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Editorial: Corredor Bioceânico só será viável com TIR e OEA

Por René Ellis

O Corredor Bioceânico, que pretende ligar o Centro-Oeste brasileiro ao Oceano Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, é apresentado como uma solução logística capaz de transformar a competitividade da região. No papel, trata-se de um projeto ambicioso: encurtar milhares de quilômetros no acesso aos mercados asiáticos e do Pacífico, reduzindo custos e tempo de transporte de commodities como soja, milho, algodão, proteína animal e produtos industrializados.

Mas a realidade impõe barreiras que não podem ser ignoradas. Sem integração alfandegária e sem acordos multilaterais sólidos, o corredor corre o risco de se tornar apenas uma promessa, incapaz de competir com alternativas já consolidadas como o Canal do Panamá.

Entraves que travam o projeto

  • Integração aduaneira insuficiente: cada país mantém sistemas distintos, gerando atrasos e custos adicionais.
  • Trecho argentino problemático: estradas precárias e alfândegas pouco estruturadas comprometem a fluidez logística.
  • Disputa geoeconômica pelo lítio: a rota atravessa o “Triângulo do Lítio”, alvo de interesses estratégicos de China e EUA.
  • Falta de confiança institucional: sem tratados claros, os países hesitam em flexibilizar controles alfandegários.

OEA, confiança e previsibilidade

O Programa OEA (Operador Econômico Autorizado) é peça-chave para dar credibilidade ao corredor. Empresas certificadas como confiáveis podem atravessar fronteiras com menos burocracia, reduzindo inspeções e garantindo previsibilidade. A expansão do OEA entre os países envolvidos é condição indispensável para que o corredor funcione como uma rota segura e eficiente.

TIR, o tratado que falta

O Tratado TIR (Transporte Internacional Rodoviário), reconhecido pela ONU, é o único sistema universal de trânsito aduaneiro. Com ele, cargas circulam entre países signatários com um único documento e lacre internacional, sem necessidade de inspeções repetidas. O Brasil aderiu em 2025, mas a plena implementação entre todos os países do corredor é urgente. Sem o TIR, o projeto continuará refém da burocracia e da desconfiança institucional.

O que precisa ser feito

  1. Implementar o TIR de forma plena entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
  2. Expandir o OEA, garantindo prioridade às empresas certificadas.
  3. Investir em infraestrutura crítica, especialmente no trecho argentino e nos portos chilenos.

Em resumo:

O Corredor Bioceânico não pode ser tratado apenas como uma obra de engenharia ou um sonho logístico. Ele é, sobretudo, um desafio político e institucional. Sem o TIR e o OEA, continuará sendo apenas uma rota parcial, travada por barreiras alfandegárias e disputas geopolíticas. Com eles, pode finalmente se tornar o eixo estratégico que conectará o Brasil e seus vizinhos ao Pacífico, garantindo competitividade global e integração regional.

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