Especialistas debatem medidas para mitigar impactos negativos na Rota Bioceânica
O Seminário da Rota Bioceânica, que segue nesta quarta-feira (19) em Campo Grande, dedicou um de seus painéis ao debate sobre os impactos sociais que podem surgir com a implementação do corredor logístico que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Além dos benefícios econômicos e de infraestrutura, especialistas alertaram para os riscos inerentes ao aumento do fluxo de pessoas e mercadorias, como tráfico de pessoas, exploração infantil, prostituição, trabalho análogo à escravidão e crescimento da vulnerabilidade social nas regiões de passagem da rota.
O objetivo do painel foi discutir estratégias para evitar que esses problemas se agravem e garantir que o desenvolvimento da rota ocorra de forma sustentável e segura para as populações locais. Para isso, representantes de governos, instituições de pesquisa e assistência social reforçaram a necessidade de um planejamento integrado entre os quatro países.

Pedro Silva Barros, coordenador do IPEA (Projeto Integração Regional no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) (Foto: Izabela Cavalcanti)
Pedro Silva Barros, coordenador do IPEA (Projeto Integração Regional no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), destacou que qualquer grande projeto de infraestrutura traz externalidades — consequências que vão além do objetivo principal da obra. “Essas externalidades podem ser econômicas e sociais, tanto positivas quanto negativas. Nosso objetivo é maximizar os benefícios, como a geração de empregos, novos negócios e turismo, ao mesmo tempo em que trabalhamos para reduzir ao máximo os impactos negativos. Sabemos que um maior fluxo transfronteiriço pode facilitar atividades ilícitas, e é preciso aprender com outros projetos para evitar esses problemas desde o início”, explicou.
O especialista ressaltou ainda que a Rota Bioceânica tem uma governança diferenciada, com forte participação de governos subnacionais e da sociedade civil, o que pode ser um diferencial na busca por soluções eficazes. “Aqui em Campo Grande, temos um espaço privilegiado de diálogo, com a presença de representantes de províncias, estados e municípios dos quatro países envolvidos, além de organizações sociais. Isso dá uma qualidade maior ao projeto e permite que as políticas sejam construídas com um olhar mais próximo das realidades locais”, afirmou.

Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Mato Grosso do Sul, Patricia Cozzolino (Foto: Izabela Cavalcanti)
A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Mato Grosso do Sul, Patricia Cozzolino, reforçou que os governos estaduais e municipais precisam atuar de forma coordenada para proteger as populações vulneráveis, garantindo que os impactos negativos sejam reduzidos.
A secretária destacou ainda que, além da infraestrutura rodoviária, é necessário pensar na infraestrutura social que acompanhará o desenvolvimento da rota, que não pode ser apenas um corredor de exportação, mas que é preciso investir nas cidades e comunidades que estarão ao longo do trajeto, criando estruturas de acolhimento, assistência social e segurança para evitar que os impactos negativos cresçam.
“Os governos de todos os estados envolvidos e também o executivo municipal precisam unir esforços no sentido de possibilitar a população vulnerável economicamente uma formação adequada para atingir os postos de emprego que serão gerados, mas também protegendo as crianças e adolescentes da exploração sexual, que é uma preocupação constante possibilitando também as mulheres que são chefes de família ter uma estrutura adequada para que seus filhos e filhas fiquem em segurança quando forem mães e possam elas também se beneficiar economicamente. Não há possibilidade de não se dar um enfoque estrutural na vulnerabilidade”, ressaltou.
Fonte: Campo Grande News