BrasilBusinessCorredor Bioceânico

Nova ponte brasileira de R$ 500 milhões vai eliminar balsas e terá 1.294 metros com vão estaiado de 680 m e permitirá conexão rodoviária direta entre o Atlântico e o Pacífico para exportações à Ásia

A construção da Ponte Bioceânica sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), entrou em fase final de obras e já registra mais de 80% de execução, segundo relatórios recentes de autoridades brasileiras e paraguaias.

Com 1.294 metros de extensão, estrutura estaiada no trecho central e financiamento da margem paraguaia da Itaipu Binacional, a ponte se consolida como principal elo internacional do Corredor Rodoviário Bioceânico, que ligará diretamente os oceanos Atlântico e Pacífico e encurtará o caminho das exportações brasileiras em direção à Ásia.

Estrutura estaiada e engenharia da Ponte Bioceânica

O projeto prevê uma ponte internacional com 21 metros de largura, duas faixas de rolamento para veículos e passarelas laterais destinadas a pedestres e ciclistas.

A travessia é dividida em três trechos: dois viadutos de acesso, um em cada margem, e a parte central estaiada, que se estende por 632 metros sobre o leito do Rio Paraguai, incluindo um vão livre de 350 metros para garantir a navegação da Hidrovia Paraguai–Paraná sem necessidade de interrupções.

As torres principais da ponte, que ancoram os cabos de aço responsáveis pela sustentação do tabuleiro, atingem cerca de 130 metros de altura, patamar comparável a edifícios de mais de 40 andares.

Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.
Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.

A opção pelo modelo estaiado foi definida para assegurar grande vão central, evitando pilares no canal de navegação utilizado por comboios de granéis e contêineres.

A superestrutura combina aço de alta resistência e concreto especial, dimensionados para suportar tráfego intenso de caminhões de carga sob variações climáticas e cheias sazonais do rio.

Ensaios de carga e inspeções diárias acompanham a instalação e o tensionamento dos estais, à medida que o tabuleiro avança em balanço sucessivo a partir das duas torres centrais.

Investimento, obras de acesso e importância logística

O investimento total na ponte é estimado em cerca de R$ 575,5 milhões, valor equivalente a aproximadamente US$ 100 milhões, totalmente financiado pela administração paraguaia de Itaipu.

No lado brasileiro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) conduz as obras de acesso pela BR-267, que somam 13,1 quilômetros de extensão, incluindo contorno rodoviário de Porto Murtinho, quatro pontes intermediárias sobre áreas alagadas e um centro aduaneiro de controle de fronteira.

Esse conjunto está orçado em cerca de R$ 472 milhões no âmbito do Novo PAC, com frentes de trabalho em terraplenagem, drenagem e construção das obras de arte especiais.

Do lado paraguaio, os acessos diretos à ponte somam aproximadamente 4 quilômetros e se conectam à rodovia PY-15, eixo principal da rota que cruza o Chaco até Loma Plata.

Fim das balsas e novo fluxo para caminhões

Hoje, a travessia do Rio Paraguai em Porto Murtinho depende de balsas sujeitas a filas e interrupções em períodos de cheia.

Com a nova ponte, essa etapa será substituída por uma via contínua, com gabarito vertical compatível com comboios fluviais e pistas preparadas para caminhões pesados.

Equipes atuam em turnos estendidos para unir os dois lados do tabuleiro e concluir guarda-corpos metálicos e barreiras de proteção.

Projeções oficiais indicam que a ponte transformará Porto Murtinho de ponto final de rota em entroncamento logístico internacional, redistribuindo fluxos hoje concentrados em portos como Santos e Paranaguá.

Corredor Bioceânico e ligação direta ao Pacífico

A ponte é peça central do Corredor Bioceânico rodoviário, corredor internacional de cerca de 2,4 mil quilômetros que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique.

O traçado parte de Campo Grande e conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.
Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.

Estudos da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) apontam que a nova rota pode reduzir em mais de 9,7 mil quilômetros a distância marítima das exportações brasileiras para a Ásia.

As estimativas oficiais também indicam economia de até 17 dias no tempo total de viagem e redução de cerca de 30% nos custos de frete.

Essa mudança tende a favorecer especialmente o agronegócio do Centro-Oeste, com destaque para exportações de soja, milho e carnes.

Impacto regional e mudanças em Porto Murtinho

Enquanto as obras avançam, Porto Murtinho passa por reestruturação econômica.

Investimentos públicos e privados ampliam a capacidade do terminal portuário local.

O governo estadual e órgãos federais estruturam projetos para reduzir filas e tempos de inspeção na fronteira, com previsão de centro integrado ao lado dos acessos da BR-267.

Do lado paraguaio, a pavimentação do Chaco avança por lotes que conectam Carmelo Peralta a Loma Plata e seguem até a fronteira com a Argentina.

Meio ambiente e cuidados no Pantanal

As frentes de trabalho funcionam em área sensível do Pantanal sul-mato-grossense, o que exige licenciamento e monitoramento ambiental.

Os estudos da rota preveem passagens de fauna, cercamentos e programas de monitoramento de atropelamentos.

Planos de mitigação contemplam o controle de sedimentos e adaptações para reduzir interferências em rotas de animais silvestres.

Empregos, tecnologia e cronograma até 2026

No pico das obras, mais de 400 trabalhadores atuam nos canteiros instalados nas duas margens do Rio Paraguai.

Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.
Ponte Bioceânica avança e promete ligação direta entre Atlântico e Pacífico, reduzindo custos e ampliando rotas de exportação brasileiras para a Ásia.

O consórcio responsável mantém bases com oficinas, laboratórios de ensaio e equipamentos para içamento de grandes segmentos do tabuleiro.

O cronograma prevê a conclusão da ponte no primeiro ou segundo semestre de 2026, em sintonia com os avanços dos acessos rodoviários no Brasil, Paraguai e Argentina.

Reuniões periódicas tratam de sinalização, alfândega e procedimentos de fiscalização.

Integração regional e disputa por rotas de comércio

A Rota Bioceânica integra uma estratégia mais ampla de integração física sul-americana, complementando portos, ferrovias e rodovias.

Com a ligação direta ao Pacífico, Porto Murtinho tende a assumir papel de porta de saída para cargas do interior do Brasil rumo aos portos chilenos.

Cidades do Paraguai, da Argentina e do Chile ao longo da rota disputam investimentos em terminais, serviços logísticos e turismo.

Fonte: Click Petróleo e Gás – CPG

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