Feira do Livro Bioceânica Chaco 2025 reforça integração cultural e anuncia Loma Plata como sede da próxima edição
A Feira do Livro Bioceânica Chaco 2025 encerrou-se com um forte apelo pela preservação, promoção e proteção da diversidade literária, cultural e linguística dos povos sul-americanos que vivem ao longo da Rota Bioceânica. O evento, realizado entre 31 de outubro e 1º de novembro, percorreu as cidades de Carmelo Peralta, Fuerte Olimpo e Alto Paraguai, no Paraguai, e Porto Murtinho, no Brasil, reunindo escritores, artistas, gestores públicos e representantes de instituições culturais de toda a região.

Durante o encerramento, foi anunciado que a Feira do Livro Bioceânica de 2026 será sediada em Loma Plata, no Departamento de Boquerón, consolidando o Chaco paraguaio como um território de integração literária e cultural. “A arte e a literatura não conhecem fronteiras; elas são capazes de unir países como pontes culturais”, afirmou Marcos Ybáñez, presidente da Sociedade de Escritores Paraguaios (SEP).
Literatura e integração na Rota Bioceânica
A edição de 2025 foi marcada pela participação de cerca de 30 escritores do Paraguai e do Brasil, que realizaram uma expedição cultural pelo Chaco paraguaio até Porto Murtinho, explorando o impacto das transformações sociais e econômicas trazidas pela implantação da Rota Bioceânica.
Durante a programação, os autores participaram de encontros literários, oficinas de leitura, exposições de livros e visitas técnicas ao canteiro de obras da ponte internacional sobre o rio Paraguai, símbolo da integração física e cultural entre os dois países. “Queremos que a cultura seja a pedra angular da integração, por meio da circulação de autores, livros e arte, e não apenas de mercadorias e comércio, para que o desenvolvimento que chega ao Chaco beneficie a todos”, acrescentou Ybáñez.

Cultura, educação e identidade
A Feira do Livro Bioceânica nasceu em Mariscal Estigarribia, no coração do Chaco, com o objetivo de promover a produção literária, artística e cultural dos países da Rota Bioceânica. A secretária de Educação do município, Alice Gamarra, destacou que a iniciativa busca garantir que o avanço da integração não fragilize as identidades locais e indígenas. “Nosso desafio é fazer com que o desenvolvimento preserve a alma cultural do Chaco”, afirmou Gamarra, que coordenou o evento ao lado de Miguel Del Puerto, secretário de Educação do Governo de Boquerón, e Gladys Ojeda, secretária de Turismo.

O bispo Miguel Fritz, palestrante da feira, ressaltou que a operação do corredor trará não apenas crescimento econômico, mas também mudanças culturais profundas. “É fundamental promover o diálogo intercultural entre os povos, para que o progresso caminhe junto com o respeito à diversidade.”
Rota cultural com o Brasil
A programação da feira incluiu a apresentação de documentários brasileiros que abordam o folclore e as expressões culturais da fronteira. A cineasta Mara Silvestre, diretora e criadora da AguaComTV, exibiu os filmes “Los Mascaritas” e “Pelota Tata”, além da trilogia “Toro Candil”, que retratam manifestações populares e tradições religiosas de Porto Murtinho.
Outro destaque foi o trabalho de Orlando Silvestre Filho, consultor internacional da Rota Bioceânica, que integrou a comissão organizadora e reforçou a importância da cooperação cultural transfronteiriça.
O escritor sul-mato-grossense James Jorge Barbosa Flores também teve papel de destaque como apresentador e convidado especial. Autor de mais de dez obras de contos, como “Onça Pitoca”, “Guaranias Dizem Adeus”, “Mitologia Pantanal” e “Cine Fronteira”, James apresentou suas narrativas inspiradas nos elementos simbólicos e identitários de Mato Grosso do Sul.
A escritora e pesquisadora Gicelma Chacarosqui, de Dourados (MS), também participou do encontro, representando o Brasil na programação acadêmica e literária do evento.

Cooperação e futuro
A Comissão Organizadora da Feira do Livro Bioceânica, composta pelos municípios de Mariscal Estigarribia e Carmelo Peralta, pelos governos de Boquerón e Alto Paraguai, pela SEP, CONALIB, Centro Cultural El Cabildo, Ministério da Educação, ITAIPU, Secretaria Nacional de Turismo, ADEAP, Biblioteca Nacional, Fundação Samu’u e Cultura e Integração da Rota Bioceânica, comemorou o sucesso da segunda edição.
Atendendo à proposta do escritor e historiador menonita Uwe Friesen, os participantes aprovaram Loma Plata como sede da próxima edição, reforçando a continuidade de um projeto que transforma o livro e a arte em instrumentos de integração sul-americana. “A Feira do Livro Bioceânica é um reflexo vivo da Rota Bioceânica: conecta culturas, histórias e esperanças de um continente que se reconhece por meio da palavra e da arte”, resumiu Marcos Ybáñez.


