Mato Grosso do Sul estrutura novo ciclo de desenvolvimento com foco em indústria, logística e sustentabilidade
Mato Grosso do Sul vive um novo ciclo de desenvolvimento econômico, com ênfase na expansão industrial, na consolidação da agroindústria e na meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2030. A avaliação é do secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck.
Segundo o secretário, o governo estadual se organiza para um ambiente pós-reforma tributária, que tende a reduzir o uso de incentivos fiscais como ferramenta de atração de empresas. “Estamos pensando como deixar Mato Grosso do Sul industrializado até 2032 para manter a competitividade”, afirmou.
A indústria de celulose segue como principal vitrine do Estado. Atualmente, o território sul-mato-grossense abriga cinco fábricas e deve anunciar, nos próximos meses, a sexta unidade, prevista para o município de Bataguassu. Além da produção de celulose, o governo pretende estimular a verticalização da cadeia, com ampliação da fabricação de papel e o desenvolvimento de novos segmentos industriais ligados ao setor.
Paralelamente, Mato Grosso do Sul mantém a meta de neutralizar suas emissões de carbono até 2030, antecipando em duas décadas o compromisso firmado por outros entes federativos. O Estado conta com inventário próprio de emissões, programas de integração lavoura-pecuária-floresta e iniciativas de restauração florestal. Recentemente, foi criada uma empresa estadual voltada à gestão de ativos ambientais, com o objetivo de viabilizar a comercialização de créditos de carbono.
Nos próximos meses, o governo estadual pretende lançar o primeiro edital para a venda de créditos gerados por desmatamento evitado. “A meta está mantida. Estamos estruturando os instrumentos para mensurar e comercializar esses ativos”, disse Verruck.
Rota Bioceânica
A consolidação da Rota Bioceânica é apontada como um dos principais vetores estratégicos para o desenvolvimento do Estado. Embora as obras de infraestrutura estejam em andamento, o desafio agora é assegurar a harmonização legislativa e a eficiência da estrutura alfandegária, a fim de evitar entraves ao fluxo de mercadorias.
De acordo com o secretário, a competitividade do corredor logístico dependerá da agilidade nos processos aduaneiros e da preparação dos municípios localizados ao longo do trajeto. Ele também ressaltou a importância da qualificação da população, sobretudo no domínio de idiomas como espanhol e inglês, diante da intensificação das relações comerciais internacionais.
“O Estado deixa de ser apenas exportador e passa a ter papel logístico e estratégico no comércio exterior. Isso exige preparação”, afirmou.
Para Verruck, Mato Grosso do Sul atravessa uma transição econômica ancorada na agroindustrialização, na logística e na agenda de sustentabilidade. “É um Estado em transformação, com crescimento consistente e planejamento de longo prazo”, concluiu.
Fonte: RCN e Portal Celulose

