Empresário chinês está de olho no lítio no Chile, em projetos de infraestrutura e chegou a manifestar interesse em adquirir 40% da Codelco
Na busca por adquirir recursos críticos e projetos de energia, empresas chinesas chegaram a mirar na Codelco. O presidente da Powerful Mayor Limited, Max Wu (Jiun-Yuan), solicitou uma reunião em 2024 com o presidente da estatal, Máximo Pacheco, para “explorar a possibilidade de formar uma aliança com terceiros para financiar o desenvolvimento e a expansão de novos projetos da Codelco”, segundo o pedido. Ele participaria da reunião com empresas financeiras como Morgan Stanley, Blackstone China, China Investment Corporation e China International Intellectech Co. O representante delas seria Carlos Salazar, consultor de empresas asiáticas no Chile.
A Codelco nega categoricamente ter se reunido com o empresário. De fato, o pedido não foi aceito. Além disso, Salazar explica que a ambiciosa meta da Powerful Mayor Limited era licitar 40% da estatal. Eles enviaram o pedido à Codelco para explorar oportunidades de investimento. E embora a mineradora supostamente tenha lhe pedido “todas as informações sobre o histórico da empresa, seus negócios e sua trajetória no Chile e na região”, o objetivo era apenas avaliar o tipo de empresa que era. “A Codelco não está à venda”, enfatizam fontes internas da empresa. Sua propriedade pertence ao Estado chileno, e isso não está em questão, ressaltam.
Outros negócios em lítio e infraestrutura:
O empresário chegou ao Chile em 2023. Naquela época, pretendia investir em cobre, ferro e lítio. Com isso em mente, Salazar relata que fez uma oferta pelo projeto Siete Salares, que pertencia à família Vecchiola e à empresa Talison, na região do Atacama, e que acabou sendo adquirido pelo grupo francês Eramet por US$ 95 milhões em novembro de 2023.
Como parte de sua estratégia, ele se reuniu com a então Ministra de Minas, Marcela Hernando, para “delinear a compra de projetos de lítio”, e com diversas autoridades da InvestChile, dos Ministérios da Economia e do Patrimônio Nacional. Posteriormente, estabeleceu-se em Santiago com uma empresa chamada Comercializadora British Mining Resources Corporation Limitada, cujo escritório fica em El Bosque Norte.
Entre 2024 e 2025, realizou diversas reuniões de lobby. Há registros de que apresentou ao presidente Gabriel Boric — por carta — uma proposta de “US$ 15 bilhões em investimentos estrangeiros para os setores de energia, obras públicas e mineração”. Isso porque ele era um promotor proativo do projeto Corredor Bioceânico, anunciado pelo próprio presidente em abril de 2025. Essa rota conectaria Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por terra, permitindo que produtos brasileiros fossem enviados para a China por meio de portos chilenos e que produtos chilenos fossem exportados para a Europa por meio de portos brasileiros.
Ele também tinha planos para um centro de armazenamento para coletar produtos do Corredor Bioceânico. De fato, em uma reunião com Francisco Picón, então chefe de gabinete da InvestChile, ele levantou a possibilidade de construir um “megaporto multiuso” no norte do Chile.
Além disso, em 2024, reuniu-se com Denisse Hernández, chefe de gabinete do Ministério de Ativos Nacionais, solicitando terrenos para projetos de desenvolvimento perto de Bahía Inglesa. Fontes confirmam que a resposta do ministério foi positiva.
Ele também se reuniu com o Subsecretário de Obras Públicas, José Herrera; Pablo del Canto, chefe da Unidade de Apoio a Projetos do Ministério de Energia; e Juan Riumalló, chefe de gabinete da Secretaria-Geral do Governo (Segegob). Sua presença no Chile poderia ser consolidada por meio de projetos de mineração, desenvolvimento de infraestrutura ou até mesmo hotéis. Em sua última visita, Salazar confirma que se reuniu com Andrés Solari Urquieta, gerente geral do Grupo Algeciras e membro do conselho de administração da A3 Property Investments, que possui 11 hotéis em seu portfólio, para discutir a possibilidade de investir em hotéis em Santiago.
Fonte: GDA – Grupo de Diários da América

