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Corredores Bioceânicos: ALADI define o roteiro para a conectividade logística e digital até 2026

A competitividade do comércio exterior latino-americano está passando por um momento decisivo, em que a eficiência logística deixou de ser apenas um diferencial e se tornou uma condição essencial para a sobrevivência. Partindo dessa premissa, a Associação Latino-Americana para a Integração (ALADI) organizou, em 28 de novembro, o “3º Encontro de Corredores Bioceânicos” , um fórum que reuniu autoridades governamentais, organizações internacionais e líderes do setor privado da Argentina, Brasil, Chile e Paraguai.

O evento, que contou com mais de 140 participantes virtuais, teve como foco a implementação de corredores bioceânicos como ferramenta para superar a dependência histórica do Canal do Panamá e ampliar o acesso aos mercados da Ásia-Pacífico.

O discurso de abertura foi proferido pelo Embaixador Didier Olmedo , que reafirmou que a integração física é um requisito da Resolução 85 do Conselho de Ministros da ALADI. Concordando, o Secretário-Geral, Dr. Sergio Abreu, alertou para as assimetrias estruturais da região: “Se não alcançarmos a integração física, não haverá desenvolvimento, investimento ou mobilidade social. A conectividade não apenas une territórios, como também une oportunidades”, afirmou, enfatizando a necessidade de segurança jurídica para atrair investimentos de longo prazo.

O Corredor de Capricórnio: progresso concreto

O ponto alto do dia foi o Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC) , um projeto que busca conectar os portos do Atlântico e do Pacífico, atravessando o coração produtivo do continente.

  • Perspectiva argentina: O Ministro Santiago Villarba enfatizou a importância do sistema SINTIA para a agilização dos procedimentos aduaneiros e a necessidade de simplificar os processos em pontos-chave como JAMA e SICO. Ele também destacou o potencial turístico e a importância da coordenação por meio de um Fórum de Estados Subnacionais.
  • Perspectiva do Brasil: João Carlos Parkinson de Castro, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, definiu o corredor como uma resposta de “segurança geopolítica” à instabilidade global. Ele destacou o impacto econômico em regiões como Mato Grosso do Sul, onde mais de 11 mil novas empresas foram estabelecidas somente em outubro de 2025, impulsionadas pela expectativa de serviços de logística, portos secos e energia limpa.

Financiamento e digitalização: as chaves para o sucesso

A reunião revelou que o projeto conta com apoio financeiro internacional de quase US$ 10 bilhões para obras de infraestrutura. No entanto, especialistas concordam que o concreto por si só não basta sem a “infraestrutura social”.

John Edwin Mein , da PROCOMEX , apresentou um estudo técnico que identificou os principais entraves regulatórios. A solução proposta envolve a Gestão Coordenada de Fronteiras : interoperabilidade dos sistemas aduaneiros, troca de imagens de scanners em tempo real e digitalização de documentos.

Nesse sentido, Alejandra Radl (INTAL-BID) detalhou o Plano Diretor de Cooperação Bilateral de Cooperação (CBC) , uma ferramenta de governança multinível que integra a facilitação do comércio, a infraestrutura físico-digital e o desenvolvimento de cadeias produtivas. “O BID permanece totalmente disponível para apoiar a implementação do Plano Diretor”, afirmou ela.

Rafael Laurentino, da ALADI, acrescentou que ferramentas como o Certificado Digital de Origem (COD) — que já abrange 80% do comércio intra-Mercosul — e a assinatura digital regional são pilares fundamentais para garantir que os caminhões não parem nas fronteiras.

Fonte: Data Portuária

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