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Entrevista com Luciane Costadele: integração de políticas públicas na Rota Bioceânica e desafios sociais

O Seminário Internacional da Rota Bioceânica destacou não apenas os impactos econômicos e logísticos do novo corredor comercial, mas também a necessidade de uma integração mais efetiva das políticas públicas nos municípios envolvidos. A empresária política Luciane Costadele, que participou ativamente do evento, reforçou a importância de alinhar as diretrizes municipais, estaduais e federais para que o projeto traga desenvolvimento sustentável e soluções para desafios sociais.

A necessidade de planos diretores municipais

Durante sua participação, Costadele relembrou um encontro crucial que teve com um ministro, no qual defendeu a implantação dos Planos Diretores nos 79 municípios do Mato Grosso do Sul. “Eu sou municipalista e expliquei meu trabalho. Ele concordou comigo e, logo em seguida, realizou o primeiro seminário da rota trazendo todos os municípios para discutir essa questão”, afirmou.

Para a empresária, a ausência de um planejamento urbano estruturado pode comprometer o desenvolvimento sustentável das cidades que estarão no eixo da Rota Bioceânica. “Precisamos preparar os municípios para o impacto que esse projeto trará, analisando legislação, infraestrutura e orçamento para garantir uma integração eficiente entre os países envolvidos.”

Impacto social e desafios na segurança pública

Além das questões econômicas, Luciane Costadele chamou atenção para os desafios sociais que o crescimento urbano trará para cidades como Campo Grande. Com a Rota Bioceânica, a capital sul-mato-grossense tende a receber um fluxo maior de empresários, turistas e novos moradores, o que exige uma rede de proteção social fortalecida.

Um dos pontos levantados foi a questão da violência contra a mulher, especialmente diante do recente escândalo envolvendo a Delegacia de Atendimento às Vítimas de Violência (Deam). “A integração das políticas públicas deve garantir que todas as vítimas tenham acesso ao atendimento adequado. Não basta apenas a existência das leis, é preciso que elas sejam aplicadas corretamente”, disse.

Costadele também alertou para o problema da impunidade em crimes como feminicídio e estupro, destacando que, muitas vezes, o agressor recebe penas brandas enquanto as vítimas ficam sem amparo. “Sempre o causador do dano é quem menos paga. Isso é um desvio da lei federal que precisa ser combatido.”

Falta de diálogo entre os três poderes

A empresária criticou a falta de integração entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, afirmando que a política pública precisa estar conectada às necessidades da população. “Todos os prefeitos enfrentam desafios semelhantes, mas ainda não há uma solução integrada. Temos potencial econômico e cultural, mas não temos políticas públicas organizadas para aproveitar isso da melhor forma.”

Perspectivas para o futuro

Apesar dos desafios, Costadele avalia que o saldo dos seminários tem sido positivo. “O simples fato de estarmos discutindo e buscando alinhar o setor público e privado já é um avanço. Mas precisamos ir além e garantir que os municípios construam planos estratégicos para os próximos quatro anos, ouvindo a sociedade e estabelecendo metas concretas.”

Para ela, eventos como o Seminário Internacional da Rota Bioceânica são fundamentais para impulsionar o debate e aproximar gestores, empresários e a população. “Precisamos de uma comunicação clara e acessível, que mobilize as pessoas e incentive a participação ativa nas decisões políticas. Somente assim conseguiremos garantir um desenvolvimento sustentável para todas as regiões envolvidas na rota.”

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