Filadélfia se prepara para a Rota Bioceânica: prefeito Claudelino Rodas detalha planos e desafios
Filadélfia, Paraguai – A pequena cidade de Filadélfia, no Chaco paraguaio, está no centro de um dos projetos logísticos mais ambiciosos da América do Sul: a Rota Bioceânica. Em entrevista exclusiva, o prefeito Claudelino Rodas compartilhou os planos de infraestrutura, os benefícios esperados para a economia regional e os desafios que ainda precisam ser superados para transformar a região em um verdadeiro corredor de integração continental.

Conexões em múltiplas direções
Segundo o prefeito, o traçado principal da Rota Bioceânica no Paraguai conecta Carmelo Peralta, na fronteira com o Brasil, a Porto Murtinho, passando por Filadélfia, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, até alcançar a fronteira com a Argentina. De lá, a rota segue até o Chile, atravessando o território argentino.
Além dessa via principal, o prefeito destaca alternativas logísticas que incluem conexões com a Bolívia, por Infante Rivarola, e outras rotas de acesso ao Pacífico. “Temos essa conexão por vários lados”, afirma o prefeito, mostrando a importância estratégica da cidade no coração do Chaco.
Obras em andamento e projetos futuros
Uma das obras em destaque é um trecho de 103 quilômetros entre Sentinela e Mariscal Estigarribia, cuja licitação deve começar ainda este ano. A redução da distância contribuirá para maior eficiência no transporte. “Se o número de quilômetros for significativamente reduzido, será muito mais rápido”, explica o prefeito.
Ele também ressalta a importância da ponte entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho, ainda em construção, e a necessidade de uma conexão semelhante do lado argentino.
Impacto econômico e oportunidades
A expectativa é que a Rota Bioceânica gere um impacto econômico expressivo. “Será muito importante para muitos setores: produção, indústria, comércio, turismo e serviços”, afirma o prefeito. Para ele, o corredor viário vai criar oportunidades para empreendedores, prestadores de serviço e trabalhadores de diversas áreas, promovendo uma cadeia de valor interligada.
“O movimento econômico vai crescer não só aqui, mas em todo o continente, do Brasil até Campo Grande, passando pelo Paraguai, Argentina, Bolívia e Chile. E certamente outros países vão querer se juntar a esse corredor”, avalia.
Segurança, saúde e infraestrutura social
Apesar dos avanços, o prefeito reconhece que há pontos críticos a serem tratados, como segurança, saúde e infraestrutura social. “O governo nacional está começando a se organizar. Estão reforçando a segurança, dobrando o efetivo policial na região para que possamos estar preparados quando essas áreas forem abertas”, comenta.
Na área da saúde, ele defende a criação de hospitais de referência em Filadélfia, Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo. “Nunca se sabe onde uma necessidade pode surgir e não se pode estar muito longe dos outros”, alerta.
Planejamento com responsabilidade
O prefeito também chama atenção para os impactos sociais e ambientais da abertura da rota. “Temos o progresso, o desenvolvimento, mas também estamos atentos às consequências”, diz.
Claudelino Rodas revelou que os prefeitos da região já estão se organizando por meio de um conselho regional para planejar a chegada de trabalhadores e novas populações. “Estamos desenhando um modelo para controlar isso”, conclui.

O futuro passa pelo Chaco
A fala do prefeito Claudelino Rodas mostra que, embora os desafios sejam muitos, o potencial transformador da Rota Bioceânica é ainda maior. Filadélfia, antes isolada no semiárido do Chaco, pode se tornar um polo estratégico de integração continental, conectando o Brasil ao Pacífico e promovendo o desenvolvimento de todo o Cone Sul.
O futuro da América do Sul, ao que tudo indica, passará por essas estradas — e Filadélfia quer estar pronta para isso.

