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Entrevista com Jaime Verruck: Comitê Estadual da Rota Bioceânica fortalece governança e infraestrutura no Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul avança na implementação da Rota Bioceânica com a criação do Comitê Estadual da Rota. No Seminário Internacional da Rota Biocêanica e o 6º foro de Los Gobiernos Subnacionales del Corredor Bioceánico, evento realizado em Campo Grande, entre os dias 18, 19 e 20 de fevereiro, tivemos a oportunidade de conversar com o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, que destacou em entrevista os primeiros passos do grupo e os impactos da iniciativa para o estado.

Governança e planejamento estratégico

A criação do Comitê Estadual da Rota Bioceânica surge como uma resposta à necessidade de governança dentro do Mato Grosso do Sul. “Os estudos mostraram que era fundamental termos um nível de governança estadual. O Seminário Internacional é um dos produtos desse esforço, buscando dar visibilidade à Rota Bioceânica no Brasil”, explicou Verruck.

O Comitê participa de diversas frentes, com coordenações específicas para áreas como seguridade, infraestrutura, turismo e desenvolvimento social. “Nosso objetivo é trazer a governança da Rota para dentro do estado e para dentro do governo, garantindo que a implementação aconteça de maneira estruturada”, acrescentou.

Infraestrutura e investimentos

Segundo o secretário, um dos principais focos atuais é a conclusão da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho. “A obra está incluída no novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e, junto com os acessos e melhorias nas estradas vicinais, representa mais de R$ 1 bilhão em investimentos”, detalhou.

Outro aspecto essencial é a preparação dos municípios para receber investimentos. “A pergunta não deve ser ‘o que a Rota trará para o meu município?’, mas sim ‘como posso me preparar para os investimentos que a Rota trará?’”, afirmou. Como exemplo, Verruck citou Porto Murtinho, que está revisando seu plano diretor para se estruturar diante das mudanças que a Rota proporcionará.

Impactos sociais e ambientais

A implementação da Rota Bioceânica também levanta questões relacionadas ao impacto sobre comunidades indígenas e tradicionais. “Temos comunidades ao longo da Rota que podem ser beneficiadas economicamente, vendendo seus produtos e integrando-se ao fluxo comercial. Mas é essencial que haja escuta e diálogo para atender às suas demandas”, destacou o secretário.

No âmbito educacional, a Secretaria Estadual de Educação já iniciou projetos para incluir o ensino da língua espanhola nas escolas, preparando as novas gerações para o intercâmbio cultural e econômico com os países vizinhos.

Próximos passos

A infraestrutura da Rota Bioceânica tem previsão de estar completamente operacional nos próximos dois anos. Até lá, o governo estadual seguirá promovendo diálogos com diversos setores impactados, incluindo transportadores, empresários e comunidades locais.

“Nosso compromisso é garantir que a Rota beneficie a todos, desde os caminhoneiros que utilizarão o trajeto até as populações ribeirinhas e indígenas que vivem ao longo do percurso”, concluiu Verruck.

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