ArgentinaBrasilBusinessChileCorredor BioceânicoParaguay

Jujuy, motor da integração

Durante a primeira semana de outubro, a província de Jujuy consolidou sua posição como força motriz regional ao sediar o 7º Fórum de Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC). Este encontro crucial, realizado na Cidade Cultural, reuniu mais de mil participantes — entre autoridades governamentais, líderes empresariais e especialistas — da Argentina, Brasil, Chile e Paraguai, com o objetivo central de finalizar a rota que unirá os oceanos Pacífico e Atlântico. A cerimônia de abertura foi presidida pelo governador Carlos Sadir, que atua como presidente pro tempore do Fórum.

A grande presença de líderes subnacionais e diplomatas demonstrou o comprometimento com o projeto que unirá dois oceanos e conectará centenas de cidades nos quatro países. Também estiveram presentes o vice-governador de Salta, Antonio Marocco; o governador regional de Antofagasta (Chile), Ricardo Díaz Cortés; a chefe de Desenvolvimento e Indústria do Governo Regional de Tarapacá (Chile), Carolina Quintero Muñoz; os governadores paraguaios Bernardo Zárate Rudas (Presidente Hayes) e Harold Bergen (Boquerón); o vice-governador de Mato Grosso do Sul (Brasil), José Carlos Barbosa; e representantes diplomáticos das embaixadas do Brasil e do Paraguai na Argentina. O apoio crucial veio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), representado por Morgan Doyle, gerente do Departamento de Países do Cone Sul.

As autoridades realizaram um amplo trabalho em comitês sobre questões de interesse mútuo.

As autoridades realizaram um amplo trabalho em comitês sobre questões de interesse mútuo.

O Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC) é um projeto de logística e infraestrutura de larga escala projetado para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico através da América do Sul central, seguindo uma rota próxima ao Trópico de Capricórnio. Seu principal objetivo é a integração econômica, proporcionando uma rota terrestre eficiente para o comércio internacional, reduzindo significativamente os custos e o tempo de transporte para exportações e importações dos países envolvidos para os mercados asiáticos. O projeto abrange não apenas o desenvolvimento de estradas, mas também a melhoria da logística, dos serviços de fronteira, da conectividade digital e da infraestrutura energética.

A principal rota do Corredor Bioceânico de Capricórnio é um eixo transversal que conecta quatro países: Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Ele começa no Oceano Atlântico. Começando no estado do Mato Grosso do Sul, atravessa o Chaco Paraguaio e entra na Argentina, passando por províncias da região Norte Grande, como Jujuy e Salta. A travessia de Jujuy é crucial, pois abriga o Passo Jama, uma das principais passagens de fronteira com o Chile.

A rota termina nas regiões de Antofagasta e Tarapacá, onde estão localizados os portos do Pacífico, incluindo Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, que servem como portas de entrada para a Ásia.

Durante a abertura do Fórum, o Governador de Jujuy, Carlos Sadir, destacou o compromisso tangível de Jujuy com a infraestrutura, destacando sua posição estratégica, por onde passam 470 dos quase 3.000 quilômetros do corredor. Ele detalhou um investimento de mais de 200 bilhões de pesos na construção da Rodovia Nacional 34 (eixo central do corredor) e esforços de 200 milhões de dólares para melhorar a conectividade digital e os serviços na Rodovia Nacional 52 em direção ao Passo Jama. Sadir enfatizou que o desafio é transformar o mapa em “desenvolvimento econômico e social”, destacando a importância do CBC para impulsionar a exportação de minerais estratégicos, como o lítio.

Sadir enfatizou que o Corredor Bioceânico de Capricórnio também se projeta como um catalisador fundamental para o desenvolvimento do turismo binacional e regional. Há um forte interesse na integração turística entre os países-membros, com a conectividade aérea sendo uma prioridade. Em particular, o Chile manifestou interesse em estabelecer voos diretos para Jujuy (a partir de cidades como Antofagasta e Iquique). Enquanto o norte do Chile oferece deserto e acesso ao Pacífico, Jujuy seduz com a riqueza cultural do Desfiladeiro de Humahuaca e, especialmente, com a exuberante biodiversidade e o clima temperado de suas Yungas (florestas de montanha), um ambiente natural que atrai fortemente o mercado chileno. Essa integração aérea não só impulsiona o fluxo de visitantes, como também tornaria Jujuy um “polo turístico” no Cone Sul.

O governador Carlos Sadir destacou o comprometimento da província com a implementação do corredor bioceânico.

O governador Carlos Sadir destacou o comprometimento da província com a implementação do corredor bioceânico.

A visão do projeto foi totalmente apoiada pelo BID. Morgan Doyle enfatizou a urgência da coordenação subnacional. Ele explicou que o “Plano Diretor é uma ferramenta fundamental que inclui projetos concretos em estradas, logística, portos, comunicações e energia”. O impacto econômico do Corredor é estimado em mais de US$ 3 bilhões, pois permitirá que as economias regionais se integrem às cadeias globais de valor. Doyle enfatizou que a integração deve ir além das estradas para gerar oportunidades de emprego e valor agregado, citando o potencial de movimentar mais de 8,6 milhões de toneladas de produtos anualmente.

O BID anunciou sua disposição em fornecer financiamento, cooperação técnica e apoio institucional para projetos relacionados ao corredor, incluindo centros integrados de controle de fronteiras (para reduzir o tempo de travessia) e um portfólio de mais de 100 projetos de infraestrutura física e digital destinados a conectar as travessias de fronteira com portos, ferrovias, energia e redes de telecomunicações. Também apresentou o programa “Conexão Sul”, uma iniciativa regional para fortalecer a conectividade sul-americana, reduzir custos logísticos e atrair investimentos estratégicos, garantindo ao BID um parceiro permanente.

O Fórum gerou resultados concretos, refletidos em acordos de cooperação. Foi assinada uma declaração de intenções com o Governo Regional de Antofagasta (Chile) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas-chave como mineração, energia renovável e logística. Além disso, foi criada a Associação de Municípios do Corredor Bioceânico de Capricórnio, reunindo mais de 40 cidades.

Com esses avanços, Jujuy se consolida como o ponto de encontro onde “rotas, culturas e oportunidades se cruzam” em um novo Mercosul periférico.

Mais de mil pessoas participaram do VII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC)

Mais de mil pessoas participaram do VII Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC)

Um corredor que gera esperança

A embaixadora do Paraguai na Argentina, Helena Felip Salazar, enfatizou que o Corredor Bioceânico será uma rota fundamental para as exportações do Paraguai e para o fortalecimento dos laços com Argentina, Brasil e Chile. Ela se referiu a projetos importantes na região do Chaco paraguaio, como as pontes Carmelo Peralta-Puerto Murtinho e Pozo Hondo-Misión La Paz.

O vice-governador de Salta, Antonio Marocco, afirmou que o CBC representa uma “oportunidade histórica para o norte da Argentina”. Ele explicou que Salta adotou isso como uma política de estado com investimentos em infraestrutura rodoviária e de fronteira, como o complexo Sico Pass e a pavimentação de trechos da rodovia para o Chile e o Paraguai.

Por sua vez, o vice-governador de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, que chegou com uma comitiva de mais de 90 representantes, enfatizou: “Enquanto o mundo constrói muros, nós construímos pontes”.

Fonte: Clarín

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *