Em reação ao tarifaço Nelsinho cita Rota Bioceânica como alternativa
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), tem sido uma das vozes mais firmes no Congresso em defesa dos produtos brasileiros diante do anúncio dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre as nossas exportações.
Em discurso no Plenário nesta quarta-feira (02/04), o senador ressaltou que o movimento do governo americano não é surpresa, já vinha sendo sinalizado anteriormente e pediu equilíbrio e estratégia para proteger especialmente os produtores brasileiros.
“Nós não podemos aceitar que o produtor brasileiro seja sempre o elo mais frágil dessa cadeia de conflito global, não vou chamar de guerra. E é com esse espírito que eu proponho a revisão de estratégia da nossa política de comércio exterior. Isso é muito importante”, afirmou o parlamentar.
Representante de Mato Grosso do Sul, estado que ocupa posição estratégica nas exportações do país, o senador Nelsinho defendeu ainda projetos que ampliem a autonomia brasileira, como a Rota Bioceânica, um corredor logístico que nasce em Mato Grosso do Sul, corta Paraguai, Argentina e Chile e abre uma nova alternativa para exportações brasileiras pelo Pacífico para a Ásia.
“Projetos como tem lá no nosso Estado, da Rota Bioceânica, também fazem parte dessa visão de futuro. Eles fortalecem nossa autonomia, ampliam nossas ações logísticas e reduzem a nossa dependência de mercados únicos. Isso é uma política externa com responsabilidade”, disse.
Na avaliação do parlamentar, “a taxação imposta agora pelos Estados Unidos é um sinal dos tempos de agora. Uma tendência que todos os países devem reavaliar. E se os Estados Unidos estão revendo seus acordos e práticas comerciais, o Brasil também precisa fazer o mesmo de forma propositiva, técnica e articulada intersetorialmente, não só com o setor produtivo, como também com o nosso Congresso”.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores também anunciou que a CRE já estuda organizar uma missão parlamentar aos Estados Unidos, “para dialogar diretamente com o Congresso americano, em busca de equilíbrio e cooperação”, afirmou.
Para o senador, não se trata de um embate, mas de agir com inteligência diante de um mundo em mudança. “Com certeza, com as qualidades e a sanidade dos nossos produtos, ficar sem relação comercial, seja com quem quer que seja, nós não vamos ficar perene nesse sereno. Então, é o momento de reação planejada, inteligente, não de ações intempestivas. É hora da gente se organizar, planejar e fazer com que essa ordem global que está mudando não venha nos pegar de surpresa”, defendeu.
Fonte: Folha de Campo Grande