Corredor Rodoviário Bioceânico avança: Chile e Brasil lideram construção de rota de 2.400 km
O Corredor Rodoviário Bioceânico, também conhecido como “Corredor de Capricórnio”, é uma rodovia de aproximadamente 2.400 quilômetros que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Seu objetivo é conectar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico através dos portos do norte do Chile, facilitando o transporte de cargas e passageiros na região. O projeto conta com apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Cada nação assumiu responsabilidades específicas para garantir que a rodovia opere como um corredor contínuo e eficiente entre os dois oceanos. Apesar desse compromisso, o progresso é desigual: Chile e Brasil lideram a execução, enquanto Paraguai e Argentina enfrentam desafios técnicos e financeiros que estão atrasando o projeto. Para consolidar o corredor, cada país precisa construir ou melhorar trechos rodoviários e fortalecer a infraestrutura portuária para lidar com o aumento previsto no fluxo de cargas.
Chile e Brasil mostram progresso
No Chile, projetos em andamento permitiram a abertura de trechos significativos do corredor. “Todos os projetos sob nossa responsabilidade já estão construídos ou em fase de conclusão”, disse o Ministro dos Transportes e Telecomunicações, Juan Carlos Muñoz, ao site de notícias DF SUD . Essas rotas conectam as passagens de fronteira de Jama e Sico com as cidades e portos de Antofagasta e Iquique.
O BID confirma o progresso do Chile, observando que o país “possui trechos rodoviários que já funcionam como corredores de transporte consolidados”. Segundo o portal chileno DF SUD, esses corredores permitem o transporte eficiente de cargas e passageiros, consolidando o papel logístico do Chile na região.
Muñoz também destacou melhorias nos portos do norte. Um novo guindaste foi instalado em Iquique, aumentando a capacidade do terminal, enquanto o “quebra-mar” em Antofagasta foi ampliado, reforçando a área de carga e descarga. No entanto, o BID indica que “melhorias no acesso à fronteira, na conectividade digital e na infraestrutura de apoio ao transporte de carga, passageiros e veículos particulares” ainda são necessárias.
Atrasos no Paraguai e na Argentina
Paraguai e Argentina estão progredindo mais lentamente do que Chile e Brasil. A Ponte Internacional Porto Murtinho–Carmelo Peralta, fundamental para conectar o Brasil ao corredor, está 80% concluída, segundo o BID. Muñoz projeta que ela estará operacional até o final de 2026, permitindo o escoamento de cargas brasileiras e paraguaias para portos chilenos.
No Paraguai, três trechos do corredor foram pavimentados. Um está concluído, entre Carmelo Peralta e Minas Cué, outro está em construção entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, e um terceiro, com 102,5 km de extensão, ainda não começou a ser construído, para o qual o governo guarani solicitou apoio do BID. Esses projetos concluirão a pavimentação da rota no Paraguai.
Na Argentina, o BID observou que “trechos significativos da Rodovia Nacional 51 (RN51) ainda precisam ser pavimentados”, que se conecta ao Passo Sico, e um trecho de 25 km da Rodovia Provincial 54. A província de Salta recebeu recentemente financiamento internacional para avançar na construção da RN51. Muñoz disse ao site do DF SUD: “Espero que a Argentina cumpra seu compromisso. É fundamental que os quatro países avancem para que os 2.400 quilômetros funcionem como uma rede contínua que fortaleça a economia regional.”
Impacto e projeção do corredor
O Corredor Rodoviário Bioceânico visa se tornar a rota mais curta entre os oceanos Atlântico e Pacífico, impulsionando a conectividade e o comércio no Cone Sul. Seu desenvolvimento facilitará a movimentação de cargas e passageiros entre os países participantes, fortalecendo a logística regional e a eficiência do transporte. O corredor poderá ser complementado pelo Corredor Ferroviário Bioceânico, que permitirá o transporte de cargas até o porto peruano de Chancay.
Essa integração garantirá que a infraestrutura terrestre e ferroviária opere de forma coordenada, impulsionando o fluxo de mercadorias e melhorando a conectividade regional. Se todos os países cumprirem seus compromissos, a rede de 2.400 quilômetros funcionará como uma rota contínua conectando portos, cidades e postos de fronteira. Isso consolidará o corredor como um polo logístico abrangente para o Cone Sul, capaz de integrar o transporte terrestre e marítimo entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Fonte: Peru Retail

