alternativa que deve ser considerada.
O Chile já tomou alguma decisão em relação à travessia da fronteira?
Sim. As autoridades chilenas já decidiram modernizar o Paso Jama. Essa decisão foi tomada no ano passado, no contexto de reuniões de governos subnacionais, onde tiveram que definir onde concentrar seus esforços em infraestrutura e recursos humanos.
“É possível que a decisão tenha sido tomada devido aos cem quilômetros que ainda precisam ser pavimentados para que o Paso Sico atinja o mesmo padrão.”
A abertura de uma passagem de fronteira envolve mais do que apenas infraestrutura rodoviária. Requer pessoal das áreas de imigração, saúde e agricultura. A decisão de hoje é utilizar Jama.
Em Salta, enfatiza-se a importância de manter também ativo o Paso Sico
O presidente da ProSalta mencionou-me a importância de manter simultaneamente o Paso do Sico aberto, que tem as vantagens de uma altitude mais baixa e menos interrupções no trânsito. Mas entendo que há cerca de 100 quilômetros que a Argentina precisa pavimentar para que o Paso atinja o mesmo padrão do lado chileno. Esse é um desafio enorme.
Essa decisão favorece a passagem por Jujuy…
A decisão pode ter sido tomada devido à falta de progresso no desenvolvimento da infraestrutura no lado argentino. Os 100 quilômetros restantes têm prazos que se estendem para além da inauguração do corredor no final do ano. O corredor já é uma realidade. Brasil e Paraguai fizeram investimentos maciços: a rodovia que atravessa o Chaco paraguaio e a ponte entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, que será concluída até o final do ano.
“O Corredor Bioceânico deixou de ser uma especulação discutida há mais de 30 anos e hoje é uma realidade concreta, com enormes investimentos.”
Isso exclui Salta?
Não necessariamente. À medida que o projeto de infraestrutura avança, será benéfico ter ambas as passagens abertas. Jama enfrenta problemas relacionados ao clima, e não podemos nos dar ao luxo de interromper o fluxo de cargas. Se incluirmos o Brasil e o Paraguai, uma única passagem pode não ser suficiente. Isso poderia exigir duas ou três passagens adicionais. Esta é uma situação em desenvolvimento. O presidente da ProSalta me pediu para transmitir a necessidade de ambas as passagens estarem operacionais, e repassarei essa preocupação.
Ele também mencionou problemas logísticos na região.
Sim. Estamos recebendo um carregamento de carbonato de sódio para a produção de lítio em Catamarca. Centenas de caminhões argentinos vazios chegaram a Iquique para buscar essa carga. Eles poderiam ter chegado carregados com mercadorias da Argentina para exportação via Pacífico para a Ásia. Há uma falta de coordenação logística para aproveitar o transporte de ida e volta com carga.
Qual é a sua mensagem final?
Minha intenção é continuar prestando serviços em todo o norte do Chile, e particularmente através do porto de Iquique. Estamos à sua disposição.
Fonte: El Tribuno

