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Estudos monstram os efeitos socioambientais que a construção da segunda ponte interprovincial sobre o Grande Corrientes produzirá

Considerando a magnitude do megaprojeto da segunda ponte Chaco-Corrientes, o “Grupo de Pesquisa em Políticas Territoriais” da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-UNNE) iniciou um estudo para identificar os impactos que o projeto poderia ter nos assentamentos da “Grande Corrientes”, considerando as principais vias, variantes e outras infraestruturas complementares.

O projeto conhecido como “Segunda Ponte Chaco-Corrientes” é uma proposta de construção de uma ponte estaiada de concreto com 772 metros de comprimento, com duas faixas em cada direção, que conectará as duas margens do Rio Paraná.

O projeto também inclui 5,6 quilômetros de viadutos que permitirão acesso a ambos os lados, e uma nova conexão entre as Rodovias Nacionais 11 e 12 – nas cidades de Resistencia e Corrientes, respectivamente – por meio da construção de 34,5 km de rodovias.

Nas RN 11 e 12 serão construídos os trechos que permitirão a extensão e conexão da nova rota com a RN 16 perto de Resistencia e com a RP5 em Corrientes. Em Resistência, será uma rodovia de 20,2 km, enquanto em Corrientes, será um percurso de 12,6 km.

(Figura 1. Nó Biprovincial Chaco Corrientes – Layout do Projeto Segunda Ponte e obras complementares).

Embora tenham sido geradas informações sobre o impacto territorial, social e ambiental do projeto como parte da justificativa técnica do projeto, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Nacional do Nordeste (FAU-UNNE) considerou necessário abordar outros aspectos sobre como isso afetaria a configuração espacial das “cidades regionais” que compõem a Grande Corrientes e a Grande Resistência.

Nesse sentido, como primeiro passo, foi iniciado um estudo para identificar os potenciais impactos socioambientais que o megaprojeto terá na região da Grande Corrientes, que será diretamente atravessada pelas novas rotas.

O trabalho faz parte de uma bolsa da Secretaria Geral de Ciência e Tecnologia da UNNE (SGCyT UNNE) e é desenvolvido no âmbito de um projeto realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Territoriais, coordenado pelo Dr. Miguel Barreto.

Em diálogo com a UNNE Medios, a arquiteta Evelyn Abildgaard (bolsista de doutorado do CONICET) e a arquiteta Rocío Ramírez (bolsista SGCyT da UNNE) explicaram que se pretende identificar possíveis efeitos do trabalho em diferentes variáveis ​​como sociais, territoriais, demográficas, de uso do solo, produtivas, de valoração da terra, ecológicas, entre outras, bem como em diferentes escalas territoriais de análise.

“A hipótese que norteia esta pesquisa é que a execução deste megaprojeto produziria uma reconfiguração espacial do território e modificaria as interconexões entre os sistemas urbanos de ambas as cidades-regiões”, disse o arquiteto Ramírez.

A metodologia é quantitativa, baseada em revisão bibliográfica, análise documental e compilação de informações disponíveis em órgãos públicos.

Além disso, trabalhamos com informações primárias resultantes da fotointerpretação de imagens de satélite utilizando Sistemas de Informação Geográfica (SIG), o que permitiu o desenvolvimento de cartografia temática.

“Sabemos que haverá impactos, mas essas mudanças podem contribuir para a integração ou fragmentação socioterritorial”, disse o arquiteto Ramírez, que começou a desenvolver essa linha de estudo como parte de uma bolsa de Incentivo às Vocações Científicas (EVC CIN) e, posteriormente, como bolsista de graduação no SGCyT UNNE.

Relevância do estudo

A arquiteta Evelyn Abildgaard afirmou que o grupo de “Políticas Territoriais” em geral, e a cátedra de “Planejamento e Gestão Territorial” da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNNE em particular, abordam a escala regional a partir da noção de cidade-região, o que permite analisar e compreender novos territórios que estão se formando, especialmente em torno de processos de expansão difusa como o caso da Grande Corrientes.

Nesse sentido, ele destacou que foi decidido estudar o impacto socioterritorial do projeto da segunda ponte, já que se trata de uma obra necessária que fortalecerá principalmente os vínculos entre Corrientes e Resistência e também contribuirá para a integração nos níveis regional, nacional e internacional.

Acrescenta-se a que isso terá um impacto particular em uma transformação marcante dos assentamentos na Grande Corrientes, já que a rota das obras rodoviárias afetará vários municípios, cidades e áreas que atualmente vivenciam interconexões econômicas, sociais, culturais e urbanas dinâmicas, com diferentes papéis e hierarquias.

A esse respeito, o arquiteto Ramírez comentou que na Grande Corrientes, a rota afetará áreas puramente urbanas, zonas periurbanas, áreas chamadas “rururbanas”, onde os estilos de vida urbanos se misturam com atividades rurais, bem como territórios rurais dispersos.

“Cada tipo de território é uma realidade específica a ser analisada”, considerou, mencionando o caso das áreas rurais da Grande Corrientes.

Ele observou que, nos últimos anos, essas áreas têm visto crescimento populacional e mudanças no uso do solo, principalmente devido à demanda por casas de fim de semana ou condomínios fechados. Isso poderá aumentar quando o corredor da ponte e os desvios que conectam à Rota 12 forem construídos.

Ele explicou que, além das capitais municipais como Capital, Santa Ana, Riachuelo, San Luis del Palmar, Paso de la Patria e San Cosme, os territórios que serão diretamente afetados pelas rotas são áreas rurais e rururbanas onde estão localizados o Barrio Esperanza e os assentamentos de Paso Pesoa e Paso Martínez, enquanto aqueles próximos à rota do projeto também são Riachuelo, San Cayetano, Cavia Cue, Paso Lovera, Espinillar, Colonia Llano, Riachuelo Bardeci, Desaguadero, entre outros.

Avanços

À medida que a investigação avança, foi possível identificar os traçados viários propostos no projeto de obras complementares da segunda ponte e identificar os assentamentos humanos que serão diretamente afetados pela construção.

Como continuação deste trabalho, está previsto um estudo de antecedentes de projetos semelhantes, juntamente com trabalho de campo e entrevistas contínuos para entender melhor as transformações territoriais, bem como os efeitos sociais e ambientais que o megaprojeto Segunda Ponte Chaco Corrientes pode ter na cidade e na região metropolitana de Corrientes.

“É importante entender nossa região e contribuir com conhecimento atual e histórico, mas também analisar projeções futuras sobre o que acontecerá com esse megaprojeto”, disse o arquiteto Abildgaard.

Ele destacou que, embora ainda em estágio inicial, a pesquisa em andamento contribui para consolidar a perspectiva de trabalho do Grupo de Pesquisa em Políticas Territoriais de estudar as cidades regionais do NEA (Nordeste Argentino) em diferentes escalas.

Ele explicou que, como objetivo de consolidar a questão, considera-se necessário implementar uma abordagem semelhante na área da Grande Resistência.

Concluindo, o arquiteto Ramírez indicou que o objetivo é gerar informações que ajudem a identificar potenciais efeitos, mas também sirvam de insumo para o desenvolvimento de políticas públicas que abordem esses efeitos, tanto antes da conclusão do projeto quanto posteriormente para mitigar quaisquer impactos que possam impactar negativamente o território.

Fonte: Unne Medios – Argentina

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