Menonitas no Paraguai: uma comunidade de fé, tradição e força agrícola no Chaco
Conhecidos por sua vida simples, valores religiosos sólidos e forte espírito comunitário, os menonitas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do Chaco paraguaio. Estima-se que cerca de 40 mil menonitas vivem hoje no Paraguai, distribuídos em aproximadamente 25 colônias, além de grupos presentes em Assunção, capital do país.

A história dessa comunidade remonta ao século XVI, quando os anabatistas, liderados por Menno Simons, se separaram da Igreja Católica e passaram a defender o batismo apenas de adultos conscientes de sua fé. Perseguidos na Europa, os menonitas migraram para países como Rússia, Canadá e, posteriormente, Paraguai.
A chegada ao Paraguai e a formação das colônias
O primeiro grupo de menonitas chegou ao Paraguai em 1927, atraído pela promessa de autonomia política, liberdade religiosa e grandes extensões de terra no Chaco. O governo paraguaio ofereceu o chamado “Privilegium”, garantindo às colônias o direito de administrar suas próprias escolas, elaborar regulamentos internos, isenção de serviço militar e liberdade para desenvolver suas tradições.
Assim nasceram as colônias Menno, Fernheim e Neuland, que transformaram o árido Chaco em uma região produtiva, com destaque para a pecuária, a produção de leite, algodão e amendoim. Hoje, os menonitas são responsáveis por cerca de 80% da produção leiteira do Paraguai.
Tradição, fé e cultura
A vida menonita é guiada por valores cristãos, com base no Sermão da Montanha (Mateus 5-7), que prega a paz, a simplicidade e a separação entre Igreja e Estado. A língua predominante entre eles é o plattdeutsch, um dialeto do baixo-alemão, embora também falem espanhol e, em alguns casos, inglês.
A educação é um pilar da comunidade, com escolas geridas pelas próprias colônias e um forte enfoque na transmissão de valores e tradições cristãs. As celebrações religiosas, como Natal, Páscoa e Pentecostes, são momentos de reafirmação da fé e da união comunitária.

Desafios e mudanças
Com o crescimento econômico e a modernização trazida pela pavimentação da Ruta Trans-Chaco e investimentos no Corredor Bioceânico, que corta o departamento de Boquerón, os menonitas enfrentam o desafio de manter sua identidade diante da influência do mundo moderno. Questões como o papel da mulher na comunidade, antes restrito à vida doméstica, vêm passando por mudanças nas últimas décadas, com mulheres ocupando funções de liderança nas igrejas e cooperativas.

Apesar das transformações, os menonitas continuam sendo reconhecidos por sua ética de trabalho, disciplina e capacidade de cooperação, qualidades que fizeram do Chaco um polo agropecuário de destaque no Paraguai.


